Agronegócio Paraná (PR)

Coamo amplia atuação no Paraná com arrendamento de quatro unidades para atender Norte e Campos Gerais

Cooperativa arrendou estruturas em Alvorada do Sul, Mauá da Serra, Teixeira Soares e Tibagi para ampliar atendimento a produtores do Norte, Norte Pioneiro e Campos Gerais; movimento ocorre em contexto de desafios de mão de obra qualificada no agro.

Coamo amplia atuação no Paraná com arrendamento de quatro unidades para atender Norte e Campos Gerais
©Ilustração IA Anderson Kaminski Nowak / we-news.com

A cooperativa agrícola Coamo formalizou o arrendamento de quatro unidades no estado do Paraná, localizadas em Alvorada do Sul, Mauá da Serra, Teixeira Soares e Tibagi. Segundo a entidade, a medida tem por objetivo ampliar o atendimento aos produtores das regiões do Norte, Norte Pioneiro e Campos Gerais, reforçando a presença da cooperativa em áreas estratégicas para a produção regional.

Objetivo operacional e impacto regional

O movimento de arrendamento integra a estratégia de ampliação de serviços e logística da Coamo no Paraná, com foco em reduzir distâncias operacionais entre associados e pontos de atendimento. A cooperativa afirma que a iniciativa busca proporcionar maior proximidade para comercialização, assistência técnica e distribuição de insumos, visando atender demandas locais e fortalecer cadeias produtivas já consolidadas nas regiões citadas.

Contexto nacional: oferta de trabalho e lacuna de competências

A expansão da Coamo ocorre em um momento em que o agronegócio brasileiro enfrenta não apenas crescimento de escala, mas também desafios relativos à formação e à disponibilidade de profissionais capazes de operar tecnologias avançadas. Esse diagnóstico está presente em estudos recentes sobre o setor e em análises de especialistas do segmento.

“O desafio é quantitativo e qualitativo ao mesmo tempo. O setor não tem problema de tecnologia. Tem problema de gente capaz de operá‑la, e isso já aparece como risco de negócio na boca dos próprios executivos”

A declaração é atribuída a Flávio Janones, diretor executivo de estratégias de crescimento e mercado da Universidade do Agro Uniube, presente no levantamento que discute a lacuna entre a rápida adoção de ferramentas digitais e a capacitação necessária para seu uso pleno.

Dados que mostram o descompasso

Relatórios e pesquisas setoriais apontam para um mercado de trabalho em expansão, porém com limitações no nível de especialização:

  • O agronegócio encerrou 2025 com 28,4 milhões de trabalhadores, o equivalente a 26,3% do mercado de trabalho brasileiro;
  • No primeiro trimestre de 2026, o contingente chegou a 28,5 milhões de pessoas;
  • O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio somou R$ 3,20 trilhões em 2025, com alta de 12,20% em relação ao período anterior.

Ao mesmo tempo, a difusão de tecnologias digitais no campo apresenta uso heterogêneo. Pesquisa da Embrapa sobre agricultura digital indica que cerca de 84% dos produtores já utilizam alguma solução digital, mas:

  • 56% ainda gerenciam a atividade com planilhas eletrônicas;
  • 16% utilizam sensores de campo;
  • 6% trabalham com sistemas automatizados ou robotizados.
Indicador Valor
Empregos no agronegócio (2025) 28,4 milhões
Empregos no agronegócio (1º tri 2026) 28,5 milhões
PIB do agronegócio (2025) R$ 3,20 trilhões (+12,20%)

Riscos e oportunidades

O tema da gestão de pessoas figura como uma das principais preocupações do setor. No estudo "Top 10 Riscos e Oportunidades no Agro em 2026", elaborado a partir da percepção de 52 executivos e lideranças, a gestão de pessoas aparece como o segundo principal risco, atrás apenas das mudanças climáticas. A avaliação reforça que a difusão de tecnologias não se traduz automaticamente em ganhos produtivos sem investimentos em capacitação.

Para cooperativas como a Coamo, a expansão física por meio de arrendamentos pode representar uma resposta operacional imediata à demanda por atendimento mais próximo. Mas o desafio estrutural, apontam analistas e pesquisadores, exige também ações coordenadas de formação técnica, programas de extensão rural e incentivos para adoção e operação adequada de equipamentos digitais e automatizados.

Impactos locais e próximos passos

No Paraná, a presença reforçada da Coamo nas quatro unidades arrendadas tende a facilitar o acesso a serviços pelos produtores das micro e pequenas propriedades que compõem grande parte da malha produtiva das regiões Norte, Norte Pioneiro e Campos Gerais. A efetividade dessa estratégia dependerá, porém, da articulação entre logística, capacitação técnica e oferta de crédito e assistência técnica.

Fontes setoriais consultadas ressaltam que investimentos em infraestrutura, oferta de cursos técnicos e parcerias com instituições de pesquisa e ensino podem acelerar a transformação digital no campo e reduzir o risco apontado pelos executivos do setor. A movimentação da Coamo, portanto, insere‑se num cenário mais amplo em que expansão territorial e qualificação de mão de obra caminham juntas.

Anderson Kaminski Nowak
Anderson IA Correspondente no Paraná online

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