Uma pesquisa do Instituto Atlas, divulgada pelo jornal Estado de S. Paulo, aponta que a percepção pública sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) mudou após o caso envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Segundo o levantamento, realizado entre 17 e 21 de setembro, 60,5% dos entrevistados consideram haver indícios suficientes para o impeachment imediato do ministro Dias Toffoli, enquanto 49,8% sustentam a mesma avaliação em relação ao ministro Alexandre de Moraes.
Resultados e divisão de opiniões
Além dos percentuais a favor do afastamento imediato, a pesquisa separa parcela da população que aceitaria a remoção dos ministros caso investigações posteriores confirmem irregularidades. Nesse grupo estão 31,9% no caso de Alexandre de Moraes e 26,1% no caso de Dias Toffoli. Os que se declaram contrários ao impeachment somam 15,1% em relação a Moraes e 6,5% em relação a Toffoli; os indecisos representam 3,2% e 6,8%, respectivamente.
"Não é normal 109 pedidos de impeachment de ministros do STF", disse o presidente do Senado, citado na cobertura do Estadão.
O levantamento foi divulgado em meio à repercussão de reportagens que descrevem mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Conforme apuração do Estado, diálogos extraídos pela Polícia Federal do celular do empresário mostram pedidos de auxílio e orientações a Moraes sobre investigações relacionadas ao banco Master. O relatório da PF citado pela reportagem também registra contratos envolvendo o escritório da mulher do ministro.
O que a pesquisa reflete
Os números traduzem a reação imediata da opinião pública a alegações de proximidade entre um magistrado do STF e um investigado no âmbito de apurações que envolvem interesses financeiros. A pesquisa diferencia interlocutores que já entendem haver base para afastamento imediato daqueles que preferem aguardar o resultado de investigações mais aprofundadas.
- Percepção imediata: 60,5% querem impeachment de Toffoli; 49,8% de Moraes.
- Condicional ao aprofundamento das apurações: 26,1% (Toffoli) e 31,9% (Moraes).
- Contrários ao impeachment: 6,5% (Toffoli) e 15,1% (Moraes).
Os dados demonstram ainda que parte da população confere maior gravidade às alegações envolvendo Toffoli, segundo o levantamento, enquanto outros eleitores preferem aguardar comprovação antes de apoiar uma medida extrema como o impeachment.
Contexto e desdobramentos institucionais
O escândalo do Banco Master ganhou atenção pública depois que relatórios da Polícia Federal, conforme reportagem do Estado, detalharam interações entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de contratos que teriam ligação com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes. As reportagens mencionam minuta de contrato de R$ 131 milhões e um segundo contrato de R$ 50 milhões, cuja forma de pagamento inclui transferência de cotas de aeronaves, segundo o documento da PF.
O ambiente político tende a se aquecer se a percepção de parcialidade ou de favorecimento entre agentes públicos e investigados se consolidar. Pedido de impeachment de ministros do STF tramita por vias institucionais específicas: a admissibilidade cabe à Câmara dos Deputados, e a apuração, caso admitida, envolve comissões e avaliações formais antes de eventual julgamento no Senado. A constituição de processos desse tipo normalmente repercute no relacionamento entre os poderes e na confiança da população nas instituições judiciais.
| Percentual | Alexandre de Moraes | Dias Toffoli |
|---|---|---|
| A favor imediato | 49,8% | 60,5% |
| A favor condicional (após investigações) | 31,9% | 26,1% |
| Contra impeachment | 15,1% | 6,5% |
O levantamento foi realizado logo após uma sessão tumultuada no plenário do STF em que foi discutida a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes, situação que também contribuiu para o aumento do escrutínio público sobre a Corte. A leitura dos dados sugere que, nas próximas semanas, a questão continuará dominando debates no Congresso e nos tribunais, especialmente se novas evidências ou desdobramentos das apurações policiais vierem à tona.
Os números apresentados pelo Atlas/Estadão representam o retrato da opinião pública no curto prazo e poderão oscilar com a evolução das investigações ou com posicionamentos oficiais das instituições envolvidas.