Sociedade Cascais Lisboa e Vale do Tejo

Sindicato acusa despedimento colectivo que pode afetar mais de 175 postos no Cascais Miragem

O Sindicato dos Trabalhadores da Hotelaria do Sul denunciou a intenção de avançar com um despedimento colectivo no Hotel Cascais Miragem que inclui mais de 140 trabalhadores efectivos e 35 contratados a termo, alegadamente devido a um encerramento temporário para obras de remodelação.

Sindicato acusa despedimento colectivo que pode afetar mais de 175 postos no Cascais Miragem
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul revelou esta terça-feira a intenção da administração do Hotel Cascais Miragem de avançar com um processo de despedimento coletivo que abrangeria mais de 140 trabalhadores efectivos e 35 contratados a termo. Em comunicado, a estrutura sindical classificou a medida como «profundamente injusta e socialmente inaceitável» e alertou para o impacto que a decisão pode ter no concelho de Cascais e nas famílias dos trabalhadores afetados.

Empresa justifica encerramento temporário para obras

Segundo o comunicado do sindicato, a administração do hotel justificará o recurso ao despedimento coletivo com o encerramento temporário da unidade para a realização de obras de remodelação. O documento sindical sublinha, porém, que não existe indicação de encerramento definitivo da exploração hoteleira, prevendo-se a reabertura após a conclusão das intervenções.

O Hotel Cascais Miragem Health & SPA foi adquirido em 2025 por um grupo espanhol formado pela Ibervalles e pela ARD Investment & Development por cerca de 125 milhões de euros. Está previsto um investimento adicional aproximado de 80 milhões de euros para remodelação e reposicionamento, o que elevaria o total investido para cerca de 205 milhões de euros.

Contestação sindical e dúvidas sobre a adequação legal

O sindicato defende que, sendo esta uma suspensão temporária da atividade com vista a obras e reabertura, existem alternativas que permitiriam a manutenção dos postos de trabalho durante o período de encerramento. A estrutura sindical questiona ainda se a qualificação do processo como despedimento coletivo cumpre os pressupostos do n.º 2 do artigo 359.º do Código do Trabalho, lançando dúvidas sobre a utilização adequada desse mecanismo legal e sobre a sua compatibilidade com o princípio constitucional que proíbe despedimentos sem justa causa.

«Profundamente injusta e socialmente inaceitável»

O sindicato já solicitou reuniões com a administração para clarificar a situação e discutir soluções que possam evitar a perda de emprego, segundo o mesmo comunicado.

Impacto local e interrogações para o concelho de Cascais

O anúncio suscita preocupação no tecido económico local. Cascais, que tem na hotelaria e no turismo setores estruturantes da sua atividade económica, enfrenta agora o risco de ver centenas de trabalhadores diretamente afetados por uma suspensão das operações numa das unidades mais conhecidas do concelho. Para além das implicações diretas para as famílias dos trabalhadores, um despedimento coletivo desta dimensão pode ter efeitos indiretos sobre fornecedores, comércio local e serviços que interajam com o hotel.

Do lado da administração do hotel, para já não há declarações públicas conhecidas para além do motivo formal apontado — obras de remodelação — nem um calendário detalhado dos trabalhos ou da eventual reabertura. Também não foram divulgadas informações sobre medidas de apoio aos trabalhadores durante o período de encerramento, nem sobre alternativas propostas pelo grupo proprietário.

Elemento Valor referido
Trabalhadores efectivos abrangidos mais de 140
Contratos a termo abrangidos 35
Aquisição (2025) ~125 milhões €
Investimento adicional previsto ~80 milhões €

Perante a ausência de informação pública mais detalhada, o pedido de esclarecimentos do sindicato e as potenciais repercussões económicas e sociais, há uma expectativa crescente na cidade por respostas rápidas: que soluções têm os proprietários para preservar o emprego durante as obras; que direitos laborais serão respeitados; e qual o calendário efetivo das intervenções. As autoridades locais e parceiros sociais poderão ser chamados a intervir caso o processo avance na forma anunciada.

  • O sindicato denuncia despedimento coletivo que envolveria >175 trabalhadores no total.
  • Proprietários adquiriram o hotel em 2025 e anunciam remodelação com investimento total estimado em ~205 milhões de euros.
  • Sindicato questiona adequação jurídica do procedimento e exige reuniões com a administração.

Na sequência deste anúncio, a redacção continuará a acompanhar o desenvolvimento da situação e a procurar as posições oficiais da administração do Hotel Cascais Miragem, das empresas proprietárias e das autoridades locais sobre medidas de protecção social e alternativas de manutenção do emprego durante o período de obras.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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