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Tomar celebra meio século da eletrificação do ramal que aproximou a cidade de Lisboa

Há 50 anos, a conclusão da eletrificação do Ramal de Tomar criou as condições para ligações diretas com Lisboa. A linha, com 14,7 km entre Tomar e a Lamarosa, tem uma história ligada ao desenvolvimento industrial, turístico e às Festas dos Tabuleiros.

Tomar celebra meio século da eletrificação do ramal que aproximou a cidade de Lisboa
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Meio século desde a eletrificação que mudou as ligações ferroviárias

Este sábado assinalam‑se 50 anos desde a conclusão do processo de eletrificação do Ramal de Tomar, um marco considerado decisivo para a ligação da cidade à capital. A cronologia da CP regista a data de 26 de setembro de 1976 como o dia em que a eletrificação entre a Lamarosa e Tomar ficou concluída, abrindo caminho a uma nova dinâmica de mobilidade entre a região e Lisboa.

A linha, com 14,7 quilómetros de extensão, liga Tomar à Linha do Norte na estação da Lamarosa. A modernização dos anos 70 não foi um acto isolado, mas antes um novo capítulo de uma história ferroviária que remonta ao início do século XX e que está profundamente ligada às necessidades económicas e sociais do concelho.

Um ramal nascido para vencer o isolamento

Quando começou a ser pensado e construído, o ramal respondia a circunstâncias concretas: estradas deficitárias, um transporte fluvial pelo Tejo ainda com relevância e uma atividade industrial local que exigia melhores ligações. A promoção turística e cultural de Tomar, nomeadamente as Festas dos Tabuleiros, também pesaram na justificação da linha.

  • 1913 — Câmara Municipal de Tomar recebe autorização para construir uma linha desde Paialvo.
  • 1915 — O ponto de ligação à Linha do Norte passa a ser Lamarosa.
  • 1924 — Contrato entre o município e a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses para construção e exploração do ramal.
  • 1925 — Início das obras.
  • 24 de setembro de 1928 — Inauguração da linha; o comboio inaugural partiu do Rossio (Lisboa) e chegou a Tomar ao meio‑dia.
  • 26 de setembro de 1976 — Data assinalada pela CP para a conclusão da eletrificação entre Lamarosa e Tomar.
  • Novembro de 1976 — Outra referência da CP aponta para a substituição dos comboios a diesel por eléctricos nesse mês e sublinha que as ligações diretas a Lisboa se consolidaram nos anos seguintes.
Data Evento
1913 Autorização para linha desde Paialvo
1928 (24 Setembro) Inauguração da linha; comboio inaugural desde o Rossio
1976 (26 Setembro) Eletrificação entre Lamarosa e Tomar (data na cronologia da CP)
1976 (Novembro) Registo alternativo da substituição de diesel por eléctricos

Impacto local e legado

Para Tomar, a electrificação representou mais do que uma alteração técnica: aproximou a cidade de centros de decisão e mercado, facilitou deslocações de residentes e visitantes e reforçou a atracção turística do concelho. A ligação directa a Lisboa facilitou o acesso às oportunidades de emprego e estudo na capital, ao mesmo tempo que potenciou o fluxo de visitantes, especialmente em anos em que as Festas dos Tabuleiros atraíam maior afluência.

Ao longo das décadas, o ramal serviu tanto o transporte de passageiros como de mercadorias. A eletrificação foi uma das intervenções mais significativas nessa trajectória de modernização, embora exista alguma variação nas datas divulgadas pela própria empresa pública, que refere a conclusão em setembro e uma transição operacional citada em novembro de 1976.

Hoje, a efeméride serve também para recordar a sequência de investimentos e decisões políticas que moldaram as infra‑estruturas regionais. A memória da inauguração de 1928 — quando o comboio partiu do Rossio e chegou a Tomar ao meio‑dia — permanece viva nos relatos sobre a afirmação da cidade enquanto pólo de actividade económica e destino turístico.

Em Tomar, a existência do ramal continua a ser um elemento identificador do território. A celebração dos 50 anos da electrificação é uma oportunidade para reflectir sobre o estado actual da linha, a sua manutenção e o papel que deve ter nas políticas regionais de mobilidade e coesão territorial.

Nos próximos anos, questões como a frequência dos serviços, a ligação com outras regiões e a integração do transporte ferroviário em estratégias locais de desenvolvimento vão permanecer no centro da agenda municipal e regional, numa cidade que entrelaça património, indústria e tradição cultural.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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