A Secretaria de Ciência e Tecnologia do Paraná avançou na montagem de uma rede de supercomputadores inédita no país, consolidada no primeiro semestre de 2026 por meio do Contrato de Encomenda Técnica nº 27/2026. O acordo, firmado entre a Fundação Araucária, a Seti e a empresa Hi‑Mix Eletrônicos S/A, prevê a importação de nove máquinas vindas da Índia e a distribuição dos equipamentos entre sete universidades públicas do estado, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e o Data Center do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), em Londrina.
Estrutura e cronograma
Segundo o contrato, as primeiras unidades devem chegar ao Paraná ainda em 2026, com a implantação completa prevista até 2028. A rede foi projetada para operar de forma integrada, conectando equipamentos instalados em diferentes cidades por meio de nós de processamento: cada nó reúne processadores, memória, armazenamento e interfaces que trabalham de forma conjunta.
O maior sistema — descrito pela administração como o "cérebro da rede" — ficará instalado na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), com capacidade declarada de 650 Tflops. Outros quatro polos regionais receberão unidades com capacidade de 300 Tflops cada.
| Local | Função / Capacidade |
|---|---|
| UEPG (Ponta Grossa) | 650 Tflops — unidade central |
| Unioeste (Cascavel) | 300 Tflops — polo regional |
| UEM (Maringá) | 300 Tflops — polo regional |
| UEL (Londrina) | 300 Tflops — polo regional |
| Unicentro (Guarapuava) | 300 Tflops — polo regional |
| Tecpar | Unidade técnica/centro de integração |
| IDR (Data Center, Londrina) | Ponto de processamento para dados rurais e agro |
Além dessas unidades, o projeto reserva instalações nos pontos mais extremos da rede para três supercomputadores do tipo PARAM Shavak, fabricados na Índia, reforçando a cobertura territorial do sistema.
Áreas de aplicação e impactos esperados
A estrutura foi desenhada para ampliar a capacidade de processamento em larga escala disponível à rede de pesquisa e inovação do Paraná. As aplicações previstas incluem pesquisas em saúde, ciências agrárias, ciências biológicas, biotecnologia, além de simulações complexas para inteligência artificial e modelagem climática.
Para universidades e centros de pesquisa, o ganho imediato é a possibilidade de executar projetos que demandam alto poder computacional sem depender exclusivamente de recursos estrangeiros ou de longa fila em centros nacionais. No âmbito do agronegócio — setor fundamental para a economia paranaense — a infraestrutura permitirá análises mais rápidas e detalhadas de dados climáticos, fitossanitários e de produtividade, com potencial para orientar decisões de plantio, defensivos e logística.
- Pesquisa em saúde: análises genômicas e modelagens epidemiológicas.
- Agronegócio: simulações climáticas e processamento de imagens de sensoriamento remoto.
- Biotecnologia e ciências biológicas: experimentos in silico e modelagem molecular.
- Inteligência Artificial: treinamento de modelos de grande porte e aplicações regionais.
O Tecpar, além de receber parte da estrutura, pode usar a capacidade para projetos de inovação tecnológica voltados à indústria local, enquanto o Data Center do IDR em Londrina reúne condições para integrar dados rurais e facilitar estudos aplicados ao campo.
Gestão, acesso e próximos passos
O contrato com a Hi‑Mix e os órgãos responsáveis estabelece a importação das máquinas e a distribuição física entre as instituições parceiras. A operacionalização cotidiana dependerá ainda de arranjos de governança entre as universidades, provisionamento de pessoal qualificado para administração dos sistemas e definição de políticas de acesso para grupos de pesquisa e empresas.
Nos próximos meses deverá haver definição sobre questões práticas, como formatação de filas de acesso, priorização de projetos, formação de equipes técnicas e treinamento de usuários. A promessa de chegada das primeiras unidades em 2026 e da entrega completa até 2028 abre um horizonte de desafios logísticos e de capacitação, cuja resolução determinará o quanto a iniciativa de fato ampliará a capacidade científica e tecnológica do Paraná.
O projeto representa, em termos regionais, um esforço coordenado entre poder público e atores técnicos para reduzir a distância entre demandas de pesquisa e infraestrutura computacional de alta performance, e pode influenciar a competitividade das instituições e empresas paranaenses em temas estratégicos para a economia e a sociedade.