Durante um comício realizado em Guarulhos na sexta‑feira (18.set.2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a confundir o nome da primeira‑dama, Janja Lula da Silva, com o de sua ex‑mulher, Marisa Letícia, morta em 2017. O episódio ocorreu enquanto o presidente fazia críticas ao impacto das casas de apostas no futebol e comentava o pênalti perdido pelo atacante do Corinthians, Memphis Depay, que resultou na eliminação do clube da Libertadores.
O episódio no comício
No momento em que relatava a frustração com o lance do jogo, Lula mencionou a troca de nomes duas vezes. Logo depois da fala, a primeira‑dama se aproximou e cochichou algo no ouvido do presidente. A fala foi inserida numa crítica mais ampla do petista às bets, que ele afirmou pretender acabar, caso seja reeleito, e à influência das casas de apostas no futebol brasileiro.
- Local: Comício em Guarulhos (18.set.2026).
- Contexto: crítica ao pênalti de Memphis Depay e às casas de apostas.
- Reação: Janja cochichou no ouvido de Lula após a troca de nomes.
Repetição de lapsos públicos
O episódio em Guarulhos integra uma série de lapsos semelhantes protagonizados pelo presidente ao longo de 2026. Em pelo menos duas outras ocasiões, ele também confundiu o nome da atual primeira‑dama com o de Marisa Letícia: durante um ato em Belo Horizonte, em 29 de agosto, e em um evento em Mauá, em 9 de fevereiro. Em agosto, a troca foi percebida pelo público, que reagiu em voz alta, e o presidente fez menção tanto a Marisa quanto a Janja ao longo do discurso.
“Faltava 30 segundos para acabar o jogo, a bola na mão do argentino e eu falei ‘puta merda, Marisa, eu vou tomar um whiskeyzinho porque o Corinthians vai marcar o gol, Marisa'”, disse Lula durante o comício em Guarulhos.
O que está em jogo
Politicamente, a recorrência desses episódios alimenta debate sobre a imagem pública do presidente nas vésperas de uma disputa eleitoral. Para eleitores e adversários, lapsos de memória em eventos públicos podem ser explorados como sinais de desgaste pessoal ou físico. Para apoiadores, tratam‑se de falhas pontuais sem impacto na agenda política.
Além do aspecto pessoal, o discurso em Guarulhos teve conteúdo político explícito: o presidente defendeu a proibição das casas de apostas no futebol, argumentando que o esporte não precisa desse tipo de investimento para prosperar. A crítica surgiu após clubes brasileiros terem publicado notas favoráveis às empresas de aposta.
| Data | Local | Observação |
|---|---|---|
| 9 de fevereiro de 2026 | Mauá (SP) | Troca de nomes durante discurso em evento local |
| 29 de agosto de 2026 | Belo Horizonte (MG) | Confusão pública; correção após reação do público |
| 18 de setembro de 2026 | Guarulhos (SP) | Repetição da troca durante comício; Janja se aproxima e cochicha |
Repercussão e consequências locais
Em Guarulhos, cidade com forte eleitorado metropolitano e palco frequente de manifestações políticas, o episódio teve apelo midiático pela combinação de futebol, política e imagem presidencial. O comentário sobre o Corinthians, clube com grande torcida na região metropolitana de São Paulo, e a menção às casas de apostas tocaram em temas sensíveis para parte do eleitorado guarulhense, que frequentemente debate a relação entre esporte, patrocínio e integridade das competições.
Os episódios anteriores, registrados em outras praças, mostram padrão que tende a ser explorado tanto por opositores como por aliados, dependendo do interesse político do momento. À medida que a campanha avança, cada aparição pública do presidente passa a ser observada com mais atenção, e lapsos que antes poderiam ser tratados como incidentes isolados ganham potencial de afetar a narrativa sobre capacidade e preparo para um novo mandato.
Em nota pública anterior sobre as críticas às bets, o presidente já havia sinalizado disposição de tomar medidas em seu eventual próximo governo. O comício em Guarulhos reforçou essa posição, ao mesmo tempo em que suscitou novo foco nas oscilações de fala do mandatário.
O episódio reitera o papel de Guarulhos como palco de eventos políticos de alcance nacional e a importância de observar, além do conteúdo das mensagens, a dimensão simbólica das falas em campanha.