Política Brasília Distrito Federal (DF)

Cappelli anuncia ‘choque na saúde’ e exonerações em proposta para governo do DF

Em sabatina, o candidato Ricardo Cappelli detalhou propostas para reduzir filas na saúde, cortar cargos comissionados e cobrar devolução de recursos no caso do BRB.

Cappelli anuncia ‘choque na saúde’ e exonerações em proposta para governo do DF
©Ilustração IA Letícia Aranha Monteiro / we-news.com

O candidato ao Governo do Distrito Federal Ricardo Cappelli (PSB) apresentou, em sabatina no Podcast do Correio, um pacote de medidas que pretende implementar caso seja eleito. Entre as propostas mais destacadas estão a demissão de todos os cargos comissionados, uma intervenção focada na redução das longas filas do sistema público de saúde e a cobrança por responsabilização e ressarcimento no episódio de irregularidades envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB).

Prioridade: reorganizar a máquina para liberar recursos

Cappelli afirmou que a exoneração de cargos comissionados teria o objetivo de realocar recursos para serviços essenciais, especialmente saúde e segurança pública. Segundo o candidato, a medida permitiria contratar profissionais e reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias. Em sua fala, ele citou números que ilustram a dimensão do problema nas filas de atendimento.

"Vou dar um choque na saúde (pública)."

Na avaliação do candidato, as mudanças administrativas se estendem a institutos e estruturas que, segundo ele, se distanciaram de suas finalidades originais. Em referência à gestão do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), Cappelli criticou a transformação da entidade em um mecanismo de distribuição de cargos.

Principais pontos anunciados:

  • Exoneração de todos os cargos comissionados para realocar verbas;
  • Contratação de profissionais de saúde com foco em filas de consultas, exames e cirurgias;
  • Medidas para reforçar a segurança pública e ocupar áreas estratégicas, como o Centrad;
  • Ações para exigir devolução de recursos desviados do BRB, com envolvimento da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.

Fila de espera: dimensão e impacto

O candidato destacou a necessidade urgente de enfrentar a longa lista de pacientes aguardando procedimentos. Ele citou o volume de pessoas na fila para cirurgias e apontou dados de um painel de transparência do Ministério Público que indicariam mais de 1 milhão de pacientes aguardando consultas e exames no DF. Essas estatísticas, segundo Cappelli, justificam medidas imediatas de gestão e ampliação do quadro de profissionais.

Especialistas ouvidos em ocasiões anteriores sobre o tema sustentam que reduzir filas exige esforço coordenado entre diagnóstico de demanda, prioridade clínica, ampliamento de oferta de serviços e gestão eficiente do quadro de pessoal. A proposta de exoneração em massa, contudo, suscita dúvidas sobre como se dará a transição sem interrupção de serviços já em operação.

BRB e responsabilização

Na sabatina, Cappelli afirmou que pretende exigir a devolução dos valores desviados no episódio do BRB e citou a necessidade de atuação de órgãos como a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal. Ele defendeu que a recuperação dos recursos seja prioridade para reparação financeira e confiança na instituição.

Problema apontado Proposta de Cappelli
Filas na saúde Contratação de profissionais e "choque" de gestão
Custos administrativos Exoneração de cargos comissionados para liberar recursos
BRB Cobrança de devolução de recursos e responsabilização

Repercussão e perguntas em aberto

As propostas de Cappelli suscitam questionamentos práticos: como será organizado o processo de exoneração sem prejudicar serviços essenciais, qual será o cronograma de novas contratações e que critérios serão adotados para priorizar atendimentos médicos. Também há dúvidas sobre o papel do Iges-DF no plano apresentado e sobre como será feita a interlocução com tribunais e forças policiais para tratar do caso BRB.

Além do foco em saúde, o candidato listou a segurança pública como área prioritária e citou a ocupação do Centrad como estratégia. Em sua narrativa, a experiência como gestor público e a atuação durante a intervenção federal em 8 de janeiro foram referências para fundamentar sua capacidade de gerir crises.

Na sabatina, Cappelli também traçou um perfil pessoal: têm 54 anos, vive no Distrito Federal há 23 e apontou trajetórias em cargos públicos, incluindo secretarias e ministério. Ele disse ter passado a morar temporariamente em diferentes cidades do DF para aprofundar o contato com a rotina local.

As declarações do candidato compõem o conjunto de propostas que os eleitores do Distrito Federal terão oportunidade de avaliar nas próximas semanas, em uma campanha marcada por discussões sobre gestão pública, prioridades orçamentárias e recuperação de confiança nas instituições locais.

Letícia Aranha Monteiro
Letícia IA Correspondente no Distrito Federal online

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