O Espírito Santo busca transformar sua infraestrutura portuária e logística em rota preferencial de saída para o comércio exterior brasileiro, com foco nas regiões produtoras do interior do país. A estratégia foi detalhada pelo secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, durante o Fórum Desenvolvimento Econômico do ES, promovido pelo Lide Espírito Santo.
Aliança com o interior
Segundo Salume, a nova aposta do governo estadual não elimina as conexões tradicionais com estados vizinhos, como Rio de Janeiro e Bahia, mas passa a concentrar esforços “para dentro do Brasil”, buscando atrair cargas e formalizar parcerias com os principais polos produtores do país.
“A gente precisa fazer alianças e já estamos trabalhando com Minas, Goiás, Mato Grosso, porque é no interior do Brasil, onde as coisas estão acontecendo de fato.”
O secretário afirmou também que o Espírito Santo dispõe de estrutura portuária, rodoviária e ferroviária que pode torná-lo “o ponto oficial” de escoamento para esses estados. “Por que o Espírito Santo, que tem toda essa capacidade, tem toda essa estrutura, não passa ser o ponto oficial dos três estados além de São Paulo? É nisso que estamos trabalhando, olhar para o interior do Brasil e falar: ‘bom, chegou a nossa hora de conectar o mar até o Mato Grosso’.”
Portos, investimentos e competitividade
No evento, executivos e representantes de terminais e operadores portuários discutiram a expansão da capacidade no Estado. Entre os presentes estavam empresários e representantes de empresas como Portocel, Imetame, Porto Central, Vports e Log-In. Os debates abordaram atração de investimentos privados, ampliação de terminais, integração modal e medidas para aumentar a competitividade logística do porto capixaba.
Fontes presentes ao fórum destacaram que a meta central é captar cargas contêinerizadas e de granel oriundas de áreas do interior, reduzindo distância e tempo de escoamento em relação a rotas alternativas. A aproximação com estados produtores pretende também otimizar o uso de ferrovias e rodovias já existentes.
Impacto para o agronegócio capixaba e das regiões parceiras
Se consolidada, a estratégia deve beneficiar o agronegócio do Espírito Santo — historicamente ligado a produtos como café, fruticultura e outras cadeias — ao fortalecer a conectividade com grandes polos de produção do Centro-Oeste e Sudeste. Para os estados parceiros, a alternativa representa mais opções de saída para mercados internacionais.
- Objetivo: captar cargas do interior e consolidar o ES como corredor logístico.
- Parceiros prioritários: Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
- Meios: atração de investimentos privados em terminais e integração entre portos, ferrovias e rodovias.
| Estado | Motivo da parceria |
|---|---|
| Minas Gerais | Grande produção agrícola e infraestrutura logística em expansão |
| Goiás | Região produtora em crescimento e conexão ferroviária |
| Mato Grosso | Principal polo de granéis e forte fluxo de cargas |
Representantes do setor privado no Fórum ressaltaram a necessidade de regras claras e de investimentos contínuos para ampliar capacidade de operação sem comprometer a eficiência, além de medidas que reduzam custos logísticos e burocráticos.
Desafios e próximos passos
Embora a proposta seja ambiciosa, a sua implementação dependerá de acordos intergovernamentais, investimentos em infraestrutura e coordenação entre operadores portuários e agentes do transporte. O fortalecimento de corredores ferroviários e a construção ou ampliação de terminais privados aparecem entre as ações necessárias para viabilizar o aumento do fluxo de mercadorias.
Para comunidades do interior e municípios portuários, a expectativa é de geração de empregos e maior dinamismo econômico. Autoridades estaduais e empresários afirmaram que seguirão em negociações com os governos dos estados-alvo para formalizar parcerias e atrair investidores interessados na expansão de terminais e modais no Espírito Santo.
O Fórum consolidou um diagnóstico já presente no planejamento local: o capixaba busca aproveitar a posição geográfica e a rede portuária para ampliar sua participação nas exportações, apostando no estreitamento de laços com o interior do país como estratégia central.
Correspondência de Vitória.