Executivo municipal recuou em proposta mas contestação mantém‑se
O aumento do preço da água no Barreiro tem estado no centro do debate público local nas últimas semanas e gerado manifestações de indignação entre consumidores, segundo relatos das forças políticas locais. A proposta de alteração do tarifário, anunciada pelo presidente da Câmara através de um vídeo publicado nas redes sociais, acabou por ser agendada para discussão mas foi retirada no próprio dia da reunião, com a garantia de que regressará brevemente.
Em reacção, o vereador eleito pelo PSD, José Paulo Rodrigues, defendeu que um eventual recuo na proposta não é suficiente: pede que seja apurado o valor cobrado em excesso desde maio e que seja encontrada uma solução para restituir aos consumidores aquilo que, segundo o seu ponto de vista, foi pago a mais.
«Se agora se reconhece que é possível aplicar um tarifário mais baixo, então há uma consequência elementar: deve ser apurado o montante cobrado em excesso desde Maio e encontrada uma solução para devolver aos consumidores»
Na sua declaração, o vereador do PSD recorda que as faturas recebidas pelos barreirenses mostraram, na maioria dos casos, aumentos superiores a 75% nos serviços essenciais — água, saneamento e resíduos — e que a contestação não nasceu de um mal‑entendido, mas da percepção directa do impacto nas famílias.
Críticas do PSD e exigência de transparência
O PSD afirma que, quando a proposta foi levada à Câmara em Abril, votou contra e alertou para três problemas fundamentais:
- Dimensão do aumento — foi considerado abrupto e «brutal»;
- Falta de transparência — ausência de clarificação sobre o impacto real nas famílias;
- Ausência de demonstração — falta de prova de que a Câmara esgotou medidas para reduzir custos e ineficiências antes de transferir o encargo para os consumidores.
O executivo socialista terá justificado a subida com a necessidade de cumprir exigências da ERSAR e de garantir a sustentabilidade económica dos serviços. Segundo o PSD, essa explicação «nunca contou a história toda» e, por isso, exige agora que, caso se reconheça poder aplicar um tarifário mais baixo, se proceda ao apuramento do que foi cobrado em excesso e à devolução dessas quantias através das faturas.
Calendário e pontos centrais
Dos elementos tornados públicos pela oposição e pela sequência dos acontecimentos, destacam‑se os seguintes marcos:
| Data | Evento |
|---|---|
| Abril | Proposta de alteração do tarifário levada à Câmara Municipal; voto contra do PSD |
| Maio (mencionado) | Início do período referido pelo PSD para apuramento de eventuais cobranças em excesso |
| Data mais recente | Proposta anunciada pelo presidente da Câmara, agendada e retirada no dia da reunião |
Consequências e exigências locais
O episódio instalou um clima de desconfiança entre uma parte significativa dos consumidores do Barreiro e o executivo municipal. O PSD exige «transparência total sobre os custos» e defende que, se for possível aplicar um tarifário mais baixo, isso implica que se apure quanto foi cobrado a mais e se restituam esses valores aos consumidores.
Até ao momento, não foram divulgados pela Câmara Municipal do Barreiro detalhes sobre os critérios que levaram ao cálculo do novo tarifário nem um cronograma público para a eventual devolução de valores, caso se confirme que houve cobranças em excesso. Também não foi anunciada uma data concreta para a reapresentação da proposta que foi retirada.
Os próximos passos dependerão das decisões que o executivo tomar nas próximas reuniões municipais e dos esclarecimentos que forem disponibilizados sobre a origem e a composição dos custos que fundamentaram o aumento das faturas. A questão mantém‑se como um assunto prioritário para as famílias barreirenses, devido ao seu efeito directo no orçamento doméstico.