O serviço de Urgência do Hospital Amadora-Sintra (Fernando Fonseca) voltou a registar esta semana tempos de espera elevados, com doentes a aguardar mais de 12 horas pela primeira observação, segundo o portal que publica tempos médios de espera. O fenómeno mantém-se numa unidade que, nas últimas semanas, tem apresentado os maiores tempos de espera para atendimento na região.
Dados recentes e capacidade reduzida
Segundo os números divulgados, eram 68 os pacientes a aguardar, pelo menos, 12h33 pela primeira observação. Nos primeiros dias do mês, a média de espera chegou a 18 horas, com um pico particularmente grave: doentes classificados como muito urgentes chegaram a aguardar até 10 horas quando, por protocolo, deveriam ser vistos em 10 minutos.
- 68 pacientes aguardavam pelo menos 12h33 pela primeira observação;
- Média de espera chegou a 18 horas no início do mês;
- Pico de 10 horas para doentes muito urgentes, cujo tempo-alvo é de 10 minutos.
Falta de profissionais e impacto na capacidade de internamento
A administração do hospital atribui a situação, em parte, à escassez de pessoal. Quase 100 enfermeiros entregaram escusa de responsabilidade, alegando falta de condições para prestar cuidados seguros na urgência. A perda de profissionais já obrigou à redução da capacidade de internamento do serviço, que tem agora menos 18 camas.
«As Urgências gerais estão sem diretor, desde fevereiro»
Perante a carência, a administração do hospital informou ter contratado seis profissionais em regime de prestação de serviços e anunciou a entrada de mais sete em setembro. Apesar destas contratações, a situação operacional continua tensa, com tempos de espera que excedem largamente os parâmetros desejáveis para um serviço de urgência.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Doentes a aguardar ≥ primeira observação | 68 |
| Média de espera (início do mês) | 18 horas |
| Pico para doentes muito urgentes | 10 horas (objectivo: 10 minutos) |
| Enfermeiros com escusa de responsabilidade | Quase 100 |
| Redução de camas | 18 camas |
| Contratações anunciadas | 6 (prestação de serviços) + 7 em setembro |
Organização e perspetivas
O serviço de Urgência geral permanece, segundo a administração, sem diretor desde fevereiro. A entidade responsável garante que este problema será resolvido em breve, mas não especificou datas nem o cronograma para a reposição plena de profissionais e da capacidade de internamento reduzida.
Os números divulgados colocam questões sobre a capacidade da unidade em responder às necessidades de saúde da população local — não só do concelho de Sintra, mas também dos municípios adjacentes que recorrem ao Hospital Fernando Fonseca. A combinação de longos tempos de espera, falta de enfermeiros e redução de camas torna mais difícil garantir cuidados em tempo útil, sobretudo para casos classificados como muito urgentes.
Perante este quadro, a evolução das contratações e a nomeação de direção para as Urgências gerais serão acompanhadas pelas autoridades de saúde e pelos serviços hospitalares locais. A recuperação da capacidade e a redução dos tempos de espera serão indicadores centrais para avaliar se as medidas anunciadas terão impacto efetivo na qualidade e segurança dos cuidados prestados aos utentes de Sintra e região.