Governadora responsabiliza decisão municipal por crescimento das "bets" em Recife
Durante encontro com integrantes da Associação de Empresas de Tecnologia de Pernambuco (Aponti), realizado no Recife, a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) voltou a criticar a expansão das casas de apostas on‑line na capital e relacionou o avanço do setor a uma redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) promovida pela Prefeitura.
Em suas declarações, Raquel afirmou que a difusão das bets é fruto de opções políticas: “É tudo decisão política. O Recife decidiu ser a capital das bets”, disse. A fala ocorreu em meio a uma ofensiva pública da governadora contra o segmento, intensificada nos últimos dias após publicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os impactos das apostas.
"Eu sou contra as bets e sempre fui. Não aceito nenhum tipo de patrocínio do governo do Estado referente às bets"
A governadora declarou posicionamento contrário à atividade e frisou que o Estado não aceitará patrocínios do segmento. Em sua avaliação, as casas de apostas geram efeitos negativos em duas frentes principais: saúde pública e segurança. Ela citou casos de endividamento e alertou para o risco de utilização das plataformas para lavagem de dinheiro.
Impactos apontados e repercussão política
Segundo Raquel Lyra, os prejuízos sociais passam pela adoção de atitudes de consumo compulsivo e pela retirada de recursos essenciais das famílias. “Muita gente está adoecendo por causa disso, está se endividando e deixando de colocar comida na mesa”, afirmou ao público presente na atividade promovida pela Aponti.
A crítica à redução do ISS implica diretamente na gestão municipal anterior, liderada pelo ex-prefeito João Campos (PSB), apontado pela governadora como responsável por medidas que teriam facilitado a instalação e expansão das empresas do setor no Recife. Nas declarações recentes, Raquel tem utilizado mensagens do presidente da República para reforçar seu argumento de que a capital pernambucana se transformou num polo das apostas.
- Posição do governo do Estado: contrária às apostas, rejeição a patrocínios do setor, preocupação com saúde e segurança pública.
- Alegação sobre política tributária municipal: redução do ISS teria estimulado o crescimento das casas de apostas em Recife.
- Repercussão política: críticas no contexto de campanha e com foco em gestão anterior da Prefeitura.
Contexto local e consequências
O posicionamento da chefe do Executivo estadual coloca em destaque um debate que envolve finanças públicas, regulação econômica e proteção social. A redução do ISS é um instrumento municipal que pode influenciar a localização de empresas e investimentos; contudo, a associação direta entre incentivos fiscais e problemas sociais exige apuração e dados para medir efeitos concretos no mercado de trabalho local, na arrecadação e nos indicadores de saúde.
Para moradores do Recife, a discussão extrapola o campo técnico e toca em preocupações cotidianas: acesso a serviços públicos, vulnerabilidade econômica de famílias e segurança. Caso as alegações da governadora avancem para propostas de regulação estadual ou cooperação intergovernamental, haverá necessidade de diálogo com a Prefeitura, com operadores do setor e com órgãos de saúde e segurança para construir medidas que equilibrem arrecadação, desenvolvimento econômico e proteção social.
| Ator | Posicionamento |
|---|---|
| Governadora Raquel Lyra (PSD) | Contrária às apostas; responsabiliza redução do ISS por expansão; rejeita patrocínios |
| Prefeitura do Recife (gestão anterior) | Redução do ISS aplicada durante a gestão de João Campos (PSB) — citada pela governadora como causa do crescimento do setor |
Até o momento da publicação, a reportagem não teve acesso a nota oficial da Prefeitura do Recife reagindo às declarações mais recentes da governadora. A polêmica pode ganhar novas etapas nas próximas semanas, na medida em que o tema se insere no debate público e na agenda de campanhas eleitorais.
O episódio reflete, ainda, a complexidade da relação entre políticas fiscais locais e impactos socioeconômicos. No Recife, cidade com forte presença de empresas de tecnologia e economia criativa, o desafio será conciliar atração de investimentos com proteção social e vigilância sobre possíveis danos decorrentes do crescimento de atividades vulneráveis à regulação e ao crime financeiro.
Reportagem acompanhou o evento promovido pela Aponti no Recife e ouviu as declarações da governadora durante o bate‑papo com empresários do setor tecnológico.