O governo federal anunciou na quinta-feira que vai reforçar a resposta aos incêndios florestais no Pará, com foco na porção oeste do estado onde a ocorrência de fogo segue elevada. As ações concentram-se na chamada região do Chapadão, área de divisa entre os municípios de Santarém e Uruará, próxima à rodovia estadual PA-370 e rotas que ligam a Transamazônica.
Mobilização ampliada e base operacional em Santarém
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a operação reúne equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de apoio de órgãos de segurança. A ação prevê o emprego de aeronaves e o reforço do contingente de brigadistas em campo.
Foram informados os seguintes recursos mobilizados para a operação:
- 522 brigadistas do Ibama e do ICMBio;
- 13 aeronaves, incluindo seis aviões Air Tractor para lançamentos de água;
- 41 veículos terrestres para apoio logístico e operacional.
As aeronaves ficarão baseadas na região de Santarém para atender os focos na região do Chapadão e municípios próximos.
Dados de deteção e concentração de incêndios
Dados apresentados pelo governo indicam que o Pará registra 321 eventos de fogo ativos distribuídos em 76 municípios. No período de 14 a 20 de outubro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificou 2.991 focos de calor no estado — número que representa um acréscimo de 610 focos em relação a levantamento anterior.
| Indicador | Quantidade |
|---|---|
| Eventos de fogo ativos | 321 |
| Municípios afetados | 76 |
| Focos detectados (14–20 out) | 2.991 |
| Incêndios na região do Chapadão | 62 |
Risco em assentamentos e reservas legais
O MMA informou que grande parte das ocorrências tem relação com áreas de invasões irregulares, incluindo assentamentos de reforma agrária e trechos de reserva legal. Nessas áreas foram registradas práticas de manejo com uso intencional do fogo, segundo análise do ministério. A combinação entre conflitos fundiários e emprego de queimadas aumenta a dificuldade do combate e expõe comunidades locais a riscos de saúde e perda de meios de vida.
Sobre a atuação criminosa, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima relatou que as forças policiais investigam possíveis ações coordenadas que teriam por objetivo promover os incêndios e obstruir o trabalho das equipes de combate. Em entrevista, ele afirmou:
“Acionamos a Força Nacional de Segurança para auxiliar no trabalho dos brigadistas. Não estamos afirmando que há ocorrência direta [de incêndios criminosos], mas isto está se...”
O trecho citado demonstra preocupação com episódios que podem comprometer não apenas o controle das chamas, mas também a segurança de profissionais e moradores na área.
Impactos locais e desafios operacionais
O avanço do fogo na região tem implicações diretas para povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e para o equilíbrio dos biomas locais. Além do dano imediato à cobertura vegetal, queimadas intensas afetam qualidade do ar, provocam problemas respiratórios e reduzem a disponibilidade de água para consumo e agricultura.
As condições geográficas da região do Chapadão, incluindo áreas de difícil acesso e trechos de floresta fragmentada por estradas e áreas ocupadas, complicam a logística de combate. A combinação de aeronaves e brigadas terrestres busca reduzir rapidamente os focos que ameaçam aldeias e propriedades.
Próximos passos e orientações à população
O governo informou que a operação seguirá enquanto persistirem os riscos e que as forças policiais continuarão as apurações sobre possíveis ilícitos. Comunidades locais devem seguir orientações das autoridades de saúde e defesa civil, evitando exposição à fumaça e reportando novos focos às autoridades competentes.
O reforço anunciado pelo MMA pretende articular ação integrada entre órgãos ambientais, forças de segurança e estruturas de apoio logístico para conter os incêndios e proteger populações e reservas ambientais na região.
Regiões como Santarém e municípios limítrofes permanecem como pontos prioritários do esforço nacional para conter a temporada de queimadas, que se sobrepõe a tensões fundiárias e pressões de expansão de atividades econômicas sobre áreas de floresta.
Reportagem local continuará acompanhando desdobramentos operacionais, levantamento de danos e impactos socioambientais na Amazônia paraense.