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Torres Novas alerta para risco de linhas de muito alta tensão associadas a projetos renováveis

A Comissão de Utentes do Médio Tejo pediu à Câmara de Torres Novas esclarecimentos sobre eventuais projectos da REN que impliquem linhas de muito alta tensão no concelho, apesar de não existir uma ZAER no território. A preocupação centra-se nas faixas de proteção e no eventual atravessamento de zonas habitadas.

Torres Novas alerta para risco de linhas de muito alta tensão associadas a projetos renováveis
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Em Torres Novas, a possibilidade de instalação de linhas de muito alta tensão associadas ao transporte de eletricidade proveniente de novos projectos de energias renováveis motivou um pedido de esclarecimento por parte da Comissão de Utentes do Médio Tejo à Câmara Municipal. A intervenção, feita durante a última reunião do executivo municipal, sublinhou a necessidade de o município acompanhar com atenção eventuais traçados e infraestruturas da Rede Elétrica Nacional (REN).

ZAER fora do concelho, mas preocupação mantém‑se

O presidente da Câmara confirmou que, neste momento, o concelho de Torres Novas não está abrangido por nenhuma Zona de Aceleração de Energias Renováveis (ZAER). Esse facto foi recebido com alívio por representantes da Comissão de Utentes, que entenderam ser positivo não existirem, para já, áreas identificadas para empreendimentos fotovoltaicos ou eólicos no território.

No entanto, a ausência de uma ZAER não dissipa por completo as dúvidas: a preocupação prende‑se com as infraestruturas necessárias para escoar a produção de eletricidade, nomeadamente o traçado de linhas de muito alta tensão e as respetivas «faixas de proteção», que podem concordar e atravessar áreas habitadas.

«Aquela eletricidade não vai pelos feixes cartesianos como os telemóveis. Eletricidade precisa de fios e os fios têm que estar pendurados em postes»,

disse Manuel José Soares, representante da Comissão de Utentes do Médio Tejo, ao alertar para o impacto que estas estruturas podem ter no território.

Traçados e exemplos fora do concelho

Como exemplo das tensões que estes projectos podem gerar, Manuel Soares apontou para o caso do município do Gavião, que tem contestado o transporte de energia elétrica em direção a Espanha. Cádiz, em comum com outros casos, demonstra que a instalação de linhas de transporte pode originar conflitos entre operadores, administrações locais e populações.

A intervenção chamou ainda a atenção para um traçado previsto na zona de Alcanena, que passa pela zona de Moitas Venda e se aproxima do concelho de Torres Novas. O representando pediu à autarquia que aprofunde a informação sobre essas infraestruturas elétricas para que a população e os órgãos locais possam avaliar eventuais riscos e constrangimentos.

  • Confirmada: não existe uma ZAER em Torres Novas.
  • Nó de preocupação: traçados de linhas de transporte de energia da REN e suas faixas de proteção.
  • Exemplo referido: contestação do transporte de energia no município do Gavião.

Pedido de acompanhamento e transparência

O apelo da Comissão de Utentes foi dirigido à Câmara para que solicite e partilhe informação sobre eventuais planos da REN ou de promotores privados que impliquem novas linhas de muito alta tensão nas imediações do concelho. Os riscos apontados incluem ocupação de espaço, condicionamento de uso do solo e impacto sobre habitações e povoações atravessadas pelos traçados.

Assunto Situação
ZAER em Torres Novas Não existe
Preocupação principal Linhas de muito alta tensão e faixas de proteção
Exemplo citado Problemas em Gavião; traçado em Alcanena/Moitas Venda

Na ótica das colectividades e dos moradores contactados indirectamente pela intervenção, o desejo é que o município actue com transparência, exigindo planos de traçados, estudos de impacto e consultas públicas sempre que se trate de infraestruturas com potencial de afetar áreas residenciais e terrenos agrícolas.

A discussão, lançada em sede de reunião municipal, abre uma nova fase de vigilância por parte das estruturas locais: mesmo sem ZAER declarada, as redes de transporte de energia poderão cruzar limites administrativos. Para a população, isso traduz‑se em exigência de informação clara e em participação nas decisões que possam modificar o uso do solo e a paisagem.

A autarquia admite aprofundar os esclarecimentos sobre estas infraestruturas, seguindo o pedido formalizado pela Comissão de Utentes do Médio Tejo, que continuará a acompanhar desenvolvimentos regionais relacionados com o planeamento energético e os seus efeitos no concelho.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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