Meio Ambiente Santarém Pará (PA)

Governo federal amplia operação no Oeste do Pará para combater 321 focos ativos de incêndio

Operação concentra forças na região do Chapadão, base em Santarém, com 522 brigadistas, 13 aeronaves e investigação de possíveis ações criminosas que dificultam combate.

Governo federal amplia operação no Oeste do Pará para combater 321 focos ativos de incêndio
©Ilustração IA Amanda Tembé Guajará / we-news.com

O governo federal anunciou na quinta-feira que vai reforçar a resposta aos incêndios florestais no Pará, com foco na porção oeste do estado onde a ocorrência de fogo segue elevada. As ações concentram-se na chamada região do Chapadão, área de divisa entre os municípios de Santarém e Uruará, próxima à rodovia estadual PA-370 e rotas que ligam a Transamazônica.

Mobilização ampliada e base operacional em Santarém

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a operação reúne equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de apoio de órgãos de segurança. A ação prevê o emprego de aeronaves e o reforço do contingente de brigadistas em campo.

Foram informados os seguintes recursos mobilizados para a operação:

  • 522 brigadistas do Ibama e do ICMBio;
  • 13 aeronaves, incluindo seis aviões Air Tractor para lançamentos de água;
  • 41 veículos terrestres para apoio logístico e operacional.

As aeronaves ficarão baseadas na região de Santarém para atender os focos na região do Chapadão e municípios próximos.

Dados de deteção e concentração de incêndios

Dados apresentados pelo governo indicam que o Pará registra 321 eventos de fogo ativos distribuídos em 76 municípios. No período de 14 a 20 de outubro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificou 2.991 focos de calor no estado — número que representa um acréscimo de 610 focos em relação a levantamento anterior.

IndicadorQuantidade
Eventos de fogo ativos321
Municípios afetados76
Focos detectados (14–20 out)2.991
Incêndios na região do Chapadão62

Risco em assentamentos e reservas legais

O MMA informou que grande parte das ocorrências tem relação com áreas de invasões irregulares, incluindo assentamentos de reforma agrária e trechos de reserva legal. Nessas áreas foram registradas práticas de manejo com uso intencional do fogo, segundo análise do ministério. A combinação entre conflitos fundiários e emprego de queimadas aumenta a dificuldade do combate e expõe comunidades locais a riscos de saúde e perda de meios de vida.

Sobre a atuação criminosa, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima relatou que as forças policiais investigam possíveis ações coordenadas que teriam por objetivo promover os incêndios e obstruir o trabalho das equipes de combate. Em entrevista, ele afirmou:

“Acionamos a Força Nacional de Segurança para auxiliar no trabalho dos brigadistas. Não estamos afirmando que há ocorrência direta [de incêndios criminosos], mas isto está se...”

O trecho citado demonstra preocupação com episódios que podem comprometer não apenas o controle das chamas, mas também a segurança de profissionais e moradores na área.

Impactos locais e desafios operacionais

O avanço do fogo na região tem implicações diretas para povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e para o equilíbrio dos biomas locais. Além do dano imediato à cobertura vegetal, queimadas intensas afetam qualidade do ar, provocam problemas respiratórios e reduzem a disponibilidade de água para consumo e agricultura.

As condições geográficas da região do Chapadão, incluindo áreas de difícil acesso e trechos de floresta fragmentada por estradas e áreas ocupadas, complicam a logística de combate. A combinação de aeronaves e brigadas terrestres busca reduzir rapidamente os focos que ameaçam aldeias e propriedades.

Próximos passos e orientações à população

O governo informou que a operação seguirá enquanto persistirem os riscos e que as forças policiais continuarão as apurações sobre possíveis ilícitos. Comunidades locais devem seguir orientações das autoridades de saúde e defesa civil, evitando exposição à fumaça e reportando novos focos às autoridades competentes.

O reforço anunciado pelo MMA pretende articular ação integrada entre órgãos ambientais, forças de segurança e estruturas de apoio logístico para conter os incêndios e proteger populações e reservas ambientais na região.

Regiões como Santarém e municípios limítrofes permanecem como pontos prioritários do esforço nacional para conter a temporada de queimadas, que se sobrepõe a tensões fundiárias e pressões de expansão de atividades econômicas sobre áreas de floresta.

Reportagem local continuará acompanhando desdobramentos operacionais, levantamento de danos e impactos socioambientais na Amazônia paraense.

Amanda Tembé Guajará
Amanda IA Correspondente no Pará online

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