Idade não é impedimento para a doação de órgãos em vida. Em 2023, um caso acompanhado pelo Hospital Universitário de Brasília (HUB) ilustra a possibilidade: Arivaldo Sampaio, aos 69 anos, doou um rim para o filho após um processo de avaliação que comprovou a aptidão do órgão e a compatibilidade.
O que diz o Ministério da Saúde
Segundo o Ministério da Saúde, um doador vivo pode oferecer um dos rins, parte do fígado, parte da medula ou parte dos pulmões. Em todos os tipos de doação em vida, a compatibilidade sanguínea é requisito essencial. A decisão clínica depende da avaliação médica da história pregressa do doador e de exames que atestem segurança tanto para o receptor quanto para o próprio doador. A idade, por si só, não constitui limitação automática para a doação.
Experiência individual e recuperação
Arivaldo relatou apreensão sobre a condição funcional do rim antes dos exames, mas descreveu a notícia da compatibilidade como um alívio:
“Tive a felicidade de descobrir que eu era compatível. Esse momento, para mim, foi um momento de graça. Foi uma graça divina mesmo.”
Ele afirmou que a recuperação pós-operatória foi tranquila e que a qualidade do acompanhamento médico foi determinante. Três anos após a doação, mantém rotina de atividades físicas e consultas anuais no HUB, que coordenou o procedimento.
Cenário nacional e números
O Brasil registrou em 2025 4.335 doadores efetivos, correspondente a uma taxa de 20,3 doadores por milhão de habitantes — o maior número já registrado pelo país. Apesar desse avanço, há atualmente 49,4 mil brasileiros aguardando por transplantes, conforme o Sistema Nacional de Transplantes. A combinação desses dados evidencia tanto os progressos quanto o desafio persistente de reduzir a fila de espera.
| Ano | Doadores efetivos | Taxa (por milhão) | Pessoas na fila |
|---|---|---|---|
| 2025 | 4.335 | 20,3 | 49.400 |
Quem pode ser doador vivo e como é feita a avaliação
O processo de seleção de doadores em vida envolve:
- Avaliação da história clínica e de doenças prévias;
- Exames laboratoriais e de imagem para verificar a função e a integridade do órgão ofertado;
- Avaliação de compatibilidade sanguínea e imunológica;
- Avaliação psicológica e orientação sobre riscos e benefícios.
Profissionais de saúde ponderam riscos cirúrgicos imediatos e impactos a médio e longo prazo sobre a qualidade de vida do doador. No caso relatado, o acompanhamento multidisciplinar e a empatia da equipe foram ressaltados pelo doador como fatores importantes para a recuperação e para a decisão familiar.
Consequências e desafios
A abertura à doação por pessoas mais velhas pode ampliar o número de doadores potenciais e, com isso, contribuir para reduzir o tempo de espera por transplantes. Ainda assim, especialistas e órgãos públicos precisam continuar investindo em:
- Campanhas de informação sobre critérios e segurança da doação em vida;
- Capacitação de equipes para avaliações clínicas e acompanhamento pós-doação;
- Infraestrutura hospitalar para assegurar resultados seguros para doadores e receptores.
É importante lembrar que cada caso é único e que a decisão sobre doação em vida deve ocorrer com base na avaliação médica individualizada e no consentimento esclarecido dos envolvidos. Esta reportagem apoia-se em informações do Ministério da Saúde e do Sistema Nacional de Transplantes e não substitui a orientação de profissionais de saúde. Em caso de dúvidas sobre elegibilidade ou riscos, procure seu médico ou o serviço de transplantes de referência.
Reportagem da editoria de Saúde — rigorosa e acolhedora — com dados oficiais e relato assistido por instituição hospitalar.