Saúde Sintra Lisboa e Vale do Tejo

Ministra alerta para semanas de forte pressão nas urgências do Hospital de Amadora‑Sintra

A ministra da Saúde avisou que as próximas semanas serão de «grande pressão» nas urgências da região Lisboa e Vale do Tejo, com especial incidência no Hospital de Amadora‑Sintra, citando carências de profissionais e mais de 240 mil pessoas sem médico de família nos concelhos daquela área.

Ministra alerta para semanas de forte pressão nas urgências do Hospital de Amadora‑Sintra
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Lisboa — A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, advertiu esta terça‑feira para um período de «grande pressão» nas urgências da região Lisboa e Vale do Tejo, com reflexos sentidos, sobretudo, no Hospital de Amadora‑Sintra. A intervenção teve lugar em Porto de Mós, onde participou na inauguração dos trabalhos de remodelação do centro de saúde local.

Diagnóstico da ministra e causas apontadas

A governante afirmou que as próximas semanas «vão ser semanas de grande pressão», referindo‑se de forma particular ao Hospital de Amadora‑Sintra, que classificou como a «mais sobrecarregada do país». Ana Paula Martins enumerou várias razões para este agravamento, destacando a elevada procura e a escassez de profissionais.

«Eu diria que as próximas semanas vão ser semanas de grande pressão em Lisboa e Vale do Tejo, mas, essencialmente, no Hospital de Amadora‑Sintra».

Entre os fatores apontados pela ministra estão:

  • Pressão assistencial enorme na área abrangida pela unidade local de saúde;
  • Mais de 240 mil pessoas nos concelhos referidos sem médico de família, o que conduz muitos utentes às urgências;
  • Falta de recursos humanos — destacando carências de enfermeiros e médicos na urgência;
  • Instabilidade nas equipas causada por «várias mudanças» ocorridas recentemente;
  • Casos de «alta prolongada», incluindo pacientes à espera de vaga na Rede Nacional de Cuidados Continuados.

Medidas e limitações apontadas pelo Governo

A ministra assegurou que o Executivo está a empenhar‑se para «procurar conseguir trazer de novo profissionais para a urgência», reconhecendo, contudo, a existência de limitações imediatas que tornam provável a repetição de situações de sobrecarga nas semanas seguintes.

Ao comentar os elevados tempos de espera nas urgências na região, Ana Paula Martins declarou que estes são «um bocadinho mais elevados» e, por vezes, «significativamente mais elevados que no resto do país». A ministra destacou também a especificidade do Hospital de Amadora‑Sintra, onde se conjugam maior procura, insuficiência de médicos de família e carências de pessoal hospitalar.

Impacto local e pontos críticos

O alerta da ministra coloca em evidência problemas estruturais que afetam diretamente os residentes de Sintra e concelhos limítrofes: a falta de médico de família obriga famílias a recorrer com maior frequência às urgências hospitalares para problemas que, noutras circunstâncias, seriam tratados em cuidados primários.

Além do impacto nos tempos de espera, a combinação de falta de profissionais e de altas hospitalares prolongadas implica constrangimentos na capacidade de internamento e na qualidade das respostas clínicas. A transferência ou acolhimento de doentes para a Rede Nacional de Cuidados Continuados surge como um factor que, quando não funciona atempadamente, amplia a pressão sobre as urgências.

Problema Observação (segundo a ministra)
Pessoas sem médico de família >240 000 nos concelhos referidos
Escassez de profissionais «Muita falta de enfermeiros, muita falta de médicos» na urgência
Alta prolongada Aparece com maior significado e contribui para a sobrecarga

O que esperar nas próximas semanas

A ministra assinalou que há dias com maior pressão previsível — por exemplo, a segunda‑feira, que costuma ser «um dia muito difícil na urgência no país inteiro» — e que, com o regresso de férias e a rotina quotidiana das famílias, o fluxo de utentes pode intensificar‑se. Face a estes fatores, as autoridades de saúde locais e a administração da Unidade Local de Saúde terão de gerir recursos limitados e procurar mitigar riscos para a população.

Do ponto de vista dos utentes, o aviso público serve como indicação para ponderar alternativas aos serviços de urgência sempre que possível — por exemplo, recorrer a centros de saúde ou linhas de triagem quando disponíveis — até que o ritmo de atendimento se normalize. O Governo, por sua vez, terá de acelerar medidas de reforço de recursos humanos e de gestão de altas para reduzir a pressão sobre o Hospital de Amadora‑Sintra.

Continuaremos a acompanhar desenvolvimentos, eventuais anúncios de medidas imediatas por parte da tutela e informações oficiais da Unidade Local de Saúde sobre a capacidade de resposta e orientações para a população de Sintra nas próximas semanas.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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