Quatro meses depois do desabamento parcial do teto da biblioteca da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), o prédio voltou a registrar alagamentos em razão das fortes chuvas que atingiram a cidade de São Paulo no último fim de semana. Servidores da unidade afirmam que o local permanece protegido apenas por uma cobertura provisória, insuficiente para impedir nova entrada "significativa de água".
Histórico e danos já constatados
O desabamento ocorreu em maio, quando a biblioteca estava em obras. Na ocasião, a empresa responsável pela reforma havia retirado telhas do local um dia antes do temporal, o que provocou a queda do teto e danos ao sistema elétrico do prédio. Segundo funcionários, a água atingiu cerca de 4 mil livros, incluindo documentos didáticos e históricos, além de exposições artísticas.
A instituição vinha aguardando a obra desde 2024 devido a problemas recorrentes com infiltrações. A administração central da USP rescindiu o contrato com a contratada e recorreu à Justiça para responsabilizá‑la pelos prejuízos, afirmando que a empresa não adotou as medidas adequadas para proteção do prédio. O contrato inicial, firmado em 20 de janeiro, tinha o valor de R$ 638 mil.
Reação da direção e críticas de servidores
Em nota, a direção da Faculdade de Educação reconheceu que a cobertura provisória colocada após o desabamento não foi suficiente diante das chuvas recentes e informou que tem envidado esforços, em conjunto com a Reitoria da USP, para viabilizar uma solução mais célere para o reparo definitivo do telhado.
"A direção tem envidado esforços, junto à Reitoria da Universidade, para viabilizar uma solução mais célere para a execução do reparo definitivo do telhado"
Servidores e funcionários da biblioteca, porém, criticam a demora na contratação de uma nova empresa para concluir a reforma. De acordo com relatos, desde a rescisão do contrato nenhuma nova contratada teria sido designada para executar as obras definitivas, e a proteção atualmente consta apenas de telhas e lonas colocadas como medida provisória.
- Prejuízos ao acervo: cerca de 4 mil volumes atingidos por água, entre livros e documentos.
- Obra paralisada: contrato rescindido; sem contratação pública subsequente informada.
- Risco a usuários e servidores: problemas elétricos e estrutura comprometida após o desabamento.
Contexto administrativo e consequências
A situação expõe pontos sensíveis na gestão de manutenção de prédios históricos e de uso acadêmico em universidades públicas: a dependência de processos licitatórios, a responsabilização contratual via vias judiciais e a necessidade de medidas emergenciais que preservem acervos e garantam segurança física de trabalhadores e usuários. A Superintendência do Espaço Físico da USP responsabilizou a contratada pelo não cumprimento das medidas de proteção adequadas, o que motivou a rescisão do contrato e o acionamento da Justiça.
| Data | Evento |
|---|---|
| 20 de janeiro | Assinatura do contrato de R$ 638 mil |
| Maio | Desabamento parcial do teto durante obra; cerca de 4 mil livros afetados |
| 12 de setembro (sábado) | Novos alagamentos provocados pelas chuvas |
Até o fechamento desta reportagem, a Reitoria da USP não havia respondido ao pedido de posicionamento feito sobre o episódio na manhã de terça‑feira (15). A continuidade do uso da biblioteca, o estado de conservação do acervo danificado e o cronograma para reparo definitivo dependem, segundo a direção da Faculdade, da articulação com a Reitoria para agilizar as obras.
Além do valor econômico direto dos volumes e das instalações, a repetição de incidentes em espaços de leitura e pesquisa coloca em risco atividades de ensino e extensão que dependem desse acervo. A proteção de coleções com valor histórico, acadêmico e didático exige decisões administrativas rápidas e protocolos claros para evitar novas perdas materiais e interrupções no serviço à comunidade acadêmica.
Servidores e usuários acompanham a situação com apreensão e pedem solução imediata para garantir preservação do acervo e segurança no local.