Adutora deslocada por deslizamento afetou abastecimento em bairros da Zona Norte
O Sistema Faxinal, que fornece água para mais de metade dos moradores de Caxias do Sul, responde por 57% do abastecimento do município, informou o Samae. A autarquia detalhou à Rádio Caxias as características das adutoras, as causas do rompimento ocorrido no início de outubro e os planos para diminuir a vulnerabilidade da rede.
Segundo o superintendente de Abastecimento de Água do Samae, Cassiano Zeni Vargas, a água captada no Faxinal é transportada por duas adutoras até a Estação de Tratamento de Água (ETA) Parque da Imprensa, no bairro Nossa Senhora de Lourdes. Cada adutora percorre cerca de 15 quilômetros. Uma tem 500 mm de diâmetro e é a mais antiga; a outra, de 700 mm, é a de maior porte.
"Diferentes intercorrências causam rompimentos nos canos, a mais comum delas devido aos transientes hidráulicos", explicou o superintendente.
No episódio de início de outubro, o rompimento ocorreu após escavações para implantação de um loteamento próximo ao Jardim das Hortênsias, que provocaram o deslizamento de um talude. A movimentação de terra, agravada pelo acúmulo de chuva, arrastou um trecho da adutora de 700 mm, causando falta de água em diversos bairros atendidos pelo Sistema Faxinal.
Outros sistemas complementam o abastecimento municipal
O Samae esclareceu que o abastecimento da cidade é formado por múltiplos sistemas, com participação distribuída conforme a infraestrutura existente. Além do Faxinal, os demais sistemas têm a seguinte participação:
| Sistema | Participação no abastecimento |
|---|---|
| Faxinal | 57% |
| Marrecas | 27% |
| Maestra | 14% |
| Dal Bó | 2% |
O presidente do Samae, Edson da Rosa, afirmou que existe uma divisão estratégica entre os sistemas e que há abundância de fontes para abastecimento, ressaltando a importância do planejamento para responder ao crescimento da cidade. O Sistema Marrecas, inaugurado em 2014, foi citado como um projeto pensado para suportar ampliação futura, com produção e participação no abastecimento a serem ampliadas gradualmente conforme a demanda.
Vulnerabilidades e intervenções planejadas
O superintendente detalhou que a adutora mais antiga, de 500 mm, tem sido a que gera mais transtornos à rede por causa da ocorrência de transientes hidráulicos — variações rápidas no movimento da água que podem provocar rompimentos. No entanto, no incidente recente, foi a adutora de maior porte que sofreu avarias por deslocamento mecânico causado pelo deslizamento.
- Trajeto das adutoras: ~15 km até a ETA Parque da Imprensa.
- Diâmetros: 500 mm (mais antiga) e 700 mm (maior porte).
- Impacto do evento de outubro: rompimento da adutora de 700 mm após deslizamento de talude.
Para reduzir a exposição a falhas graves, há projeto para construção de uma terceira adutora, segundo o Samae. A autarquia destacou ainda que grandes alterações no sistema de abastecimento demandam altos investimentos e são realizados de forma gradual ao longo dos anos. Como exemplo de realocação de redes, o órgão citou que diversos bairros da Zona Norte já tiveram o abastecimento transferido para o Sistema Marrecas.
O relato do Samae evidencia a complexidade da infraestrutura de água em Caxias do Sul e a dependência de estruturas antigas, que requerem manutenção preventiva, monitoramento geotécnico nas proximidades de obras e investimentos para aumentar redundância. Moradores afetados por interrupções temporárias seguem sujeitos às decisões operacionais e ao cronograma de obras da autarquia.
O Samae permanece como fonte das informações técnicas sobre o incidente e dos planos de ampliação; eventuais cronogramas específicos para obras e previsões de conclusão não constavam na prestação de informações fornecida à reportagem.