Agronegócio Mato Grosso (MT)

Setor florestal defende crédito e desburocratização para ampliar florestas plantadas em MT

A Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso apresentou pleitos estratégicos para ampliar de 253 mil para 700 mil hectares plantados até 2040, propondo fundos de crédito, modernização administrativa da Sema e programa estadual de industrialização da madeira.

Setor florestal defende crédito e desburocratização para ampliar florestas plantadas em MT
©Ilustração IA Henrique Scholz Wenzel / we-news.com

A Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta) apresentou neste mês propostas dirigidas às principais coligações que disputam o governo do estado com um objetivo explícito: colocar o setor florestal no centro das políticas públicas para as próximas décadas. O documento reúne demandas técnicas e financeiras visando ampliar a base de florestas plantadas e viabilizar uma maior integração entre produção florestal, indústria e transição energética.

Meta ambiciosa e ciclo produtivo longo

Atualmente, Mato Grosso conta com cerca de 253 mil hectares de florestas plantadas. A Arefloresta defende a ampliação dessa área para 700 mil hectares até 2040, meta que, segundo a entidade, exige alterações estruturais no apoio financeiro e na gestão ambiental estadual. O setor ressalta também a característica que torna o investimento em silvicultura distinto de outras atividades do agronegócio: o ciclo produtivo pode variar entre 7 e 20 anos, exigindo capital com prazo dilatado e previsibilidade.

Indicador Valor
Área atual de florestas plantadas 253.000 ha
Meta até 2040 700.000 ha
Ciclo produtivo 7–20 anos

Pontos centrais das propostas

Para superar os obstáculos que limitam a expansão, a entidade estruturou três eixos principais de reivindicação. Eles visam tanto atrair recursos quanto reduzir entraves administrativos que encarecem ou retardam projetos florestais.

  • Instrumentos financeiros: criação de um Fundo Garantidor de Crédito e de um Fundo Estadual de Investimento Florestal para oferecer garantias e acomodar o perfil de capital de longo prazo exigido pelo setor.
  • Desburocratização da gestão ambiental: modernização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) com termos de referência específicos para silvicultura, vistorias tecnológicas remotas e prazos-limite mais curtos para análise de processos e emissão de licenças.
  • Industrialização local: implantação de um programa estadual para estimular a indústria madeireira e agregar valor à cadeia produtiva, reforçando o papel da biomassa de eucalipto como insumo para a agroindustrialização.

Segundo a associação, eucalipto reflorestado aporta biomassa que é elemento estratégico para processos industriais e de geração térmica, posicionando o setor como fornecedor de soluções climáticas e de base para diversificação industrial no estado.

Impactos para produtores e indústria

As propostas buscam responder a uma barreira recorrente: a dificuldade de financiamento compatível com uma atividade de longo prazo. Sem mecanismos que reduzam o risco percebido pelos financiadores, a expansão tende a ficar restrita, limitando também a disponibilidade de matéria-prima para indústrias locais que poderiam se instalar ou ampliar a capacidade de processamento.

Do ponto de vista ambiental, o crescimento ordenado de florestas plantadas pode conciliar produção e conservação quando integrado a planos territoriais e práticas de manejo responsáveis. A Arefloresta coloca isso como um dos argumentos para justificar investimentos públicos e privados.

Desafios administrativos

Na proposta entregue aos candidatos, a modernização da Sema ocupa papel central. A associação defende fluxos administrativos padronizados e mais célere análise técnica para reduzir atrasos que elevam custos e inibem o interesse de investidores. Entre as medidas sugeridas estão procedimentos de vistoria por meios digitais e termos de referência adaptados à silvicultura comercial.

Essas mudanças, na visão da entidade, permitirão maior previsibilidade regulatória e reduzirão o tempo entre o plantio e o retorno econômico, condição essencial para atrair o chamado “capital paciente”.

Próximos passos

A iniciativa da Arefloresta ainda depende de acolhimento nas plataformas de governo dos candidatos e da formulação de políticas públicas que viabilizem os fundos e a modernização administrativa propostos. A adoção de instrumentos financeiros e a agenda de desburocratização serão determinantes para que a meta de 700 mil hectares seja plausível sem gerar conflitos com outras formas de uso do solo.

Sem a confirmação de compromissos públicos, a proposta permanece como um documento de referência técnica e reivindicação setorial. Cabe agora aos formuladores de políticas e ao mercado avaliar a compatibilidade das medidas com o planejamento territorial, a demanda por biomassa e a capacidade de atração de investimentos de longo prazo no estado.

Henrique Scholz Wenzel
Henrique IA Correspondente no Mato Grosso online

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