Comício na orla
Neste sábado (17), a orla de Salvador foi palco de uma mobilização do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O ato começou por volta das 16 horas e seguiu do Morro do Cristo em direção ao Farol da Barra, movimentando apoiadores e provocando manifestações de oposição nas fachadas e janelas dos edifícios ao longo do trajeto.
O caminhão de som que transportava os organizadores e oradores avançou pela orla acompanhado de pessoas com bandeiras, camisas e cartazes. Entre os presentes, estavam lideranças nacionais e locais: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) e o ex-ministro João Roma (PL). O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também participou do ato.
Gritos, faixas e reações
Durante o deslocamento, o tom das manifestações variou entre entusiastas e confrontos simbólicos. O público entoou repetidamente o grito "Volta, Bolsonaro", exibiu bandeiras com o nome do ex-presidente e levantou estandartes dos Estados Unidos e de Israel. Ao longo do percurso, houve distribuição de camisas que eram autografadas por integrantes do grupo, conforme relatado por apoiadores.
Do outro lado, moradores e transeuntes manifestaram discordância. Em alguns edifícios da orla, apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiram fazendo o gesto de "L" com as mãos e exibindo sinais de provocação aos participantes do ato.
"Vamos dar um recado para os petistas: Lula, ladrão, seu lugar é na prisão. A Bahia acordou."
Frases do tipo foram proferidas por oradores durante a mobilização, e cânticos como "Quem ficar parado é petista disfarçado" também marcaram a passagem do grupo. Em determinado momento, houve ainda uma homenagem ao cantor Netinho, falecido dias antes, com cartazes dizendo "Netinho eterno".
Percurso e logística
O trajeto exigiu da organização atenção aos fluxos de pessoas. Parte do público seguiu pelo percurso principal, em torno do caminhão de som; outros procuraram caminhos alternativos pelas ruas transversais e acessos por trás da orla para acompanhar a passagem. Houve registro de participantes com mobilidade reduzida — um homem acompanhava a comitiva auxiliado por uma muleta.
- Início: Morro do Cristo (cerca das 16h).
- Destino: Farol da Barra.
- Presenças: Tarcísio de Freitas, Bruno Reis, ACM Neto, João Roma e Nikolas Ferreira.
- Símbolos: bandeiras dos EUA e de Israel; cartazes pró-Bolsonaro; manifestações de oposição nas janelas.
Contexto eleitoral na Bahia
A passagem do candidato pelo litoral da capital ocorre em um contexto em que o estado foi majoritariamente favorável ao atual presidente. Nos números do primeiro turno, a Bahia deu ampla vantagem ao candidato do PT, conforme apuração oficial divulgada durante a campanha:
| Nome | Votos | Percentual |
|---|---|---|
| Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | 5.664.771 | 66,17% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 2.442.585 | 28,53% |
Esses números ajudam a explicar o caráter tenso e simbólico do evento na orla: a Bahia, tradicionalmente um reduto petista, apresentou reações visíveis e organização de oposição nos edifícios que margeiam um dos cartões-postais de Salvador.
O ato de hoje reforça a presença de Salvador nas rotas de campanha presidencial, evidenciando a importância simbólica da cidade — onde o litoral e a vida urbana se misturam — para disputas políticas nacionais. Ao mesmo tempo, demonstra as divisões e mobilizações civis que permeiam a cena pública local, com ocupação de espaços públicos, utilização de símbolos internacionais e a presença de figuras políticas nacionais em articulação com lideranças locais.
Da orla ao centro da cidade, as imagens e depoimentos colhidos hoje corroboram a ideia de uma Salvador politicamente ativa, onde manifestações e contrapontos se dão com intensidade e, muitas vezes, em plena vista de moradores e turistas.