ULS afirma discrepância entre dados do SNS e registo local em Tomar
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo divulgou uma nota de esclarecimento dirigida à redação da Rádio Hertz em que contesta os indicadores de tempos de espera na urgência do Hospital Nossa Senhora da Graça, em Tomar, publicados recentemente no portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Segundo a ULS, os dados veiculados pelo portal do SNS, que apontavam para períodos na ordem das sete horas e meia para situações urgentes e até «17 horas» para utentes avaliados como pouco urgentes, «não estão correctas». Em oposição a esses números, a instituição local afirma que o tempo médio de espera para atendimento no Serviço de Urgência Básica (SUB) de Tomar, durante a segunda-feira em causa, «foi de 21 minutos».
«As informações veiculadas por aquela plataforma não estão correctas», refere a nota da ULS.
Comparativo regional e cumprimento da triagem
Na mesma nota, a ULS Médio Tejo refere ainda os tempos médios registados noutros pólos da unidade: Torres Novas, 46 minutos, e Abrantes, 50 minutos. A instituição sublinha que «todos os tempos estiveram dentro dos parâmetros definidos pela Triagem de Manchester».
Os valores apresentados pela ULS procuram contrariar a informação acessível online pelo portal do SNS, que tinha colocado em discussão a perceção pública sobre o desempenho das urgências em diferentes unidades do país.
Dados apresentados
Para maior clareza sobre os tempos invocados, a ULS forneceu um resumo dos tempos médios de espera no dia referido:
| Unidade | Tempo médio de espera |
|---|---|
| Tomar (SUB) | 21 minutos |
| Torres Novas | 46 minutos |
| Abrantes | 50 minutos |
Repercussões locais e questões em aberto
Na cidade, a divulgação de tempos de espera tão divergentes — horas, segundo o portal do SNS, minutos, segundo a ULS — suscitou preocupação entre utentes e profissionais de saúde sobre a fiabilidade dos indicadores públicos. A transparência e a atualização dos dados em plataformas oficiais são apontadas por residentes como essenciais para a confiança no sistema de saúde local.
Contactada pela redação, a ULS Médio Tejo enviou exclusivamente a nota de esclarecimento já citada; o portal do SNS mantém publicamente os registos que deram origem à polémica. Até ao momento da publicação deste texto não houve divulgação de um acerto público desses registos por parte do SNS nem indicação formal de que os números online seriam revistos.
Impacto para quem vive em Tomar
Para os tomarenses que recorrem regularmente ao hospital, a divergência entre fontes traz insegurança quanto ao planeamento de cuidados e ao acesso em situações que não são de emergência crítica. A perceção de longas esperas pode desencorajar procura de cuidados ou levar a uma sobrecarga de outros serviços.
- Utentes em busca de atendimento exigem clarificação e atualização dos dados públicos.
- Profissionais locais destacam a importância de indicadores fiáveis para gestão e comunicação com a comunidade.
- A ULS argumenta que os tempos registados estiveram dentro dos parâmetros da Triagem de Manchester.
Esta divergência também coloca questões sobre os mecanismos de recolha, validação e publicação de tempos de espera nas plataformas nacionais, um tema que pode ter repercussões para outras unidades de saúde além do Médio Tejo.
O Hospital Nossa Senhora da Graça é uma referência para Tomar e concelhos limítrofes, e qualquer questionamento público sobre os seus indicadores tende a gerar debate local. A população aguarda agora um alinhamento de dados entre a ULS e o SNS ou a apresentação de explicações técnicas que justifiquem as discrepâncias observadas.
Continuaremos a acompanhar o desdobrar desta situação e a procurar esclarecimentos adicionais junto do SNS e da ULS Médio Tejo, bem como a ouvir utentes e profissionais do hospital para perceber o impacto quotidiano desses números na gestão dos serviços e na confiança da comunidade.