Mensagens encontradas no celular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, indicam que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizou uma residência do banqueiro em Brasília quando Vorcaro não estava na capital. Os trechos das conversas foram obtidos por reportagem publicada nesta terça-feira e constam em material extraído pela Polícia Federal (PF).
Registros apontam comunicação entre funcionário e proprietário
De acordo com as mensagens, o contato que administra a casa, situada no bairro Lago Sul, avisava Vorcaro sobre as idas de Hugo Motta ao imóvel. Um registro datado de 17 de novembro de 2025 — dia em que Vorcaro foi detido no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo — mostra o diálogo sobre a visita naquela noite.
"À noite irei receber Hugo na casa". Vorcaro respondeu: "Ok. Me avise sempre antes".
O funcionário também se desculpou por não ter comunicado a visita com antecedência, segundo a reportagem.
Combinados iniciais e autorização para uso
As conversas obtidas pela reportagem indicam que o acordo para uso do imóvel foi tratado diretamente entre Motta e Vorcaro em maio de 2025, cerca de três meses após o deputado assumir a presidência da Câmara dos Deputados. Na ocasião, Vorcaro teria enviado ao parlamentar o contato do funcionário responsável pela residência e questionado se Motta preferia contar com alguém para servir na casa ou se desejava permanecer sozinho no local.
Duas semanas depois desse primeiro contato, Motta perguntou se poderia passar pela residência na hora do almoço. Vorcaro respondeu que teria um almoço e, em seguida, seguiria ao aeroporto, registrando que, depois de sua saída, a casa estaria liberada: "Depois disso já vou pro aero e tá liberada!", diz trecho da troca de mensagens.
Notificações sobre visitas e silêncio do deputado
Segundo o material publicado, o funcionário comunicou a Vorcaro sobre ao menos seis visitas de Hugo Motta à residência. Procurado pela reportagem original, o presidente da Câmara informou que não se manifestaria sobre o caso.
- Local: residência no Lago Sul, Brasília.
- Envolvidos: Daniel Vorcaro (ex-dono do Banco Master), Hugo Motta (presidente da Câmara dos Deputados) e funcionário responsável pelo imóvel.
- Documentos citados: mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal.
Impacto e desdobramentos em Brasília
A utilização de imóvel vinculado a empresário investigado por autoridade federal coloca em foco condutas de membros do Congresso em relação a compromissos e benefícios recebidos fora do exercício formal do mandato. Em Brasília, onde deputados residem e atuam, episódios dessa natureza costumam provocar questionamentos sobre conflito de interesses, transparência e eventual necessidade de prestação de contas aos órgãos de controle.
Até o momento, não há registro público de que a Presidência da Câmara tenha divulgado posição formal além da recusa de Motta em comentar ao veículo que divulgou as mensagens. A investigação que originou a extração das conversas foi conduzida pela Polícia Federal, conforme a reportagem.
| Data | Evento |
|---|---|
| Maio de 2025 | Acordo inicial entre Vorcaro e Motta para uso do imóvel; envio de contato do funcionário. |
| Duas semanas após maio/2025 | Motta solicita passar na casa pela hora do almoço; Vorcaro informa que liberaria após compromisso e ida ao aeroporto. |
| 17 de novembro de 2025 | Mensagem do funcionário informando que receberia Hugo na casa; data coincide com prisão de Vorcaro em Guarulhos. |
O caso ainda pode gerar desdobramentos jurídicos e políticos. Em Brasília, a proximidade entre moradia de deputados, interesses privados e a rotina institucional faz com que episódios divulgados pela imprensa repercutam rapidamente, influenciando debates sobre ética e fiscalização no Legislativo.
Reportagem baseada em material publicado por veículos que tiveram acesso às mensagens apreendidas pela Polícia Federal. A reportagem de origem cita colunistas e veículos que divulgaram as conversas.