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Tomar prepara edição especial da Feira de Santa Iria para assinalar 400 anos

A Feira de Santa Iria, criada por carta real em 1626, regressa a Tomar de 16 a 25 de outubro. A Câmara Municipal promete uma edição que cruza tradição, música e novas experiências para celebrar quatro séculos de história.

Tomar prepara edição especial da Feira de Santa Iria para assinalar 400 anos
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Feira centenária volta a ocupar o calendário cultural e comercial de Tomar

Em ano de comemoração dos 400 anos desde a sua criação por carta real — datada de 3 de outubro de 1626 — a Feira de Santa Iria regressa a Tomar entre 16 e 25 de outubro. A Câmara Municipal anunciou que, para assinalar «quatro séculos de história, memórias e tradição», prepara «uma edição muito especial onde a tradição se cruza com a música, a animação e novas experiências».

O certame, que historicamente se realiza em meados de outubro e inclui o dia 20 — dedicado à padroeira da cidade — tem sido, desde o século XVII, um marco no calendário local. Exceto em circunstâncias excecionais, como a pandemia em 2020 e 2021, a feira decorre anualmente e mantém a sua duração habitual de dez dias.

Raiz histórica e transformação ao longo dos séculos

Segundo documentos da época, a Feira de Santa Iria substituiu um certame anterior dedicado a Santo André e, durante largas fases da sua existência, foi essencialmente um mercado de abastecimento para a região. Nos primórdios, os registos identificam a presença de vendedores tão diversos como tendeiros, sirgueiros, ourives, sapateiros, oleiros e comerciantes de géneros alimentares — nomeadamente peixeiros, vendedores de legumes, pão, alhos e produtos regionais.

Ao longo do século XX, a feira manteve essa função de ponto de aprovisionamento para muitas famílias do concelho e arredores, servindo para comprar roupa, calçado, alfaias agrícolas e mantimentos para o inverno. Com o tempo, a sua natureza foi-se modificando: hoje a componente mercantil mantém-se, mas são os equipamentos de lazer, os espaços de gastronomia e a programação musical que atraem maior afluência.

Programação e atrações — tradição e contemporaneidade

  • Data: 16 a 25 de outubro, com destaque para o dia 20, feriado religioso dedicado à padroeira;
  • Comemoração: 400 anos desde a carta real de Filipe III de Portugal (3 de outubro de 1626);
  • Âmbito: combinação de venda tradicional, espaços gastronómicos, animação musical e equipamentos de diversão;
  • Manifestações culturais: procissão da padroeira com participação das crianças das escolas do concelho (tradição mantida nos últimos anos).

Uma das características que sobrevive é a Feira das Passas, herança do significativo número de produtores de frutos secos da região. Ainda que a produção atual seja mais reduzida, este espaço continua a ser procurado pelos visitantes e a afirmar a ligação do concelho às suas tradições agrícolas.

Impacto local e expectativas

Para a Câmara, a edição de 2026 deverá assumir um papel duplo: celebrar quatro séculos de história e, ao mesmo tempo, projectar a feira para públicos novos, conciliando memória e inovação. A intenção oficial é que a festa permaneça um espaço de convívio e reencontro, mas também um palco para novas experiências que renovem o apelo do certame nas próximas décadas.

«Uma edição muito especial onde a tradição se cruza com a música, a animação e novas experiências.»

O encontro anual mantém ainda um componente litúrgica e cívica, com a tradição da procissão no dia dedicado à padroeira, um dos momentos mais emotivos para a comunidade escolar e para os residentes que participam ativamente nas celebrações.

Elemento Dados
Período da feira 16 a 25 de outubro de 2026
Origem Carta real de Filipe III, de 3 de outubro de 1626
Destaque histórico Feira das Passas e função tradicional como mercado de abastecimento

A realização da Feira de Santa Iria assume, assim, não só um carácter festivo como também uma responsabilidade de conservação de memórias colectivas. A Câmara Municipal responsabiliza-se por equilibrar a preservação das práticas tradicionais com iniciativas de animação pensadas para atrair visitantes e dinamizar a economia local.

Nos próximos dias espera-se o calendário detalhado da programação — horários de actuações, lista de expositores e logística de acesso — que será divulgado pela autarquia, permitindo aos comerciantes, produtores e população preparar a participação nesta que é uma das mais antigas e emblemáticas feiras do país.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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