O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) anunciou publicamente, na noite de segunda-feira (19), apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. A manifestação, feita nas redes sociais e durante um sarau realizado na capital paranaense, marca uma dissidência em relação ao alinhamento político adotado por parte de seus aliados no Estado.
Motivações públicas: defesa do SUS, políticas sociais e culturais
Em seu discurso, Greca realçou a importância de políticas públicas federais como programas sociais, o Sistema Único de Saúde (SUS) e mecanismos de incentivo à cultura, citando expressamente a Lei Rouanet como exemplo de política a ser preservada. Ele articulou seu posicionamento em torno da defesa da soberania nacional e da proteção de recursos minerais do país.
"Pensem qual ideologia vale o direito de calar o Brasil; e calar o Brasil para só servir aos Estados Unidos, para só servir aos que querem as nossas terras raras, para só servir aos que querem lucrar com isso"
Durante a mesma fala, Greca fez referências a lideranças históricas, como Leonel Brizola, e pediu que a decisão de voto não seja tomada apenas por divisões ideológicas, usando uma metáfora musical: "Não tem música de direita nem de esquerda, porque o gaiteiro, para tocar, precisa das duas mãos, a direita e a esquerda".
Ruptura com aliados estaduais
O posicionamento do ex-prefeito contrasta com declarações recentes do governador Ratinho Junior (PSD) e do candidato a governador apoiado por ele, Sandro Alex (PSD), que já anunciaram apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. No âmbito do MDB paranaense, a direção estadual também aderiu formalmente à candidatura do PL, conforme decisões partidárias divulgadas após o primeiro turno.
Ao nível nacional, o presidente do MDB, Baleia Rossi, comunicou o apoio de 17 diretórios estaduais à candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto outros dez diretórios do partido declararam apoio à reeleição de Lula — um quadro que evidencia divisões internas na legenda.
Repercussões e reação de lideranças
Na terça-feira (20), em visita a Curitiba, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) declarou ter ficado "muito feliz" com o apoio de Greca. A manifestação de Alckmin foi registrada durante atividades oficiais na capital paranaense.
A declaração de Greca tende a provocar diálogo político e controvérsia em diferentes escalões partidários no Paraná. Ao divergir de governistas locais, o ex-prefeito soma uma voz conhecida no cenário municipal a uma escolha que enfatiza a manutenção de políticas sociais e culturais federais.
Impacto local e eleitoral
Curitiba, onde Greca construiu parte de sua trajetória política, é um cidade-chave nas contas eleitorais do Estado. O anúncio público pode influenciar setores eleitorais urbanos e culturais que acompanham o ex-prefeito, embora seja difícil quantificar imediatamente seu efeito sobre o comportamento de voto.
- Quem anunciou: Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba, filiado ao MDB.
- Para quem declarou apoio: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
- Contraposição: Ratinho Junior (PSD) e Sandro Alex (PSD) apoiam Flávio Bolsonaro (PL); direção do MDB no Paraná também aderiu ao PL.
Tabela resumida de posições
| Nome | Posição anunciada |
|---|---|
| Rafael Greca (MDB) | Apoio a Lula (PT) |
| Ratinho Junior (PSD) | Apoio a Flávio Bolsonaro (PL) |
| Sandro Alex (PSD) | Apoio a Flávio Bolsonaro (PL) |
| MDB Paraná (direção estadual) | Aderiu à candidatura do PL |
Nos próximos dias, é provável que o episódio gere desdobramentos em agendas locais de campanha e em declarações públicas de lideranças partidárias. A divergência pública de um nome histórico da política curitibana evidencia a fragmentação de apoios que costuma marcar disputas presidenciais acirradas.
O anúncio também reacende o debate sobre políticas culturais e de saúde no âmbito estadual e federal, áreas citadas por Greca como referências para sua decisão política. Observadores políticos locais acompanharão se a manifestação terá efeitos concretos sobre colaborações administrativas, articulações partidárias e o comportamento do eleitorado nas urnas.