Em reunião realizada recentemente, a Câmara Municipal de Setúbal e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) definiram um conjunto de medidas preparatórias para reduzir a entrada de javalis em áreas urbanas e balneares da cidade. O encontro reuniu a vice-presidente da Câmara, Maria do Carmo Tiago, e o diretor regional de Lisboa e Vale do Tejo do ICNF, Carlos Albuquerque, que explicou a nova abordagem centrada nos «canais de entrada» utilizados pelos animais.
Prioridade aos corredores de passagem
Segundo o ICNF, a estratégia passa por identificar os percursos que ligam o Parque Natural da Arrábida aos núcleos urbanos e às praias e a atuar nesses pontos para impedir a progressão dos animais até às zonas residenciais. Em declarações à agência Lusa, Carlos Albuquerque detalhou a natureza das intervenções:
«Para já, vamos identificar as zonas de passagem e tentar fazer alguma extração dos animais com armadilhas ou caça»e alertou que os efeitos das medidas só deverão ser sentidos a médio prazo.
Dados recentes e enquadramento
O ICNF informa que, entre 1 de junho de 2025 e 31 de maio de 2026, foram abatidos cerca de 700 javalis no Parque Natural da Arrábida. Apesar deste número, o instituto considera que a população continua numerosa, embora estável, e admite a ausência de dados absolutos sobre a dimensão das populações — sendo recorrente a utilização de estimativas para monitorização.
| Período | Animais abatidos (estim.) |
|---|---|
| 1 jun. 2025 – 31 mai. 2026 | c. 700 |
Medidas práticas e responsabilidades
O plano operativo decidido com o ICNF inclui, de forma destacada, a atuação em pontos de passagem e a utilização de armadilhas e ações de caça, quando autorizadas. O instituto tem dado prioridade aos pedidos de Correção de Densidades Excessivas de javali no Parque Natural da Arrábida. Importa sublinhar dois aspetos organizativos que condicionam a intervenção:
- A maioria dos terrenos no parque é privada, pelo que o controlo da densidade é, em muitos casos, promovido pelos proprietários;
- As intervenções são efetuadas por pessoas certificadas e mediante pedidos dirigidos ao ICNF, conforme a regulamentação vigente.
O ICNF esclarece ainda que o aumento dos avistamentos junto de zonas urbanas não corresponde necessariamente a um crescimento descontrolado da população, uma vez que o período pós-nascimento leva animais mais jovens a explorar novos territórios, tornando-os mais visíveis junto das populações humanas.
Impacto local e prazos
Do ponto de vista municipal, as ações consensualizadas com o ICNF orientam-se para a prevenção e contenção nas vias de chegada à cidade e às áreas balneares, com o objetivo de reduzir situações de risco para pessoas, bens e espaços naturais. O diretor regional do ICNF alertou para a necessidade de enquadrar as expectativas sobre a rapidez dos resultados: as operações previstas devem começar por identificar e intervir em corredores de passagem e só no médio prazo se poderão avaliar efeitos significativos na frequência de avistamentos em Setúbal.
As medidas combinam, assim, vigilância territorial, ações de extração quando justificadas e cooperação com proprietários e entidades locais. A coordenação entre o município e o ICNF pretende responder a um problema que tem mobilizado atenções públicas e que envolve, simultaneamente, gestão de fauna, direito de propriedade e segurança das populações.