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Sintra: chefe de equipa ex-recluso coordena limpeza e proteção da serra na Parques de Sintra

António Santos, 61 anos, é hoje chefe de equipa de operação florestal na Parques de Sintra-Monte da Lua. Resultado de protocolos com serviços prisionais, cinco ex-reclusos trabalham actualmente na manutenção de cerca de <strong>1 000 hectares</strong>, função que alia reinserção social e gestão do território.

Sintra: chefe de equipa ex-recluso coordena limpeza e proteção da serra na Parques de Sintra
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Da prisão ao comando de uma equipa na serra de Sintra

Quando, em 2016, os serviços prisionais propuseram a António Santos trabalhar em regime aberto na floresta da serra de Sintra, o agora chefe de equipa não hesitou. Dez anos depois e aos 61 anos, lidera uma equipa de manutenção florestal na Parques de Sintra-Monte da Lua, empresa pública responsável pela gestão de cerca de 1 000 hectares de paisagem cultural na serra.

Entrou para a empresa, já em liberdade, como motosserrista graças à formação e experiência adquiridas enquanto recluso no âmbito do trabalho prisional. Este trajecto tornou-se exemplar do modelo que a Parques de Sintra procura desenvolver: combinar a necessidade de gerir e conservar espaços sensíveis com medidas concretas de reinserção social.

Trabalho diário e resposta a eventos extremos

Em início de manhã de agosto, a equipa de António procedia à remoção de uma grande árvore arrancada pela raiz no Parque de Monserrate, consequência da tempestade Kristin que fustigou a serra no final de janeiro. A intervenção realça não só a rotina de manutenção como a importância de equipas treinadas para responder a danos causados por eventos climáticos.

«Se eu não tivesse aquela experiência que já tinha adquirido antes, não sei se seria assim, porque também não estava pronto para fazer o trabalho que era preciso fazer»

A frase de António, dirigida à Lusa, resume o entrelaçamento entre formação prática e oportunidade de integração laboral. A Parques de Sintra refere que, hoje, são cinco os ex-reclusos a trabalhar nas áreas de limpeza e manutenção de floresta e jardinagem, três deles a exercer funções de chefe de equipa.

Protocolos e objectivos

O envolvimento destes trabalhadores resulta de protocolos celebrados ao longo dos anos entre a Parques de Sintra-Monte da Lua e a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP). O mais recente desses acordos foi assinado em fevereiro e permite, no presente, que cinco reclusos em regime aberto, provenientes de cadeias próximas, desenvolvam actividades de manutenção florestal sob tutela da empresa pública.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra, o objectivo é «aliar duas grandes valências»: por um lado, a capacidade de contribuir para a reinserção social de pessoas que estiveram privadas de liberdade; por outro, a necessidade de garantir a gestão e conservação eficazes da paisagem cultural e florestal que a entidade tutela.

Impacto local e desafios

Para a comunidade local e para quem frequenta os espaços verdes da serra, a presença de equipas permanentes e de trabalhadores qualificados é vista como um fator de segurança e de valorização do território. A recuperação de áreas danificadas por tempestades, a limpeza de mato e a manutenção de infra‑estruturas têm efeitos directos na prevenção de riscos, incluindo o risco de incêndio.

Os desafios permanecem: adaptar a gestão a fenómenos climáticos mais frequentes e intensos, assegurar continuidade dos programas de formação e emprego, e integrar estas práticas na estratégia mais ampla de conservação do património natural e cultural de Sintra.

  • 5 ex-reclusos trabalham actualmente na Parques de Sintra em manutenção florestal e jardinagem.
  • 3 desses ex-reclusos ocupam cargos de chefe de equipa.
  • Área gerida pela Parques de Sintra-Monte da Lua: cerca de 1 000 hectares.

Testemunho de campo e perspectivas

No terreno, a presença de António e da sua equipa é notória: tarefas pesadas, muitas vezes realizadas em condições adversas, e um sentido de responsabilidade acrescido perante um património reconhecido internacionalmente. A experiência demonstrada pelos trabalhadores formados no contexto prisional contribui para a profissionalização das equipas e para respostas mais rápidas a situações de emergência, como foi necessário após a tempestade Kristin.

Os protocolos com a DGRSP, renovados e ampliados ao longo dos anos, mostram-se uma via prática para promover a reinserção social através do trabalho e, ao mesmo tempo, reforçar a capacidade de gestão territorial da Parques de Sintra. Resta acompanhar se estes modelos serão alargados e integrados de forma sistemática nas políticas locais de proteção da serra e de inclusão laboral.

ItemValor
Trabalhadores ex-reclusos5
Chefes de equipa ex-reclusos3
Área gerida~1 000 hectares

O caso de António Santos ilustra uma transformação pessoal e institucional que tem repercussões concretas em Sintra: da reabilitação de uma pessoa passando pela conservação de uma paisagem que é, para a cidade, identidade e recurso.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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