O aumento da presença de javalis na Serra de Sintra tem gerado preocupação crescente entre os proprietários de quintas e responsáveis pela gestão dos espaços verdes. Danos em relvados, hortas e árvores de fruto, bem como riscos associados à circulação rodoviária, são apontados como efeitos visíveis de uma situação que, segundo alguns residentes, se agravou nos últimos dois anos.
Proprietários recorrem a vedações e relatam prejuízos
Rita de Castro Neto, presidente da Associação de Proprietários de Quintas da Serra de Sintra (APQSS), afirma que há um aumento claro no número de observações de javalis e que vários associados já sofreram estragos consideráveis. Como medida de protecção, alguns proprietários instalaram vedações electrificadas, alegando que as cercas convencionais são facilmente ultrapassadas ou destruídas pelos animais.
Os javalis têm sido frequentemente avistados junto a árvores de fruto, hortas e relvados, onde revolvem o solo em busca de alimento, deixando extensas áreas danificadas. A presença de varas, por vezes acompanhadas por crias, aumenta a apreensão quanto à segurança, sobretudo nas proximidades de estradas.
«Cada vez são mais, isso não há dúvida nenhuma»
Como exemplo dos riscos rodoviários, a presidente da APQSS refere o atropelamento de um javali ocorrido em abril, durante a madrugada, na estrada de Galamares. O episódio sublinha a possibilidade de colisões entre veículos e a fauna que se move no perímetro da serra.
Monitorização por fotoarmadilhagem e indefinição sobre o número de exemplares
A empresa Parques de Sintra — Monte da Lua (PSML), que gere espaços como o perímetro florestal integrado no Parque Natural de Sintra-Cascais e os parques da Pena e de Monserrate, confirmou a presença dos javalis em várias zonas sob a sua tutela. Desde outubro de 2025 que tem vindo a reforçar a monitorização mediante câmaras de fotoarmadilhagem, com o objectivo de mapear a distribuição, padrões de actividade e impactos causados.
A PSML alerta, no entanto, para a dificuldade em traduzir os registos em contagens exactas: diferentes imagens podem corresponder aos mesmos exemplares, pelo que ainda não é possível determinar o número total de animais presentes na serra. Apesar disso, a empresa reconhece que a circulação tem sido frequente, com registos diários em determinados períodos e locais.
Até ao momento, a PSML reportou apenas danos pontuais em áreas como os parques da Pena e de Monserrate, sem, segundo a mesma entidade, colocar em causa a integridade dos sítios enquanto espaços visitáveis.
Opções de gestão e preocupações dos moradores
Além das vedações electrificadas adoptadas por alguns proprietários, as notícias recentes indicam que o ICNF admite a utilização de armadilhas para captura controlada como uma das medidas de gestão da população de javalis. A adoção de intervenções deste tipo, porém, implica procedimentos técnicos e legais que envolvem autoridades competentes e o levantamento de dados fiáveis sobre distribuição e abundância.
- Áreas onde os javalis foram detectados: perímetro florestal do Parque Natural de Sintra-Cascais, parques da Pena e de Monserrate;
- Monitorização reforçada desde outubro de 2025 com photoarmadilhagem pela PSML;
- Medidas de protecção privadas: vedações electrificadas em quintas; medidas públicas em debate, incluindo captura com armadilhas pelo ICNF.
Moradores e proprietários contactados manifestação de preocupação sobre a evolução do fenómeno e sobre o eventual aumento dos custos de manutenção e protecção das propriedades. Para muitos, a instalação de vedações electrificadas representa uma despesa adicional e um sinal visível de alteração do equilíbrio entre espaço humano e fauna selvagem.
| Entidade | Acção | Observação |
|---|---|---|
| Parques de Sintra — Monte da Lua | Fotoarmadilhagem | Monitorização desde outubro de 2025; dados em análise |
| APQSS | Relato de danos e recomendações | Proprietários instalaram vedações electrificadas |
| ICNF | Admite captura com armadilhas | Medida sujeita a legislação e planeamento técnico |
As autoridades locais e as entidades de conservação enfrentam agora o desafio de conciliar a protecção do património natural e paisagístico de Sintra com a mitigação dos impactos socioeconómicos sobre quem vive e trabalha na serra. A articulação entre proprietários, PSML e ICNF será determinante para definir as próximas etapas de intervenção e garantir respostas proporcionais e sustentáveis.
Enquanto essas decisões não são tomadas, os residentes continuam a adaptar as suas propriedades e a registar encontros cada vez mais frequentes com os javalis que percorrem a serra, reforçando a urgência de uma estratégia coordenada para gerir a presença crescente destes animais em Sintra.