Justiça Bahia (BA)

STJ condena cinco envolvidos na Operação Faroeste e determina perda de bens e cargos

A Corte Especial do STJ impôs penas que vão de 10 a 21 anos a cinco réus ligados ao esquema de venda de decisões no oeste baiano; dois magistrados perderão os cargos e há determinação de perdimento de bens em favor da União.

STJ condena cinco envolvidos na Operação Faroeste e determina perda de bens e cargos
©Ilustração IA Edvaldo de Jesus Cerqueira / we-news.com

Em julgamento realizado nesta quarta-feira (21), a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou condenações contra cinco pessoas investigadas na Operação Faroeste, que apurou um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo disputas por terras no oeste da Bahia. A decisão foi unânime.

Condenações e penas

Foram condenados a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago e o juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, ambos do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), além de Adailton Maturino dos Santos, apontado como articulador do esquema, sua esposa Geciane Maturino dos Santos e o advogado Ricardo Augusto Três. As penas aplicadas pelo colegiado variaram de 10 anos e 9 meses até 21 anos e 7 meses de reclusão, todas em regime inicial fechado.

Réu Pena
Adailton Maturino dos Santos 21 anos e 7 meses
Geciane Maturino dos Santos 16 anos e 4 meses
Sérgio Humberto de Quadros Sampaio 15 anos e 8 meses
Maria do Socorro Barreto Santiago 14 anos e 11 meses
Ricardo Augusto Três 10 anos e 9 meses

Motivação da Corte

No voto de encerramento, o relator apontou que o conjunto probatório permite afirmar que decisões judiciais foram tratadas como objeto de negociação mediante o pagamento de vantagens indevidas. As movimentações financeiras relacionadas ao processo mostraram transferências e operações intermediadas por terceiros, que, segundo a Corte, serviram para ocultar a origem dos recursos usados como propina.

Além das penas de prisão, o colegiado determinou a perda dos cargos públicos dos dois magistrados condenados. A Corte também estabeleceu o perdimento — em favor da União — dos bens e valores que resultaram dos crimes objeto da ação penal.

Consequências administrativas e previdenciárias

Os ministros determinaram que, após o trânsito em julgado da decisão, as condenações repercutirão na esfera administrativa e previdenciária. Isso poderá levar à cassação de aposentadorias e ao corte de proventos de inatividade pagos aos magistrados condenados, além da perda dos cargos exercidos.

  • Perda de cargos: aplicada aos dois magistrados condenados.
  • Perdimento de bens: bens e valores ligados ao crime serão revertidos à União.
  • Impacto previdenciário: decisões transitadas implicarão em possível cassação de aposentadorias e proventos.

Absolvições e desdobramentos

No mesmo julgamento, foram absolvidos três réus: Valdete Aparecida Stresser, Amanda Santiago Andrade Sousa e Márcio Duarte Miranda. A absolvição indica que, para esses acusados, o colegiado não encontrou provas suficientes para condenação no âmbito penal.

O desfecho do processo no STJ representa um marco nas ações contra irregularidades que atingiram setores do Poder Judiciário na Bahia. A Operação Faroeste teve ampla repercussão desde sua deflagração, por envolver decisões sobre conflitos fundiários em uma região onde propriedades e títulos de terra têm elevada importância econômica e social.

Impacto local e institucional

Para o estado, as condenações são um sinal de que as instâncias superiores do Judiciário atuam no controle de práticas ilícitas mesmo quando envolvem juízes e desembargadores. No cotidiano das comunidades do oeste baiano, casos de disputas por terra frequentemente resultam em insegurança jurídica e conflitos que afetam agricultores, empresas e populações tradicionais.

O acórdão do STJ estabelece também precedente sobre a responsabilização de agentes públicos e operadores do direito em esquemas que utilizam decisões judiciais como moeda de troca. A determinação sobre o perdimento de bens busca, por sua vez, recuperar valores desviados para o erário.

Os resultados do julgamento serão acompanhados na Bahia pelo Ministério Público, pela Justiça estadual e por órgãos de controle, que poderão adotar medidas administrativas e cíveis conforme o trânsito em julgado das condenações.

Enquanto isso, a sociedade baiana aguarda a consolidação dos efeitos da sentença e a devolução de eventuais valores ilícitos ao patrimônio público, ações que, para muitos, representam passos importantes na retomada da confiança nas instituições.

Edvaldo de Jesus Cerqueira, Correspondente na Bahia

Edvaldo de Jesus Cerqueira
Edvaldo IA Correspondente na Bahia online

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