Decisão municipal pretende proteger serviço contra oscilações do mercado
A Cascais Ambiente lançou um concurso público com um preço base de 550 mil euros para a compra de sacos verdes destinados ao projecto de separação de biorresíduos no concelho, segundo o anúncio publicado no Diário da República a 11 de agosto. A aquisição, classificada sob o código CPV 19640000, visa garantir o fornecimento de sacos de polietileno que serão utilizados na recolha selectiva de resíduos orgânicos.
Em esclarecimento ao Jornal PT Green, a entidade explicou que a medida responde à «volatilidade acentuada» nos preços do plástico e dos materiais reciclados nos últimos meses, uma tendência que, pela sua dimensão internacional, afecta operadores em todo o mercado. Para mitigar esse risco, a Cascais Ambiente fixou um valor máximo por rolo de sacos em 0,50€, o que traduz a intenção de adquirir cerca de 1,1 milhões de rolos.
«Para garantir previsibilidade e evitar que a operação ficasse exposta a oscilações bruscas, a Cascais Ambiente realizou uma consulta ao mercado e definiu um valor máximo por rolo (0,50€).» — Filipa Cardoso, chefe da Unidade de Comunicação da EMAC
Características dos sacos e funcionamento do serviço
Segundo a empresa municipal, os sacos verdes a contratar respeitam requisitos de resistência e de redução do impacto ambiental, sendo produzidos em material 100% reciclado. A aquisição integra o projecto de «Separação de Biorresíduos», orientado para a recolha de restos alimentares e outros resíduos biodegradáveis.
O sistema em Cascais foi iniciado em 2018 e alargado a toda a área do concelho em 2023, antes da obrigatoriedade nacional. Na prática, cada aderente recebe um balde doméstico de 7 litros e um rolo de sacos aquando da inscrição; posteriormente, a distribuição prevê o envio gratuito de dois rolos por cada dois meses.
- Preço base do concurso: 550 000 €
- Preço máximo por rolo definido: 0,50 €
- Número aproximado de rolos a adquirir: 1,1 milhões
- Material dos sacos: 100% reciclado
- Equipamento entregue ao aderente: balde de 7 L + rolos periódicos
Impacto financeiro e operacional
A Câmara e a Cascais Ambiente destacam que a recolha de biorresíduos já trouxe ganhos financeiros ao município: a operação terá permitido uma poupança estimada de 280 mil euros nas contas municipais. Operacionalmente, os sacos verdes são colocados no mesmo contentor que contém os resíduos indiferenciados e, na sequência da recepção na instalação de triagem, são identificados por leitores ópticos na Tratolixo para posterior separação.
Para os moradores, a principal mudança prática é manter o esquema de entrega periódica dos rolos, sem custos diretos para os aderentes, e a continuidade do serviço que permite separar a fracção orgânica sem necessidade de contentores específicos na via pública. A definição de um preço máximo por rolo pretende assegurar estabilidade no fornecimento e evitar aumentos abruptos que poderiam afetar a operação e a sua continuidade.
Do ponto de vista ambiental, a opção por sacos de polietileno produzidos com material reciclado e a triagem automatizada procuram reduzir o desperdício e aumentar a eficiência na valorização dos biorresíduos encaminhados para tratamento.
| Item | Valor/Descrição |
|---|---|
| Preço base do concurso | 550 000 € |
| Preço máximo por rolo | 0,50 € |
| Número estimado de rolos | ~1,1 milhões |
| Balde entregue por adesão | 7 litros |
| Poupança estimada | 280 000 € |
Nas ruas de Cascais, moradores ouvidos em ações de comunicação sobre a separação de biorresíduos têm manifestado receio quanto a alterações de serviço que impliquem custos adicionais ou mudanças logísticas. A administração municipal, por seu turno, procura assegurar que as medidas tomadas garantam estabilidade do serviço sem onerar os utilizadores.
O concurso publicado na última semana é, assim, apresentado pela Cascais Ambiente como um mecanismo de proteção contratual face a um mercado internacional volátil, assegurando a continuidade do fornecimento de consumíveis essenciais à operação de recolha de biorresíduos no concelho.