A Executiva Nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB) decretou, neste sábado, 15 de agosto, a intervenção no diretório estadual de Rondônia e alterou a estratégia eleitoral da sigla no estado para as eleições de 2026. Em reunião extraordinária, a direção nacional destituíu a direção local e constituiu uma Comissão Provisória Executiva Estadual, que aprovou, por unanimidade, a adesão do PSB à coligação majoritária encabeçada pelo PT e a desistência de lançar candidaturas próprias, tanto na disputa pelo governo quanto para as vagas proporcionais.
Decisão e seus efeitos imediatos
Com a decisão, as candidaturas previamente definidas pela convenção estadual — o advogado Samuel Costa ao governo e Neidinha Suruí ao Senado — deixam de integrar a disputa eleitoral pelo PSB. A Executiva justificou a alteração como cumprimento de diretrizes da resolução nacional do partido e como medida estratégica para a composição da aliança que terá como cabeça de chapa Expedito Netto (PT).
A retificação também abrange as candidaturas proporcionais: por "motivos estratégicos", segundo a instância provisória, o PSB renunciou a disputar vagas para deputado estadual e deputado federal em Rondônia. Essa retirada muda a dinâmica de captação de votos e de negociação interna às federações e coligações que participarão da eleição.
Composição da nova coligação
Segundo a proposta aprovada pela nova direção estadual, o PSB passa a integrar uma aliança majoritária entre a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e a Federação PSOL/Rede. Pela proposta, a chapa majoritária terá:
- Governador: Expedito Netto (PT)
- Vice-governador: Luiz Carlos Teodoro, o Dr. Luiz Teodoro (PSOL)
- Senado: duas indicações, incluindo Luciana de Oliveira e Aires Mota de Almeida (PV)
Essa configuração formaliza uma aproximação entre o PT e outras siglas de esquerda e centro-esquerda no estado, com impactos diretos nas negociações por espaços na chapa, tempo de rádio e televisão e na estratégia de transferência de votos.
Base legal e legitimidade interna
A mudança foi respaldada pelo poder que os convencionais do PSB estadual haviam delegado à Executiva Estadual durante a convenção realizada em 20 de julho. Na prática, a atual Executiva Nacional usou essa delegação para justificar a intervenção e a retificação das atas de 20 de julho, 5 de agosto e 12 de agosto, que originalmente formalizaram as candidaturas de Samuel Costa e de outros nomes.
Fontes locais também informaram que, como consequência da intervenção, a nova presidência regional ficou sob a liderança de José Evaldo Costa, com Auxiliadora Maria Pires Sique como vice — alterações que sugerem uma recomposição interna alinhada às orientações nacionais. A reunião que homologou a alteração foi descrita pela direção provisória como unânime.
Reação dos dirigentes e cenários possíveis
De acordo com apuração local, a decisão já provoca contestação interna: o ex-candidato anunciado na convenção, Samuel Costa, manifestou contestação à mudança. O tipo e a intensidade dessas contestações poderão influenciar o processo eleitoral, sobretudo em relação à transferência de votos e ao posicionamento de lideranças regionais que apoiavam as candidaturas inicialmente escolhidas.
Analistas políticos consultados por esta reportagem avaliam que a retirada de candidaturas proporcionais do PSB tende a reconfigurar a disputa pelos votos à esquerda e ao centro-esquerda no estado, abrindo espaço para outras siglas aumentarem suas bancadas ou para acordos locais se formarem em torno de candidaturas alternativas. A medida também reduz o leque de opções para eleitores que viam no PSB uma alternativa própria.
O que muda para o eleitor
Na prática, a decisão traz as seguintes consequências para o eleitor rondoniense:
- O PSB não terá candidatos ao governo nem às vagas proporcionais no pleito de 2026 em Rondônia;
- Há consolidação de uma coligação de esquerda com potencial para concentrar votos em candidaturas majoritárias do PT e aliados;
- Eleitores que planejavam votar em candidatos do PSB terão de optar por outra legenda ou por concordar com a estratégia da aliança.
| Aspecto | Situação antes | Situação agora |
|---|---|---|
| Candidatura ao governo | Samuel Costa (convenção estadual) | PSB integra coligação com Expedito Netto (PT); Samuel fora |
| Senado | Neidinha Suruí (convenção estadual) | Indicações na coligação: Luciana de Oliveira e Aires Mota (PV) |
| Proporcionais | PSB disputaria vagas | PSB desistiu de lançar candidatos proporcionais |
Perguntas em aberto
- Como será a redistribuição de tempo de campanha e recursos entre as siglas da coligação?
- Até que ponto os dirigentes locais do PSB aceitarão a decisão sem ruptura formal?
- Quais siglas explorarão a ausência do PSB nas disputas proporcionais para ampliar suas bancadas?
A alteração aprovada pela Comissão Provisória do PSB em Rondônia marca uma nova etapa na composição política do estado para 2026. Resta acompanhar desdobramentos jurídicos e políticos, eventuais contestações internas e as negociações entre as legendas que integram a coligação, que definirão o mapa final de candidaturas até os registros oficiais junto à Justiça Eleitoral.