A Infraestruturas de Portugal (IP) confirmou que o projecto de beneficiação da Estrada Nacional 1 (EN1), no troço que liga Vila Franca de Xira ao Carregado, ainda se encontra em fase de conclusão e que entre as intervenções previstas está a construção de uma nova passagem para peões na zona da rotunda da Quinta da Mendanha, no Carregado.
Âmbito da obra e localização
Segundo a IP, a intervenção abrange o troço compreendido entre o quilómetro 23+950, em Vila Franca de Xira, e o quilómetro 34+730, no Carregado. A obra integra várias medidas de requalificação da via e pretende responder tanto a necessidades de circulação como a questões de segurança rodoviária.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Início do troço | km 23+950 (Vila Franca de Xira) |
| Fim do troço | km 34+730 (Carregado) |
Passagens e acessibilidades
Na resposta ao jornal local, a IP anunciou a construção de «uma passagem de peões definitiva» na área da rotunda da Quinta da Mendanha. A empresa pública diz também ter condicionado o prolongamento da Rua Maria Perpétua Aço até ao ramo da rotunda à supressão da ligação da Rua Arsénio da Assunção Carvalho à mesma rotunda.
Esta condicionante visa, segundo a IP, mitigar problemas de segurança associados a movimentos de viragem à esquerda que, pela proximidade dos acessos, poderiam comprometer a fluidez e a segurança na rotunda da EN1. A empresa assegura, no entanto, que as acessibilidades à Quinta da Mendanha se mantêm através do acesso actualmente existente entre duas rotundas, distanciadas por cerca de 300 metros.
- Construção de nova passagem de peões junto à rotunda da Quinta da Mendanha;
- Condicionamento do prolongamento da Rua Maria Perpétua Aço ao encerramento da ligação da Rua Arsénio da Assunção Carvalho à rotunda;
- Manutenção de acessibilidades à Quinta da Mendanha por via alternativa entre duas rotundas.
Reacções locais e consequências
Na cidade e nas freguesias vizinhas, a intervenção voltou a trazer ao de cima o conflito entre planeamento rodoviário e actividade comercial local. Em declarações anteriores ao jornal, comerciantes e empresários da Rua Arsénio da Assunção Carvalho manifestaram-se contra a possibilidade de corte daquela via, uma medida que, disseram, poderia afectar o acesso e o movimento de clientes.
O projecto privado da Quinta da Mendanha, que motivou parte dessas preocupações, seguiu um processo de licenciamento municipal onde a IP se pronunciou. A empresa pública afirma não ter recebido pedidos para alterar o projecto privado na sequência das condições entretanto definidas, mas condicionou o prolongamento de uma rua pública à supressão da outra ligação à rotunda.
«As acessibilidades à Quinta da Mendanha, através da Rua Arsénio da Assunção Carvalho, estão asseguradas pelo acesso actualmente existente», afirmou a Infraestruturas de Portugal.
No terreno, residentes e comerciantes consultados em Vila Franca de Xira mostram-se cautelosos: reconhecem a necessidade de melhorar a segurança rodoviária numa via com intenso tráfego, mas receiam que alterações nos acessos aumentem o percurso para clientes e fornecedores, com impacto directo na actividade económica local.
O presidente da Câmara de Alenquer, João Nicolau, chegou a indicar que seria pedido à IP uma revisão do projecto quando a hipótese de corte da rua foi levantada. A IP, por seu lado, salienta que a solução adoptada permite todos os movimentos em segurança, embora possa implicar um aumento da extensão dos percursos para alguns utilizadores.
Próximos passos
O projecto está em fase final de elaboração pela IP. Não foram avançadas datas concretas para início de obra nem calendarização detalhada das intervenções. Para os moradores de Vila Franca de Xira e para os comerciantes da zona, a expectativa concentra-se agora na divulgação dos planos executivos e na clarificação das alterações de acessos, esperando-se que as decisões finais conciliem segurança rodoviária com a manutenção da actividade económica local.
Na prática, a intervenção na EN1 colocará a ferrovia rodoviária e o comércio local a debate: melhorar a circulação e proteger peões, equilibrando interesses de mobilidade e de sustentabilidade económica nas margens desta via histórica do Ribatejo.