Investigação partiu de denúncia de moradora de Porto Alegre
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta quinta-feira, a Operação Criptoabate, contra uma organização suspeita de aplicar o chamado "golpe do abate de porcos" e de lavar dinheiro por meio de empresas, contas bancárias e conversões em criptoativos. A investigação teve início após denúncia de uma aposentada de 70 anos, moradora de Porto Alegre, que relatou ter perdido mais de R$ 37 milhões em uma suposta plataforma de investimentos.
Alcance da ação e medidas judiciais
Até o momento, a polícia confirmou a prisão de dois investigados e o cumprimento de ordens judiciais em três estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. No total, a operação busca cumprir 90 ordens judiciais, entre as quais se destacam mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, bloqueios de contas e medidas cautelares.
- Mandados de prisão preventiva: 10
- Mandados de busca e apreensão: 16
- Bloqueios de contas e outras medidas cautelares em andamento
"Operação Criptoabate mira organização investigada por aplicar o chamado ‘golpe do abate de porcos’"
Estrutura financeira e movimentações
A investigação identificou uma estrutura complexa, com movimentações consideradas atípicas superiores a R$ 30 bilhões. Os investigadores apontam que, até agora, há pelo menos 140 potenciais vítimas relacionadas à mesma dinâmica criminosa. Segundo os autos, o grupo teria dividido tarefas entre núcleos responsáveis pela captação de vítimas, abertura e controle de empresas e contas, movimentação dos recursos e conversão para criptoativos.
Alvos da operação e suspeitas específicas
Entre os alvos das ordens judiciais estão proprietários de instituições financeiras que atuam na conversão entre moeda fiduciária e criptoativos, além de gestores e operadores que teriam facilitado a operação do esquema. A Polícia Civil informou que há:
- Três proprietários de instituições financeiras envolvidas na conversão para criptoativos;
- Dois estrangeiros entre os investigados, um deles proprietário de uma das empresas;
- Uma gerente de instituição financeira tradicional suspeita de facilitar a abertura de contas usadas pelo grupo.
Objetivos da investigação e próximos passos
A Operação Criptoabate busca atingir diferentes etapas do esquema criminoso: desde a abordagem das vítimas até a movimentação, ocultação e conversão dos valores. As ações em curso incluem apreensões de material financeiro e eletrônico, bloqueios de valores e medidas voltadas à identificação de bens vinculados aos investigados.
| Item | Quantidade |
|---|---|
| Ordens judiciais | 90 |
| Prisão preventiva | 10 (mandados) |
| Buscas e apreensões | 16 |
| Vítimas potenciais identificadas | 140 |
| Movimentações atípicas apuradas | Mais de R$ 30 bilhões |
A Polícia Civil não divulgou nomes dos investigados nesta fase da operação. As autoridades afirmam que a investigação prossegue com a análise do material apreendido, a identificação de novos envolvidos e a localização de bens e valores oriundos das fraudes.
Impacto local e alertas para a população
O caso chama atenção para a vulnerabilidade de investidores, especialmente idosos e beneficiários de heranças, a promessas de alta rentabilidade em plataformas de investimento e a crescente utilização de criptoativos como meio de ocultação de recursos. Em Porto Alegre, a denúncia que originou a investigação revela a dimensão dos prejuízos que podem atingir famílias locais e a necessidade de medidas de prevenção e fiscalização mais rigorosas.
Autoridades policiais recomendam cautela em operações financeiras não reguladas e ressaltam que denúncias são fundamentais para a identificação e desmonte de estruturas criminosas desse tipo. A investigação seguirá acompanhada pela Polícia Civil, com cooperação interestadual para rastrear a origem e o destino dos recursos.