O agronegócio do Estado de São Paulo apresentou, nos primeiros sete meses de 2026, exportações de US$ 15,63 bilhões contra importações de US$ 3,47 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 12,16 bilhões, segundo levantamento da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (Apta), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.
Participação na pauta e setores que mais venderam
No período, o setor agropecuário respondeu por 37,2% do total das exportações paulistas, enquanto as importações do agronegócio representaram 6,6% do total importado pelo Estado. Cinco grupos concentraram quase quatro quintos do valor exportado pelo agro paulista.
- Complexo sucroalcooleiro: 23,6% das exportações do agronegócio, totalizando US$ 3,68 bilhões; do montante, 94,3% correspondem ao açúcar e 5,7% ao etanol.
- Carnes: 17,2% das vendas externas, com US$ 2,68 bilhões; a carne bovina responde por 83,7% desse grupo.
- Complexo soja: participação de 13,9%, equivalente a US$ 2,17 bilhões; 82,6% referem-se à soja em grãos e 11,5% a farelo de soja.
- Produtos florestais: 12,3% do valor exportado, com US$ 1,91 bilhão; celulose representa 62,5% e papel 30,7%.
- Sucos: participação de 7,0%, somando US$ 1,09 bilhão, dos quais 96,1% são suco de laranja.
| Grupo | Participação (%) | Valor (US$) |
|---|---|---|
| Complexo sucroalcooleiro | 23,6 | 3,68 bi |
| Carnes | 17,2 | 2,68 bi |
| Complexo soja | 13,9 | 2,17 bi |
| Produtos florestais | 12,3 | 1,91 bi |
| Sucos | 7,0 | 1,09 bi |
Variações anuais e destinos
Na comparação com o mesmo intervalo de 2025, foram observadas altas e quedas entre os grupos que compõem a pauta paulista. Subiram as exportações de soja (+20,2%), carnes (+16,3%) e produtos florestais (+8,2%). Em contrapartida, registraram retração os sucos (-40,0%), o setor sucroalcooleiro (-20,7%) e o café (-19,0%).
Quanto aos destinos, a China se manteve como principal comprador, concentrando 27,5% das exportações paulistas, com forte demanda por soja, carnes, produtos florestais e itens do complexo sucroalcooleiro. A União Europeia representou 14,1% da pauta estadual e os Estados Unidos, 10%.
Impactos e leitura do resultado
O excedente registrado reforça a posição do Estado como um dos principais polos exportadores do país no setor agropecuário. A concentração de vendas em poucos grupos — que juntos somam quase 80% do valor exportado — evidencia dependência de mercados e commodities específicas, um aspecto relevante para produtores e formuladores de políticas públicas quando se discute estratégias de diversificação de mercados e agregação de valor.
As mudanças nos fluxos por produto também apontam para desafios e oportunidades: a recuperação em soja e carnes pode sinalizar ganho de competitividade e demanda externa mais firme, enquanto quedas em suco, açúcar e café impõem atenção para fatores como preços internacionais, estoques e oscilações climáticas que afetam oferta e qualidade.
Para o setor privado e para gestores estaduais, o desempenho indica espaço para ampliar iniciativas de promoção comercial, investimentos em infraestrutura logística e aprimoramento de políticas de apoio à industrialização de produtos agrícolas, de modo a reduzir vulnerabilidades associadas à concentração de commodities.
O relatório da Apta fornece, assim, um retrato do agronegócio paulista no acumulado do ano até julho e subsídios para decisões de produtores, indústrias e autoridades interessadas em manter a competitividade externa do setor.