O Parque Empresarial do Barreiro recebeu esta sexta‑feira a inauguração do Armazém 150, novo polo de dinamização cultural e artística promovido pela Arco Ribeirinho Sul. A abertura foi assinalada com duas exposições distintas — a mostra documental A Outra Guerra, Propaganda em Português na Segunda Guerra Mundial, da Ephemera, e a instalação audiovisual e tecnológica O Som é Silêncio / The Sound is Silence, do 18—25 Research Studio — inseridas nas comemorações das Jornadas Europeias do Património 2026.
Exposições com natureza e percurso distintos
A exposição da Ephemera, organizada por José Pacheco Pereira, apresenta um conjunto de materiais de época — livros, folhetos, cartazes e outros documentos — que ilustram as estratégias de propaganda utilizadas por vários países durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo a descrição da mostra, os materiais expostos permitem «conhecer o passado» e também «perceber e perspetivar o presente e o futuro».
«Na guerra a primeira vítima é a verdade»
A segunda proposta, O Som é Silêncio / The Sound is Silence, é uma instalação concebida pelo colectivo 18—25 Research Studio e produzida pela Space Collectors. Trata‑se de um projecto audiovisual e tecnológico, reativo à presença do visitante, desenvolvido especificamente para o espaço industrial do Armazém 150. A peça inspira‑se em referências literárias, cinematográficas, históricas e sonoras que se cruzam numa constelação de fragmentos, ecos e memórias em transformação contínua.
Caracterização e intenções curatoriais
A instalação do 18—25 Research Studio combina luz, som, movimento e linguagem para explorar «as relações entre presença, vigilância, controlo e comportamento», apontam os promotores. O currículo do colectivo inclui a concepção de conteúdos para o pavilhão português na Bienal de Arquitectura de Veneza de 2025, enquanto a Space Collectors esteve envolvida no projecto expositivo da representação portuguesa na Bienal de Arte de Veneza de 2026.
Segundo a organização, as duas exposições «visam gerar grande impacto junto do público» e apostam em abordagens complementares: uma documenta factos e discursos históricos, a outra propõe uma experiência sensorial e interactiva que responde à presença do visitante no espaço industrial do Armazém 150.
- Local: Armazém 150, Parque Empresarial do Barreiro
- Iniciativa promotora: Arco Ribeirinho Sul
- Mostras em exibição: Ephemera (José Pacheco Pereira) e 18—25 Research Studio (produção Space Collectors)
- Enquadramento: Jornadas Europeias do Património 2026
O impacto local e a nova oferta cultural
A abertura do Armazém 150 representa a chegada de um novo equipamento cultural ao concelho, localizado na área empresarial do Barreiro. A escolha de projectos com forte componente documental e experimental mostra a intenção de atrair públicos diversificados — desde visitantes interessados em história e em propaganda de conflito até a públicos mais jovens e tecnológicos atraídos por instalações interactivas.
Embora a Arco Ribeirinho Sul seja a promotora das iniciativas, os detalhes sobre calendário de funcionamento, visitas guiadas ou programação complementar não foram divulgados na apresentação pública da inauguração. A presença de projectos com ligação a representações portuguesas em bienais internacionais acrescenta prestígio à aposta local e poderá contribuir para aumentar a visibilidade do Barreiro no mapa cultural nacional e internacional.
| Exposição | Autor / Produção | Foco |
|---|---|---|
| A Outra Guerra, Propaganda em Português na Segunda Guerra Mundial | Ephemera (José Pacheco Pereira) | Documentos de propaganda (livros, folhetos, cartazes) — análise histórica |
| O Som é Silêncio / The Sound is Silence | 18—25 Research Studio (produção Space Collectors) | Instalação audiovisual interactiva — luz, som e resposta à presença do visitante |
Para os residentes do Barreiro e da região Lisboa e Vale do Tejo, o Armazém 150 surge como uma nova sala de exposições que conjuga memória histórica e inovação expositiva. A aposta poderá incentivar visitas de estudo, parcerias culturais e aumentar a fruição do património, numa zona empresarial que vê assim reforçada a sua dimensão pública e cultural.