Celina Leão (PP) foi reeleita governadora do Distrito Federal ao obter 57,18% dos votos válidos no segundo turno, segundo apuração totalizada das seções eleitorais. Seu adversário, Leandro Grass (PT), alcançou 42,82%.
Resultado e percurso até a reeleição
A confirmação da vitória reprova o placar do primeiro turno, quando Celina ficou a apenas 168 votos de vencer em primeiro turno. Eleita inicialmente como vice-governadora na chapa de Ibaneis Rocha (MDB) em 2022, ela assumiu o governo em março deste ano, após afastamento de Ibaneis para disputar o Senado — candidatura que não se concretizou.
Natural de Goiânia, Celina é bacharel em Direito e tem longa trajetória na política local. Em 2010 foi eleita deputada distrital e cumpriu dois mandatos na Câmara Legislativa, chegando a exercer a presidência da casa. Em 2018, migrou para a Câmara dos Deputados, ocupando mandato federal antes de retornar ao Executivo do DF.
Perfil político e articulações
A carreira da agora reeleita é marcada por transições entre diferentes alinhamentos políticos. Conforme a trajetória relatada, ela iniciou sua atuação vinculada ao grupo Roriz, passou pela base do ex-governador Agnelo Queiroz (PT) e posteriormente adotou posição de oposição. Movimento semelhante ocorreu em relação ao ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Durante as eleições, houve também dissociação pública em relação à gestão de Ibaneis Rocha.
No segundo turno, o apoio do PSD ao seu nome foi influenciado pelo indeferimento do registro de candidatura do ex-governador José Roberto Arruda (PSD), com base na Lei da Ficha Limpa. Com Arruda fora do pleito, o PSD declarou apoio a Celina, o que contribuiu para a conformação de alianças.
Composição da Câmara Legislativa e impactos na governabilidade
A vitória da governadora acontece em um cenário legislativo favorável. Dos 24 deputados distritais, 17 pertencem a bancadas de centro, direita e extrema-direita. A maior bancada é do PL, com cinco parlamentares; partido ligado a Flávio Bolsonaro, que recebeu apoio público de Celina durante a campanha.
Esse arranjo indica que a gestora terá à sua disposição uma base legislativa mais alinhada ao Executivo, o que deverá facilitar a tramitação de projetos de governo, nomeações e ajustes orçamentários. Ao mesmo tempo, a concentração de parlamentares de orientação parecida pode intensificar debates sobre prioridades orçamentárias e políticas públicas.
| Candidato | Partido | Percentual dos votos válidos |
|---|---|---|
| Celina Leão | PP | 57,18% |
| Leandro Grass | PT | 42,82% |
Oponente e histórico da disputa
Leandro Grass, que deixou a presidência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para concorrer, nasceu em Brasília e foi eleito deputado distrital em 2018. Esta foi sua segunda campanha ao governo do Distrito Federal; em 2022, quando filiado ao Partido Verde, também ficou em segundo lugar.
A eleição no DF contou com dez candidaturas registradas. A retirada do ex-governador Arruda do pleito e a posterior declaração de apoio do PSD a Celina alteraram o quadro competitivo no segundo turno e reforçaram a estratégia vencedora da coligação de centro-direita que apoiou a governadora.
Consequências práticas para a população
Para os moradores do Distrito Federal, a reeleição de Celina significa continuidade administrativa a partir de 2027, com possibilidade de manutenção ou aceleração de projetos iniciados no primeiro mandato. Áreas como segurança, saúde, educação e transportes poderão seguir com agendas definidas pela mesma liderança política, agora com maior estabilidade para negociar propostas na Câmara Legislativa.
- Governabilidade: maioria legislativa tende a facilitar aprovação de medidas do Executivo.
- Administração: expectativa de continuidade das equipes e programas já em curso.
- Fiscal: facilidade maior para aprovar ajustes orçamentários, dependendo da articulação entre Executivo e deputados.
A posse do próximo mandato está prevista para 6 de janeiro de 2027, quando a governadora reeleita iniciará oficialmente o período de quatro anos. Até lá, caberá à administração consolidar pactos políticos e apresentar agendas concretas aos moradores do Distrito Federal.
Reportagem com informações de agências e apuração local.