A Câmara Municipal de Londrina aprovou por unanimidade o Projeto de Lei 193/2026, que inclui o festival de divulgação científica Pint of Science no calendário oficial do município. A proposição foi sancionada pelo prefeito Tiago Amaral, conferindo ao evento respaldo institucional para firmar parcerias com secretarias e facilitar a cessão de espaços públicos.
Origem da proposta e apoio institucional
A formalização do festival na legislação municipal partiu do Projeto Ciência Pé Vermelho, que protocolou o pedido e reuniu documentação técnica. A iniciativa contou com manifestações de apoio de órgãos e instituições como a Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA), a Codel e o Instituto Estação 43.
Com a inclusão na agenda oficial, o festival passa a ter respaldo para atuar de forma articulada com diferentes secretarias — em especial as de Cultura, Turismo e Desenvolvimento Econômico — e para obter logística e espaços públicos que favoreçam a realização das atividades.
Gestão local e participação das universidades
A gestão do Pint of Science em Londrina é coordenada de forma colaborativa. Atualmente, a coordenação local é exercida pela professora Marna Sakalem (UEL) e pelo professor Helton de Azevedo (Universidade Positivo). A organização envolve representantes das 11 instituições de ensino superior da cidade, o que reforça o caráter coletivo e a diversidade de áreas do conhecimento contempladas no festival.
"Quando o município reconhece formalmente o Pint of Science, o evento deixa de depender exclusivamente do esforço de cada edição e passa a colaborar formalmente com a política pública de divulgação científica da cidade. Isso ajuda a divulgação oficial, o apoio logístico, a cessão de espaços públicos, a articulação com as secretarias de Cultura, Turismo e Desenvolvimento Econômico, e abre portas para novas parcerias institucionais", afirmou o coordenador da Regional Sul do Pint of Science Brasil e professor do Departamento de Física do CCE da UEL, Eduardo Inocente.
Dimensão local e projeção
Com a oficialização, Londrina torna-se o terceiro município do Paraná a incluir o festival na legislação municipal, juntando‑se a Maringá e Pato Branco. A experiência de 2026 demonstra a escala e a mobilização locais: a edição londrinense foi, no ano, a segunda maior do festival no mundo em número de atividades e pesquisadores envolvidos, ficando atrás apenas de Londres, cidade onde o projeto foi criado em 2013.
- 88 palestras realizadas durante a edição local de 2026;
- 18 estabelecimentos comerciais que receberam atividades;
- 13 parceiros institucionais que apoiaram a realização.
| Item | Quantidade (2026) |
|---|---|
| Palestras | 88 |
| Estabelecimentos participantes | 18 |
| Parceiros institucionais | 13 |
O formato do Pint of Science — que leva pesquisadores a espaços informais como bares e cafés — aproxima ciência e sociedade, contribuindo para a formação de público e estimulando a circulação de pessoas em estabelecimentos locais. A oficialização pode facilitar o planejamento de futuras edições e ampliar a colaboração com setores públicos e privados.
Consequências para a cidade
Ao entrar no calendário oficial, o festival passa a ter mecanismos administrativos que podem reduzir a fragilidade de sua realização, ano a ano. A medida tende a trazer efeitos práticos:
- facilitação da cessão de espaços públicos e de equipamentos culturais;
- maior articulação entre universidades, iniciativa privada e secretarias municipais;
- possibilidade de integração com políticas locais de ciência, tecnologia, cultura e turismo.
Para Londrina, cidade com robusto ecossistema acadêmico e forte presença de instituições de ensino superior, a medida representa um reconhecimento oficial da importância da divulgação científica como componente da vida urbana e da economia criativa. A inclusão do Pint of Science no calendário oficial reforça a estratégia de promover ciência em diálogo com a sociedade, além de consolidar a cidade como polo regional de atividades científicas e culturais.
O festival, agora respaldado por lei municipal, deverá contar com instrumentos mais regulares de suporte, o que pode ampliar sua projeção e garantir continuidade às iniciativas que aproximam investigadores e cidadãos.