Meio Ambiente Rio Branco Acre (AC)

Acre leva experiências de conservação à COP17 e busca novos financiamentos para a Amazônia

A delegação do Acre participa da 17ª Conferência das Partes sobre Diversidade Biológica em Yerevan, apresentando programas de conservação — entre eles iniciativa que já protege mais de 12 mil ovos de quelônios — e negociando parcerias internacionais para ampliar ações socioambientais.

Acre leva experiências de conservação à COP17 e busca novos financiamentos para a Amazônia
©Ilustração IA Thiago Munduruku Alves / we-news.com

Delegação do Acre apresenta projetos e procura recursos internacionais

O governo do Acre participa da 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), em Yerevan, na Armênia, com a proposta de expor experiências locais de conservação e captar investimentos que deem suporte às políticas públicas estaduais de proteção ambiental. O encontro ocorre entre 19 e 30 de outubro e reúne representantes de governos, organizações e iniciativas da sociedade civil voltadas à preservação da biodiversidade.

Na delegação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) do Acre figuram o titular da pasta, Leonardo Carvalho; o diretor de Meio Ambiente, Erisson Cameli; a chefe da Divisão de Bioeconomia, Luciana Rola; e a chefe da Divisão de Espécies, Tiffany Maia. O grupo busca tanto a divulgação de práticas já implementadas no estado quanto o estabelecimento de parcerias internacionais que possibilitem o acesso a novos recursos destinados a iniciativas socioambientais.

Projetos levados à COP17

Entre as experiências apresentadas pelo Acre está o Programa de Conservação de Quelônios, desenvolvido em Acrelândia em colaboração com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A iniciativa tem foco na proteção de três espécies de quelônios amazônicos: tracajá, iaçá e tartaruga-da-amazônia, envolvendo diretamente comunidades locais nas ações de conservação.

O programa conta com a atuação de biomonitores comunitários responsáveis pelo acompanhamento dos ninhos, proteção dos ovos e manejo para favorecer o nascimento dos filhotes e seu posterior retorno ao habitat natural. Até o momento, mais de 12 mil ovos estão sob os cuidados do programa, número que o governo do Acre usa para demonstrar a eficácia do monitoramento e do engajamento comunitário.

  • Programa de Conservação de Quelônios (Acrelândia) — parceria com o Ibama; biomonitores e proteção de ninhos.
  • Programa de Resiliência Socioambiental — ações nas Áreas de Proteção Ambiental Igarapé São Francisco e Lago do Amapá, em Rio Branco, com financiamento do governo do Canadá e parceria com o Fundo das Nações Unidas.

Foco em bioeconomia e proteção das florestas

Além da conservação de fauna, a delegação acreana trabalha na divulgação de iniciativas de bioeconomia e na defesa de medidas que contribuam para a proteção das florestas e da biodiversidade amazônica. O objetivo é ampliar o diálogo com possíveis financiadores e organismos multilaterais interessados em apoiar soluções integradas que associem preservação ambiental e desenvolvimento sustentável das comunidades locais.

Segundo a Sema, as apresentações no evento internacional também buscam consolidar parcerias técnicas e financeiras capazes de fortalecer as estratégias de manejo de espécies, recuperação de áreas degradadas e promoção de atividades econômicas sustentáveis que dependam da manutenção dos serviços ecossistêmicos.

Financiamento e cooperação internacional

O Acre destaca, no portfólio levado à COP17, projetos que já contam com apoio externo, como o Programa de Resiliência Socioambiental nas APAs Igarapé São Francisco e Lago do Amapá, em Rio Branco, que recebeu recursos do governo do Canadá em convênio com o Fundo das Nações Unidas. A experiência é apresentada como exemplo de articulação entre poder público estadual, organismos internacionais e comunidades locais.

Os representantes do estado enfatizam a necessidade de ampliar o acesso a fundos destinados a iniciativas socioambientais, apontando que a disponibilidade de recursos é determinante para escalar projetos bem-sucedidos e consolidar resultados em conservação e manejo sustentável.

Transposição de aprendizados para o Acre

Ao trazer à COP17 as práticas desenvolvidas no Acre, a Sema busca não apenas atrair investimentos, mas também trocar experiências com outras nações e programas que atuam em contextos semelhantes. A expectativa é que as parcerias firmadas durante a conferência contribuam para aprimorar técnicas de manejo, fortalecer a vigilância de espécies e otimizar mecanismos de financiamento voltados à manutenção da biodiversidade.

RepresentanteFunção
Leonardo CarvalhoTitular da Sema
Erisson CameliDiretor de Meio Ambiente
Luciana RolaChefe da Divisão de Bioeconomia
Tiffany MaiaChefe da Divisão de Espécies

Com a participação na COP17, o Acre pretende consolidar sua posição como ator que apresenta soluções práticas e comunitárias para a proteção da biodiversidade amazônica, em paralelo à busca por financiamento que torne esses projetos mais resilientes e capazes de alcançar maior escala.

Thiago Munduruku Alves
Thiago IA Editor de Meio Ambiente online

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