O senador Sergio Moro (PL-PR) anunciou a intenção de, caso eleito, construir um presídio estadual de segurança máxima no Paraná em homenagem às políticas de segurança adotadas em El Salvador. A declaração foi proferida após evento técnico sobre políticas públicas de enfrentamento ao crime e reacende a discussão nacional sobre a adoção de medidas inspiradas no chamado “modelo Bukele”.
Proposta e justificativa
Moro afirmou que o estado não deve ficar refém da política e da segurança federal e chamou a experiência salvadorenha de "inspiradora". Segundo o senador e ex-ministro, a construção de um estabelecimento de segurança máxima daria ao Paraná "autonomia de gestão" sobre o sistema penitenciário estadual. Em referência ao encontro no qual falou sobre o tema, Moro disse:
"Esse é um evento técnico, é um evento para discutir essas políticas públicas, e esse é um tema importante do Brasil, porque o Brasil vive uma epidemia de crime".
O que se propõe e as declarações públicas
Em suas colocações, o ex-juiz destacou também que, durante sua gestão no Ministério da Justiça, houve aumento do número de internos e que hoje há dificuldade para inclusão de novos presos. "Nós queremos ter o nosso presídio estadual [no Paraná] de segurança máxima para nós termos autonomia de gestão", afirmou. A proposta, nas palavras do senador, seria uma forma de homenagear “o trabalho que foi feito na Ilha do Salvador, dessa redução de assassinatos, da retomada do território”.
Contexto internacional e críticas
O "modelo Bukele" — associado ao presidente Nayib Bukele, no poder em El Salvador desde 2019 — tem sido apontado por apoiadores como uma solução enérgica para a criminalidade. No entanto, organismos internacionais e especialistas em direitos humanos têm criticado práticas adotadas no país centro-americano.
- Entre as medidas citadas estão a construção de megaprisões e a detenção em massa de suspeitos.
- Há relatos de prisões sem mandado judicial e de detenções arbitrárias, segundo organismos internacionais.
- Critica-se a restrição do direito de defesa e a manutenção de detidos por dias sem acusações formais.
Esses pontos fazem parte do debate público que se acende sempre que políticos brasileiros citam experiências estrangeiras como referência. No campo político nacional, o discurso de Moro aproxima-se de outros candidatos de direita que já declararam interesse em medidas mais duras de segurança pública.
Repercussão no Brasil e implicações para políticas públicas
A menção repetida ao modelo salvadorenho por candidatos e representantes política revela um interesse em medidas de segurança marcadas pela dureza operacional. Contudo, especialistas em segurança pública e direitos humanos costumam alertar para os custos institucionais e sociais desse caminho: fragilização de garantias processuais, possibilidade de prisões arbitrárias e impactos sobre o sistema judiciário e carcerário.
| Aspecto | Referência no debate |
|---|---|
| Inspiração | Práticas de El Salvador, citadas por Moro como "inspiradoras" |
| Medidas apontadas | Megaprisões, aumento de internos, detenções em massa |
| Críticas | Violações de direitos humanos, prisões sem mandado, restrição ao direito de defesa |
Para os leitores de Salvador e da Bahia, o episódio reforça a necessidade de acompanhar como propostas de segurança pública — ainda que originadas em outros estados ou países — podem repercutir nas esferas federal e local. Debates sobre prisões e políticas de enfrentamento ao crime têm efeitos sobre orçamento, gestão penitenciária, integração de políticas sociais e respeito às garantias constitucionais.
Ao mesmo tempo, a referência a El Salvador remete a uma discussão mais ampla sobre importação de modelos: até que ponto resultados em contextos distintos podem justificar mudanças profundas em estruturas jurídicas e administrativas brasileiras? A resposta exige diálogo entre gestores, juristas, sociedade civil e organizações de direitos humanos, e não apenas a adoção automática de práticas externas.
O anúncio de Moro ainda gera espaço para reação de atores políticos, de entidades de defesa dos direitos humanos e de especialistas em segurança pública. Resta acompanhar se a proposta avançará para um projeto concreto ou se permanecerá como mote de campanha — e quais consequências teria caso se tornasse política pública.
Correspondente na Bahia, WE NEWS.