O Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP-RS) realizou, na terça-feira (20/10), a reunião inicial da equipe responsável pela implantação da Central de Integração e Gestão de Informações sobre Desaparecidos (CIGID). O encontro aconteceu no auditório do Departamento Médico-Legal (DML), em Porto Alegre, e reuniu servidoras designadas para compor o novo núcleo.
Objetivo e escopo da central
A CIGID foi instituída por portaria publicada no Diário Oficial do Estado em 13 de outubro de 2026 e tem por finalidade organizar e gerir informações periciais relacionadas a quatro situações: pessoas desaparecidas, pessoas vivas de identidade desconhecida, pessoas falecidas não identificadas e pessoas falecidas identificadas e não reclamadas. O primeiro encontro serviu para definir a arquitetura do banco estadual de dados, distribuir atribuições entre as servidoras e estabelecer as etapas iniciais de implantação.
Integração institucional e alinhamento nacional
Segundo a documentação da instituição, a iniciativa está alinhada às diretrizes nacionais emitidas pela Portaria nº 004/2026 do Conselho Nacional dos Dirigentes de Polícia Científica (CONDPCI). A CIGID integra, ainda, ações da Rede PCI Conecta, cujo objetivo é robustecer a cooperação entre Polícias Científicas em todo o país. A medida busca reduzir a fragmentação de informações que hoje estão dispersas entre diferentes setores e unidades periciais.
Capacidades e resultados esperados
Os organizadores da reunião destacaram que a central pretende aprimorar a capacidade institucional de cruzamento de dados técnicos e forenses, acelerando os processos de identificação humana e oferecendo respostas mais rápidas às famílias de desaparecidos. A proposta prevê, entre outras ações:
- estruturação de um banco estadual padronizado de informações periciais;
- definição de responsabilidades e fluxos de trabalho entre unidades do IGP;
- primeiras etapas de implantação tecnológica e operacional.
Impacto para investigações e para famílias
A centralização de informações permite o cruzamento sistematizado de laudos, registros e dados biométricos que hoje podem estar em arquivos distintos. Na prática, isso deve reduzir o tempo de resposta em investigações que dependem da correlação de vestígios, exames e informações administrativas. Para as famílias, a expectativa é a de maior transparência e maior velocidade na busca por respostas sobre entes desaparecidos ou não reclamados.
Desafios operacionais
A criação de um banco estadual exige padronização de procedimentos, interoperabilidade entre sistemas e capacitação técnica dos servidores. Além disso, haverá necessidade de regulamentação interna para acesso, compartilhamento e proteção de dados sensíveis. Essas questões deverão constar nas próximas etapas de implantação, definidas no encontro inicial.
Próximos passos
Com a equipe formada e as responsabilidades distribuídas, a CIGID avançará para a implementação prática da estrutura de informação. O cronograma deve contemplar desenvolvimento de sistemas, protocolos de integração e capacitação dos profissionais envolvidos, além do alinhamento com as diretrizes do CONDPCI e com a Rede PCI Conecta.
Transparência e cooperação
O posicionamento público sobre a criação da central enfatiza a importância da cooperação entre as várias áreas técnicas do IGP e com outras instituições, para garantir que dados relevantes não permaneçam isolados. A consolidação dessa rede de informações é apresentada como um passo importante para aprimorar a resposta institucional diante de casos complexos envolvendo identidades desconhecidas e pessoas desaparecidas.
| Item | Descrição |
|---|---|
| Instituição responsável | Instituto-Geral de Perícias do RS (IGP-RS) |
| Local da reunião | Auditório do Departamento Médico-Legal (DML), Porto Alegre |
| Data da reunião | 20 de outubro de 2026 |
| Publicação da portaria | 13 de outubro de 2026 |
| Conselho nacional | Portaria CONDPCI nº 004/2026 |
A criação da CIGID representa um movimento institucional relevante no Rio Grande do Sul, com potencial para agilizar investigações forenses e fortalecer a prestação de contas às famílias afetadas por desaparecimentos. A implantação exigirá trabalho técnico contínuo e articulação entre diferentes atores para transformar a proposta em resultados concretos.
Gabriela Hofmann Bercht, Correspondente no Rio Grande do Sul (WE NEWS)