No segundo bloco do debate promovido pelo Correio Braziliense entre os candidatos ao Governo do Distrito Federal, a questão da saúde pública dominou o confronto. A atual governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), e o opositor José Roberto Arruda (PSD) trocaram críticas sobre modelos de gestão, responsabilidade por cortes ou falhas em serviços e a execução de obras na rede hospitalar.
Acusações mútuas e insinuações sobre gênero
Ao chegar ao estúdio, Celina afirmou estar preparada para enfrentar ataques dos adversários. Durante a rodada de perguntas entre candidatos, ela acusou Arruda de reproduzir ideias alheias e, em seguida, afirmou ter sido alvo de preconceito por gênero na interação. A troca pública entre os dois teve tom de confronto: Arruda rebateu defendendo que a questão seria de competência administrativa, ressaltando que a situação da saúde piorou sob a atual gestão, e apontou falhas na prestação de serviços.
“Há um preconceito contra as mulheres. Eu tenho feito muita coisa, mas todas as minhas boas ações, o candidato Arruda fala que foram ideias dele.”
O clima de embate trouxe à tona não apenas questões de mérito, mas também elementos de bastidor político, com ambos os candidatos buscando deslegitimar a narrativa do adversário sobre performance administrativa na saúde.
Diagnóstico: filas, falta de médicos e críticas ao Iges‑DF
Arruda afirmou que, durante sua gestão anterior, havia maior oferta de especialidades básicas em unidades de saúde e citou como exemplo que toda unidade teria pediatra, clínico geral e ginecologista. O ex-governador também criticou a gestão do Iges‑DF, instância responsável por parte da administração hospitalar, dizendo que o instituto teria se tornado objeto de politização, com impacto nos controles de gastos e nas compras.
A discussão tocou em problemas perceptíveis ao usuário: tempos de espera, carência de profissionais e lacunas em infraestrutura hospitalar. Apesar das acusações, o debate não trouxe novos diagnósticos técnicos detalhados, mas ressaltou a percepção de fragilidade da rede por parte de dirigentes políticos.
Propostas citadas no debate
Na resposta às críticas, Arruda listou compromissos voltados à ampliação de capacidade hospitalar. Entre as medidas mencionadas pelo candidato estão a construção de unidades em diferentes regiões do DF e a atração de parcerias para ampliar serviços oncológicos e cirúrgicos. Uma obra referida no debate foi o Hospital de Santa Maria, cuja construção anterior foi apresentada por Arruda como exemplo de entrega.
- Reclamação sobre gestão: politização e falta de controle no Iges‑DF, segundo Arruda.
- Promessa de ampliação: construção de novos hospitais em áreas administrativas do DF.
- Crítica de gênero: Celina denunciou preconceito ao responder a perguntas de adversários.
Compromissos anunciados por Arruda
Durante o confronto, o candidato disse que pretende priorizar obras hospitalares e aumentar a oferta de profissionais. Entre as entregas citadas esteve a menção a um hospital construído anteriormente em Santa Maria, apresentado como referência por ter 400 leitos. Em sua fala, Arruda também citou a intenção de trazer parcerias para tratamento oncológico e inaugurar unidades voltadas a cirurgias eletivas.
| Projeto/Local | Observação mencionada |
|---|---|
| Hospital de Santa Maria | 400 leitos (citado como obra realizada) |
| Hospitais anunciados | Recanto das Emas; São Sebastião; Sol Nascente (citados como projetos a serem construídos) |
| Parcerias | Hospital de Câncer de Barretos e unidade de cirurgias eletivas (citados como objetivos) |
O debate trouxe promessas que, caso prosperem, exigirão verificação de disponibilidade orçamentária, cronograma de obras e articulação com o Fundo Constitucional do Distrito Federal, mecanismo responsável por parte significativa do financiamento do DF. No entanto, durante a sessão, não foram apresentados detalhes técnicos sobre fontes de recursos ou prazos de execução.
Impacto direto para a população
As acusações e promessas têm reflexo imediato no cotidiano dos moradores do DF. A insuficiência de especialistas e a lentidão nas obras hospitalares ampliam filas, transferências e a busca por atendimento na rede privada por aqueles que têm condições. Independentemente do resultado eleitoral, a forma como as propostas serão operacionalizadas determinará se haverá redução de espera e ampliação de capacidade hospitalar nas regiões apontadas.
Nos próximos dias, a agenda política deve manter o tema da saúde como central nas discussões eleitorais no Distrito Federal, em especial pela ligação direta entre alocação de recursos do Fundo Constitucional e a entrega de serviços à população.
Letícia Aranha Monteiro, Correspondente no Distrito Federal, WE NEWS.