As urnas deste domingo consolidaram uma mudança clara no mapa político de Pernambuco para a próxima legislatura: entre os 25 deputados federais que representam o estado na Câmara, 13 (52%) foram mantidos e 12 (48%) serão substituídos. Do total renovado, há o retorno de dois ex-deputados e a entrada de dez estreantes, reflexo de um eleitorado que optou por mesclar experiência e renovação.
Distribuição ideológica e impacto
Com o resultado, a bancada pernambucana apresenta uma composição heterogênea. Segundo a apuração, até o fim de 2026 a representação estadual em Brasília ficará assim distribuída: sete deputados de centro-esquerda, sete bolsonaristas (embora o pleito aponte perda de duas cadeiras desse segmento, reduzindo-o a seis) e 11 parlamentares que se situam entre a centro-direita e o chamado “centrão” — grupo de direita pragmática frequentemente sensível a arranjos e benefícios.
O resultado indica manutenção de espaço para a centro-esquerda estadual, queda na força dos bolsonaristas e ampliação do poder do grupo de centro-direita/centrão. Essa recomposição terá efeitos diretos nas pautas que sairão da bancada pernambucana, sobretudo em votações de interesse estadual como verbas para obras, programas sociais e nomeações indicativas.
Avanço do PT e da federação Brasil da Esperança
As maiores novidades vieram da federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). O grupo saltou de três para quatro vagas e alcançou 717 mil votos no estado, consolidando-se como força consistente em Pernambuco.
| Federação / Partido | Votos (PE) | Vagas |
|---|---|---|
| Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) | 717.000 | 4 |
Dentre os eleitos pela federação estão a vereadora do Recife Liana Cirne (PT), com cerca de 85 mil votos, e a deputada estadual Rosa Amorim (PT), com 144,1 mil votos — esta última a mais votada da federação e um nome jovem no cenário federal.
- Liana Cirne (PT) — ±85.000 votos
- Rosa Amorim (PT) — 144,1 mil votos
- Jones Manoel — 249 mil votos, o segundo mais votado de Pernambuco
Outros dados e nomes relevantes
O historiador e comunicador Jones Manoel, de 36 anos, obteve apoio expressivo: 249 mil votos, tornando-se o segundo nome mais votado do estado. Entre os que perderam ou ficaram como suplentes, destaca-se o ex-deputado Renildo Calheiros (PCdoB), que teve 74,3 mil votos e aparece como primeiro suplente.
Também figuram como suplentes confirmados a vereadora recifense Kari Santos (PT) — com 54,2 mil votos — e o ex-deputado federal Fernando Ferro (PT), com 22,7 mil votos. Esses números sinalizam uma base de militância crescente para a federação no estado.
Renovação e perfil dos eleitos
Do ponto de vista da renovação, Pernambuco está ligeiramente acima da média nacional: 40% das vagas foram ocupadas por candidatos sem mandato federal anterior (10 estreantes entre 25 cadeiras). A alternância entre nomes da velha política e novos rostos deverá redesenhar as prioridades locais no Congresso, com debate acirrado entre pautas sociais, demandas por investimentos e postura em relação ao governo federal.
Para o eleitor pernambucano — que compareceu em massa às urnas, somando cerca de 5,9 milhões de votantes — a eleição traduziu preferências por equilíbrio entre experiência e renovação, ao mesmo tempo em que demonstrou desgaste de candidaturas associadas ao bolsonarismo mais explícito.
O que muda em Brasília
Com uma bancada mais fragmentada ideologicamente, Pernambuco verá negociações mais frequentes e possivelmente maior atuação do centrão para formar maiorias em votações estratégicas. A ampliação do PT e da federação também significará vozes mais alinhadas às políticas do governo federal em temas como assistência social e programas de transferência de renda.
Resta acompanhar a formalização das bancadas e eventuais migrações partidárias no início da legislatura, quando alianças locais e interesses por emendas e cargos poderão alterar o equilíbrio inicial observado nas urnas.
O resultado em Pernambuco é, portanto, um retrato das transformações políticas em curso no Brasil: avanço da organização de esquerda em parte do eleitorado, perda de espaço de segmentos bolsonaristas e a consolidação do centrão como ator decisivo para a formação de maiorias em Brasília.