Na reunião do executivo municipal de Abrantes, o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos (PS), informou que manteve duas reuniões com o secretário de Estado da Energia, a 22 de julho e a 1 de agosto, para acompanhar matérias relacionadas com a transição energética e com a definição das chamadas «zonas de aceleração» para projetos renováveis.
Orientação nacional e implicações locais
Segundo o autarca, há uma orientação a nível nacional que aponta para a disponibilidade de 1% do território para instalação de projetos fotovoltaicos e outro 1% para projetos eólicos. A Câmara Municipal diz estar atenta ao processo e pretende acompanhar as decisões que possam afetar o concelho, nomeadamente quanto à localização das infraestruturas e ao uso do solo.
Na reunião surgiram preocupações da oposição sobre o impacto territorial destas opções, com o vereador João Morgado (PSD) a interrogar-se sobre se a estratégia municipal privilegiará a ocupação de terrenos — potencialmente florestais — ou se será dada primazia à utilização de coberturas e edifícios públicos.
- Datas das reuniões com o Governo: 22 de julho e 1 de agosto.
- Orientação nacional mencionada: 1% do território para fotovoltaico e 1% para eólico.
- Preocupações locais: ocupação de solo e proteção de áreas florestais; aproveitamento de edifícios existentes.
O futuro da central do Pego
Além das zonas para renováveis, a autarquia está a acompanhar os desenvolvimentos relacionados com a central termoelétrica do Pego e o futuro energético daquela área. Entre os temas referidos por Manuel Jorge Valamatos constam:
- projeto da Endesa na área;
- definição do ponto de injeção para a rede;
- concurso para projetos de produção de energia e armazenamento;
- criação de uma zona livre tecnológica e a possibilidade de uma mini-hídrica.
Estas matérias colocam o Pego no centro das decisões sobre o futuro energético da região, com potencial para atrair investimentos e alterar o perfil industrial e territorial do concelho.
| Tema | Pontos principais |
|---|---|
| Zonas de aceleração | Orientação nacional para 1% do território fotovoltaico e 1% eólico; acompanhamento municipal |
| Central do Pego | Projeto Endesa; ponto de injeção; concurso para produção e armazenamento; zona livre tecnológica; eventual mini-hídrica |
| Questões locais | Proteção de áreas florestais; utilização de coberturas de edifícios públicos; impacto territorial |
Acompanhamento político e próximos passos
A reunião prevista com a ministra do Ambiente, que tinha sido adiada, foi reagendada para os primeiros 15 dias de setembro, segundo a informação transmitida na reunião do executivo. A autarquia reforça assim o acompanhamento direto das negociações com o Governo e com promotores, numa fase em que as decisões de planeamento poderão condicionar usos do solo e investimentos na região.
Na prática, a definição de «zonas de aceleração» obriga os municípios a conciliar prioridades nacionais — como metas de expansão das renováveis — com realidades locais, incluindo proteção de recursos naturais, continuidade de usos agrícolas e florestais, e a existência de infraestrutura de evacuação de energia. Em Abrantes, essas preocupações traduzem-se na observação atenta dos impactos sobre território e economia, bem como na procura de soluções que privilegiam aproveitamento de coberturas e áreas já edificadas sempre que possível.
O debate entre o executivo municipal e a oposição refere ainda a necessidade de garantir transparência e participação local nas decisões que definem onde se poderão instalar grandes áreas de painéis fotovoltaicos ou parques eólicos. O Município anunciou que acompanhará os documentos e concursos que surjam do processo nacional e que fará chegar as suas posições às instâncias competentes.
O desfecho das negociações sobre o Pego e a concretização da estratégia nacional para as renováveis terão consequências diretas sobre o planeamento territorial do concelho e sobre oportunidades de investimento e emprego. Enquanto a agenda nacional for clarificada, Abrantes mantém uma postura de vigilância e exigência de articulação que minimize impactos indesejados e maximize sinergias com a economia local.