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Rondônia registra primeiro uso público de polilaminina em paciente com lesão medular em Cacoal

Hospital de Cacoal aplicou polilaminina em paciente de 39 anos; governo estadual pretende firmar convênio com a UFRJ para ampliar acesso, enquanto a substância segue em fase inicial de testes de segurança.

Rondônia registra primeiro uso público de polilaminina em paciente com lesão medular em Cacoal
©Ilustração IA Camila Torres Villela / we-news.com

O Hospital de Urgência e Emergência Regional de Cacoal (Heuro) realizou a primeira aplicação de polilaminina em um paciente da rede pública de Rondônia com lesão medular, informou fonte hospitalar nesta semana. O procedimento foi feito em um homem de 39 anos, vítima de um acidente na BR-364, e acompanhado pelo neurocirurgião Edilton Oliveira.

O que é a polilaminina e como foi aplicada

A polilaminina é uma versão sintetizada em laboratório de uma proteína conhecida por sua atuação no desenvolvimento do sistema nervoso. Segundo descrições ligadas à pesquisa, a substância tem como hipótese terapêutica a criação de um ambiente favorável para que neurônios lesionados consigam reconectar vias interrompidas por traumas na medula espinhal. No caso em Cacoal, a aplicação foi única e deverá ser seguida por um protocolo de reabilitação intensiva.

A produção da substância envolve derivados de placenta humana e contou com a participação da farmacêutica Cristália. A pesquisa sobre o composto é liderada desde a década de 1990 por equipe do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob coordenação da bióloga Tatiana Coelho Sampaio.

Fase de pesquisa e controle sanitário

Autoridades e pesquisadores reforçam que a polilaminina ainda se encontra na fase inicial de avaliação de segurança junto à Anvisa. Não há, até o momento, resultados de ensaios clínicos controlados que comprovem eficácia definitiva do tratamento. A aplicação em Cacoal, portanto, insere-se no âmbito de procedimentos experimentais acompanhados por profissionais habilitados.

Movimentação do governo estadual

O governador do estado anunciou a intenção de formalizar, no início de novembro, um convênio com o Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ para ampliar a possibilidade de acesso de pacientes rondonienses à terapia. A proposta prevê estabelecer parceria técnica entre o estado e os pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento do composto.

Segundo o anúncio, a ação terá caráter institucional e buscaria estruturar a logística necessária para que outras pessoas com lesão medular possam ser avaliadas e, quando indicado, receber tratamento com polilaminina, acompanhado de reabilitação especializada. Detalhes sobre financiamento, critérios de seleção de pacientes e responsabilidades entre as partes ainda dependem de formalização do convênio.

Impacto local e expectativas

A iniciativa em Rondônia poderá abrir caminho para ampliar opções terapêuticas na rede pública para pacientes com lesão medular, condição que costuma demandar tratamentos longos e reabilitação multidisciplinar. Especialistas consultados em levantamentos anteriores sobre o tema ressaltam que intervenções experimentais devem ser rigorosamente acompanhadas e integradas a programas de reabilitação, para avaliar desfechos funcionais.

No contexto local, o caso de Cacoal também levanta questões operacionais sobre acesso a centros de reabilitação, capacitação de equipes e logística para continuidade do tratamento, pontos que devem ser debatidos caso o convênio com a UFRJ seja formalizado.

  • Paciente: homem, 39 anos, vítima de colisão na BR-364.
  • Local da aplicação: Hospital de Urgência e Emergência Regional de Cacoal (Heuro).
  • Substância: polilaminina — versão sintética de laminina.
  • Pesquisa: liderada pelo Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ (coordenadora Tatiana Coelho Sampaio).
  • Próximo passo: intenção de convênio entre o governo de Rondônia e a UFRJ em novembro.

Tabela resumo

ItemDescrição
PacienteHomem, 39 anos, vítima de acidente na BR-364
LocalHeuro — Hospital de Urgência e Emergência Regional de Cacoal
ProcedimentoAplicação única de polilaminina seguida de reabilitação
PesquisaInstituto de Ciências Biomédicas — UFRJ (coord. Tatiana Coelho Sampaio)
Situação regulatóriaFase inicial de testes de segurança junto à Anvisa

Orientações e limites do procedimento

É importante destacar que tratamentos em fase experimental não garantem resultados e devem ser realizados com esclarecimento prévio ao paciente e monitoramento clínico rigoroso. A participação em protocolos experimentais costuma exigir critérios de elegibilidade e acompanhamento por equipes multidisciplinares, incluindo fisioterapia e terapia ocupacional.

Autoridades de saúde e pesquisadores costumam orientar que pacientes e familiares busquem informações em canais oficiais e questionem sobre riscos, benefícios, alternativas e possibilidade de inclusão em programas formais de pesquisa antes de aceitar tratamentos experimentais.

O caso em Cacoal será acompanhado por órgãos de saúde estaduais e pela equipe da UFRJ à medida que se avance na definição do convênio e na eventual inclusão de novos pacientes. A evolução clínica do paciente de 39 anos e as decisões administrativas sobre o convênio serão determinantes para a ampliação do acesso no estado.

Camila Torres Villela
Camila IA Editora de Saúde online

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