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Loures distribui 20 mil pulseiras detetoras de GHB para reforçar segurança em eventos

A Câmara Municipal de Loures, em parceria com a PSP e a promotora Desert Rain, começa a distribuir pulseiras Celentis que sinalizam a presença de GHB em bebidas. As primeiras 5.000 serão entregues no concerto de Carl Cox no Parque Papa Francisco.

Loures distribui 20 mil pulseiras detetoras de GHB para reforçar segurança em eventos
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Loures inicia, a partir deste sábado, a distribuição de 20.000 pulseiras capazes de detetar a presença de ácido gama‑hidroxibutírico (GHB) em bebidas, numa medida que o presidente da autarquia qualificou como preventiva e não como resposta a ocorrências específicas no concelho.

Uma medida preventiva em eventos de grande dimensão

As pulseiras, designadas Celentis, resultam de um projeto coordenado em Portugal pelo químico e professor Carlos Lodeiro, da NOVA FCT, em colaboração com a Universidade de Valência e a empresa espanhola Celentis. A distribuição decorrerá numa parceria entre a Câmara Municipal de Loures, a PSP e a promotora Desert Rain. As primeiras 5.000 unidades serão entregues durante o concerto do DJ Carl Cox, no Parque Papa Francisco, este sábado.

O presidente da Câmara Municipal, Ricardo Leão, sublinhou que a iniciativa «constitui uma medida de prevenção» e não surge como reação a um problema concreto registado no concelho. A autarquia e a promotora partilham um investimento total de 22.000 euros, repartido em partes iguais.

Como funcionam as pulseiras e limites de reutilização

Segundo a informação divulgada sobre o dispositivo, o sensor integrado na pulseira reage quando uma gota da bebida é aplicada sobre a área sensora. A alteração cromática do sensor serve de indicação sobre a possível presença de substâncias associadas à submissão química:

  • Se a área mudar para verde‑escuro, sinaliza a possível detecção de GHB.
  • Se a cor variar para laranja‑avermelhado, indica a presença de aminas.

Os sensores das pulseiras podem ser reutilizados até cinco vezes caso os resultados sejam negativos para GHB; em caso de resultado positivo para essa substância, o sensor deixa de poder ser utilizado.

Contexto e implicações locais

Na prática, a distribuição em eventos visa permitir que quem frequenta espaços de diversão noturna ou grandes espetáculos tenha uma ferramenta adicional para identificar, de forma imediata, sinais de adulteração de bebidas. A iniciativa surge de um trabalho de investigação que nasceu também da preocupação verificada em Espanha com casos de agressão sexual associados à adulteração de bebidas com substâncias como o GHB.

Para muitos residentes e utilizadores de espaços de eventos no concelho, a entrada em cena destas pulseiras representa uma novidade que pode mudar rotinas: desde a organização de grupos que partilham testagens até à forma como os serviços de segurança e a PSP articulam a resposta em caso de deteção positiva. A parceria com a promotora Desert Rain indica, igualmente, que a medida será testada inicialmente em eventos de grande afluência.

Elemento Valor
Pulseiras a distribuir 20.000
Primeira distribuição 5.000 no concerto de Carl Cox (Parque Papa Francisco)
Investimento total 22.000 € (dividido entre Câmara e Desert Rain)
«A iniciativa constitui uma medida de prevenção» — Ricardo Leão, presidente da Câmara Municipal de Loures.

Do ponto de vista operacional, resta saber como serão assegurados pontos de entrega das pulseiras dentro dos eventos, que informação e formação será dada aos utilizadores sobre interpretação dos resultados, e como a PSP e os serviços de emergência irão intervir perante um resultado positivo. A autarquia referiu que a ação não é uma resposta a ocorrências específicas no concelho, pelo que a implementação terá caráter experimental e preventivo.

O projeto que deu origem às pulseiras teve como objetivo o desenvolvimento de sensores que detetem, em bebidas, substâncias associadas à submissão química, entre as quais o GHB. A colaboração transfronteiriça com Espanha e a participação académica portuguesa mostram uma perspetiva de investigação aplicada que agora se traduz numa medida de segurança pública.

Nos próximos dias, a presença das pulseiras em espaços públicos de Loures será observada de perto por cidadãos, organizadores e forças de segurança, com expectativas sobre a utilidade prática deste recurso na proteção de quem participa em eventos noturnos e de grande dimensão.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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