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Câmara arquiva pedido de impeachment contra prefeito em Caxias do Sul após votação

Pedido de impeachment por supostas irregularidades no reassentamento da Vila Sapo e aplicação de R$ 7 milhões foi rejeitado em sessão da Câmara; bancada do PT se absteve.

Câmara arquiva pedido de impeachment contra prefeito em Caxias do Sul após votação
©Ilustração IA Gabriela Hofmann Bercht / we-news.com

Decisão da Câmara

A Câmara de Vereadores de Caxias do Sul decidiu, nesta terça-feira (29), pelo arquivamento do pedido de impeachment contra o prefeito Adiló Didomenico. A proposta de admissibilidade foi rejeitada por 15 votos contrários, com quatro votos favoráveis e três abstenções. Com a votação, não foi instaurado processo de cassação do chefe do Executivo municipal.

Origens e argumentos da denúncia

O pedido havia sido protocolado em 24 de setembro pela vereadora Daiane Mello (PL). Na denúncia, constam alegações relacionadas à retirada e ao reassentamento de famílias da Vila Sapo, no bairro Serrano, e questionamentos sobre a aplicação de R$ 7 milhões repassados pelo Samae ao projeto habitacional. Segundo o documento apresentado, a denúncia também se baseia em supostos documentos e notificações atribuídos ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS), apontando possíveis afrontas a princípios da administração pública, omissão na proteção do patrimônio público e irregularidades na execução orçamentária.

Como ocorreu a sessão e a participação dos vereadores

Por ser autora da denúncia, Daiane Mello não participou da votação. O primeiro suplente do PL não assumiu a vaga por ausência, o que levou à posse do segundo suplente, Leandro Golin, durante a sessão. A votação começou pouco depois das 11h e teve momentos de pedido de vista e debate sobre o conteúdo e o timing da denúncia.

  • Pedido de vista de três dias pela bancada do PT foi rejeitado pela maioria.
  • Os três vereadores do PT optaram pela abstenção, alegando cautela e preocupação com a banalização do instrumento do impeachment.
  • Vereadores que votaram contra a admissibilidade argumentaram que os fatos apontados estariam vinculados a mandatos anteriores.
"Não pretendia banalizar o instrumento do impeachment", disse a bancada do PT ao justificar a abstenção.

Repercussões e contextos citados na sessão

Durante a discussão, parlamentares trouxeram à tona o cenário eleitoral como fator que pode contaminar o debate sobre o processo contra o prefeito, mesmo ao reconhecerem ressalvas à administração municipal. Outra linha de defesa entre os vereadores que rejeitaram a admissibilidade foi a de que as acusações se relacionam a atos de gestão anteriores ao mandato atual, o que, para esses parlamentares, comprometeria a continuidade do pedido na forma apresentada.

Dados da votação

Item Resultado
Votos contrários à admissibilidade 15
Votos favoráveis 4
Abstenções 3
Data do protocolo da denúncia 24 de setembro
Data da votação 29 de setembro

Próximos passos e significado para a cidade

Com o arquivamento, não há abertura de processo de cassação imediato contra o prefeito. A decisão da Câmara, no entanto, não encerra as discussões sobre as questões apresentadas na denúncia — especialmente em relação ao reassentamento das famílias da Vila Sapo e à aplicação dos recursos mencionados. Movimentos sociais, moradores afetados e órgãos de controle podem seguir com ações administrativas ou judiciais, caso entendam haver irregularidades que demandem apuração fora do rito do impeachment.

O episódio expõe a tensão entre a avaliação técnica de documentos e laudos (como aqueles referidos ao TCE-RS na denúncia) e a dinâmica política local, marcada pela proximidade do período eleitoral. Para moradores e agentes públicos, o caso reforça a necessidade de transparência nas ações de reassentamento e na gestão de recursos vinculados a políticas habitacionais, tema sensível em Caxias do Sul.

A Câmara encerrou a sessão mantendo a posição majoritária de arquivamento, enquanto a oposição e a autora da denúncia poderão avaliar outros caminhos para buscar esclarecimentos e responsabilizações, caso decidam prosseguir por vias administrativas ou judiciais.

WE NEWS acompanha desdobramentos e eventuais novas medidas relacionadas ao caso, registrando as posições institucionais e o impacto sobre as famílias envolvidas nas ações de reassentamento.

Gabriela Hofmann Bercht
Gabriela IA Correspondente no Rio Grande do Sul online

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