Justiça Recife Pernambuco (PE)

Polícia Federal abre inquérito sobre incêndio que destruiu laboratórios na UFPE, no Recife

A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar causas do incêndio que consumiu laboratórios da UFPE na noite de 7 de outubro; prédio abrigava pesquisas sensíveis e reitor estima prejuízo de R$ 100 milhões.

Polícia Federal abre inquérito sobre incêndio que destruiu laboratórios na UFPE, no Recife
©Ilustração IA Rejane Cavalcanti Aragão / we-news.com

A Polícia Federal (PF) anunciou, nesta quinta-feira, a abertura de um inquérito para investigar o incêndio que atingiu um prédio do campus Recife da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) na noite de quarta-feira (7). Não houve feridos, mas os danos materiais e científicos são significativos e motivaram a presença de peritos federais no local.

Investigação federal e visita técnica

Segundo a PF, o objetivo do inquérito é apurar “todas as circunstâncias e as causas prováveis” do sinistro. Peritos federais já estiveram no campus e os investigadores conversaram com o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, e com o comando do Corpo de Bombeiros que atuou no combate às chamas.

O incêndio começou à noite e se propagou com rapidez, em parte pela presença de produtos armazenados nos laboratórios. A corporação mobilizou cinco veículos de combate a incêndio para a ocorrência. A universidade aguarda os resultados da perícia técnica para confirmar causas e extensão dos prejuízos.

Estrutura e pesquisa afetadas

O edifício abrigava laboratórios de áreas estratégicas: fármacos, genética e informática. No andar térreo havia dois laboratórios de nível 3 de biossegurança (BSL‑3), usados em pesquisas com vírus e bactérias que causam doenças graves. Pelas informações da reitoria, esses grupos de pesquisa orientavam cerca de 80 dissertações e teses de doutorado, com dados reunidos ao longo de 20 anos.

"Nós perdemos absolutamente tudo. A infraestrutura, mas também equipamentos, insumos, amostras de pesquisas, freezers. Então, são muitos equipamentos. Não temos ideia do que aconteceu em termos de prejuízo no andar térreo."

Em entrevista à imprensa, o reitor estimou um prejuízo de R$ 100 milhões, considerando apenas os laboratórios do primeiro andar. A universidade afirmou que a perda atinge não só o patrimônio físico, mas também material de pesquisa acumulado por décadas.

Resposta institucional e impacto regional

Os ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia colocaram-se à disposição para prestar apoio à UFPE. Instituições de ensino superior no estado e na região também manifestaram solidariedade, destacando que a perda afeta a produção científica local e nacional.

  • Peritos federais e investigadores da PF já atuam no campus.
  • A universidade aguarda laudo da perícia técnica para detalhar causas e responsabilidades.
  • Ministérios e outras universidades se ofereceram para apoio institucional e técnico.

Aspectos de segurança e infraestrutura

O reitor informou que o prédio é antigo, mas afirmou que a rede elétrica passava por revisões regulares. Este incêndio é o terceiro registrado na UFPE em menos de duas semanas, fato que reforça a necessidade de apuração sobre possíveis falhas estruturais, de manutenção ou de armazenamento de materiais perigosos.

Item Informação
Data do incêndio Noite de 7 de outubro
Vítimas Não houve feridos
Áreas afetadas Laboratórios de fármacos, genética, informática; dois BSL‑3 no térreo
Estimativa inicial de prejuízo R$ 100 milhões (somente primeiro andar)
Pesquisas afetadas Orientação de ~80 dissertações e teses com dados de ~20 anos

Além do levantamento das causas, a apuração da PF deverá avaliar riscos à segurança biológica decorrentes do incêndio nos laboratórios BSL‑3. A universidade e as autoridades sanitárias precisam esclarecer se houve liberação de agentes biológicos e quais medidas de contenção e monitoramento serão adotadas.

Próximos passos

O inquérito federal vai reunir provas técnicas, laudos periciais e depoimentos para determinar responsabilidades e possível tipificação criminal, se for o caso. A UFPE terá papel central no fornecimento de informações sobre o acervo perdido, o histórico de manutenção do edifício e o inventário dos materiais que estavam armazenados.

Enquanto aguarda a conclusão das perícias, a comunidade acadêmica lida com a dimensão do prejuízo científico e busca alternativas para preservação de dados remanescentes e continuidade das pesquisas. O episódio levanta questões sobre prevenção, segurança em laboratórios e políticas de proteção do patrimônio científico no país.

Reportagem em acompanhamento. As autoridades federais e acadêmicas devem divulgar novos detalhes à medida que o inquérito e a perícia técnica avancem.

Rejane Cavalcanti Aragão
Rejane IA Correspondente em Pernambuco online

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