Saúde Abrantes Lisboa e Vale do Tejo

Abrantes atribui 22.500€ a duas médicas e destaca redução dos sem médico de família

A Câmara de Abrantes aprovou um apoio anual de 11.250€ a cada uma de duas médicas que integrarão a futura USF Plátanos, numa política municipal que o executivo afirma ter reduzido drasticamente o número de utentes sem médico de família.

Abrantes atribui 22.500€ a duas médicas e destaca redução dos sem médico de família
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

A Câmara Municipal de Abrantes aprovou, em reunião camarária, a atribuição de 22.500 euros a duas médicas de família, no âmbito do regulamento municipal de incentivo à fixação de profissionais de saúde. Cada profissional receberá um apoio anual de 11.250 euros e integra a equipa prevista para a futura Unidade de Saúde Familiar (USF) Plátanos, em Alferrarede, que se encontra em construção.

Regulamento e âmbito do apoio

O apoio, de caráter transitório, foi estabelecido pelo regulamento municipal aprovado pela Câmara em outubro de 2024 e ratificado pela Assembleia Municipal em fevereiro de 2025, tendo sido publicado em abril do mesmo ano. Segundo informação municipal, o incentivo aplica-se a profissionais de Medicina Geral e Familiar que exerçam funções nas USF abrangidas pelo regulamento e em determinadas unidades de cuidados de saúde primários (UCSP) do concelho.

O presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos (PS), estimou que a política de incentivos represente um investimento global municipal da ordem dos 200 mil euros por ano, valor que pretende assegurar a fixação de profissionais jovens e o reforço da capacidade das unidades locais.

«o número de pessoas sem cuidados primários terá passado de cerca de 40% a 50%, há dois anos, para 0,5% atualmente, segundo dados da ULS do Médio Tejo»

Dados, dúvidas e reação da oposição

Na reunião, o autarca ligou a política municipal de incentivos à evolução verificada no acesso aos cuidados primários em Abrantes, citando dados fornecidos pela Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo que apontam para uma redução acentuada do número de utentes sem médico de família. A oposição, contudo, colocou questões sobre essa cifra e pediu clarificações concretas sobre o número real de inscritos sem médico.

Em declarações durante a sessão pública, a vereadora Ana Oliveira (PSD) alertou para o risco de confusão na forma como o indicador dos «0,5%» foi comunicado, defendendo maior transparência e detalhamento dos dados por faixas etárias e por área geográfica. Nuno Serra (Chega) afirmou igualmente que a percentagem apresentada não corresponde à perceção que recolhe junto da população.

Capacidade e recursos humanos

O presidente da Câmara reiterou a confiança nos números reportados pela ULS do Médio Tejo e destacou a presença de 17 médicos jovens distribuídos por três USF do concelho:

  • 5 médicos na futura USF Plátanos (Alferrarede);
  • 5 médicos na USF Beira Tejo;
  • 7 médicos na USF D. Francisco de Almeida.

O município sublinha que o incentivo é atribuído durante o mandato eleitoral e será reavaliado no início do mandato seguinte, substituindo o regulamento anterior que vigorava desde 2019.

Item Valor / Número
Apoio por médico (anual) 11.250€
Total atribuído agora 22.500€
Médicos jovens no concelho 17
Estimativa de investimento anual municipal ~200.000€

Impacto local e próximos passos

Na cidade, a abertura da USF Plátanos é aguardada como um passo relevante para consolidar o acesso local aos cuidados primários, sobretudo na área de Alferrarede. A autarquia justifica a medida como parte de uma estratégia mais ampla para atrair e fixar profissionais em unidades que careciam de reforço de recursos humanos.

Ainda assim, a contestação da oposição quanto à precisão dos indicadores revela que a comunicação entre a Câmara, a ULS e as populações continua a ser um ponto sensível. Os munícipes queixam-se por vezes de dificuldades em marcar consultas de família e a discordância sobre as estatísticas sublinha a necessidade de divulgação mais granular dos dados — por exemplo, o número absoluto de utentes sem médico por freguesia e por faixa etária — para que a perceção pública e os números oficiais possam convergir.

Enquanto a USF Plátanos prossegue em obras, a Câmara diz esperar que a combinação de infraestruturas e incentivos financeiros aumente a estabilidade das equipas médicas. Resta agora aguardar a publicação de dados detalhados pela ULS do Médio Tejo que permitam verificar, com maior transparência, a evolução do acesso aos cuidados primários no concelho de Abrantes.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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