A Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta) apresentou neste mês propostas dirigidas às principais coligações que disputam o governo do estado com um objetivo explícito: colocar o setor florestal no centro das políticas públicas para as próximas décadas. O documento reúne demandas técnicas e financeiras visando ampliar a base de florestas plantadas e viabilizar uma maior integração entre produção florestal, indústria e transição energética.
Meta ambiciosa e ciclo produtivo longo
Atualmente, Mato Grosso conta com cerca de 253 mil hectares de florestas plantadas. A Arefloresta defende a ampliação dessa área para 700 mil hectares até 2040, meta que, segundo a entidade, exige alterações estruturais no apoio financeiro e na gestão ambiental estadual. O setor ressalta também a característica que torna o investimento em silvicultura distinto de outras atividades do agronegócio: o ciclo produtivo pode variar entre 7 e 20 anos, exigindo capital com prazo dilatado e previsibilidade.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Área atual de florestas plantadas | 253.000 ha |
| Meta até 2040 | 700.000 ha |
| Ciclo produtivo | 7–20 anos |
Pontos centrais das propostas
Para superar os obstáculos que limitam a expansão, a entidade estruturou três eixos principais de reivindicação. Eles visam tanto atrair recursos quanto reduzir entraves administrativos que encarecem ou retardam projetos florestais.
- Instrumentos financeiros: criação de um Fundo Garantidor de Crédito e de um Fundo Estadual de Investimento Florestal para oferecer garantias e acomodar o perfil de capital de longo prazo exigido pelo setor.
- Desburocratização da gestão ambiental: modernização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) com termos de referência específicos para silvicultura, vistorias tecnológicas remotas e prazos-limite mais curtos para análise de processos e emissão de licenças.
- Industrialização local: implantação de um programa estadual para estimular a indústria madeireira e agregar valor à cadeia produtiva, reforçando o papel da biomassa de eucalipto como insumo para a agroindustrialização.
Segundo a associação, eucalipto reflorestado aporta biomassa que é elemento estratégico para processos industriais e de geração térmica, posicionando o setor como fornecedor de soluções climáticas e de base para diversificação industrial no estado.
Impactos para produtores e indústria
As propostas buscam responder a uma barreira recorrente: a dificuldade de financiamento compatível com uma atividade de longo prazo. Sem mecanismos que reduzam o risco percebido pelos financiadores, a expansão tende a ficar restrita, limitando também a disponibilidade de matéria-prima para indústrias locais que poderiam se instalar ou ampliar a capacidade de processamento.
Do ponto de vista ambiental, o crescimento ordenado de florestas plantadas pode conciliar produção e conservação quando integrado a planos territoriais e práticas de manejo responsáveis. A Arefloresta coloca isso como um dos argumentos para justificar investimentos públicos e privados.
Desafios administrativos
Na proposta entregue aos candidatos, a modernização da Sema ocupa papel central. A associação defende fluxos administrativos padronizados e mais célere análise técnica para reduzir atrasos que elevam custos e inibem o interesse de investidores. Entre as medidas sugeridas estão procedimentos de vistoria por meios digitais e termos de referência adaptados à silvicultura comercial.
Essas mudanças, na visão da entidade, permitirão maior previsibilidade regulatória e reduzirão o tempo entre o plantio e o retorno econômico, condição essencial para atrair o chamado “capital paciente”.
Próximos passos
A iniciativa da Arefloresta ainda depende de acolhimento nas plataformas de governo dos candidatos e da formulação de políticas públicas que viabilizem os fundos e a modernização administrativa propostos. A adoção de instrumentos financeiros e a agenda de desburocratização serão determinantes para que a meta de 700 mil hectares seja plausível sem gerar conflitos com outras formas de uso do solo.
Sem a confirmação de compromissos públicos, a proposta permanece como um documento de referência técnica e reivindicação setorial. Cabe agora aos formuladores de políticas e ao mercado avaliar a compatibilidade das medidas com o planejamento territorial, a demanda por biomassa e a capacidade de atração de investimentos de longo prazo no estado.