Roraima iniciou um período de estiagem sem a transição climática habitual entre estações e já contabiliza focos de calor acima do normal para o mês, conforme levantamento do Corpo de Bombeiros Militar do Estado (CBMRR). Dados apresentados pelo comandante-geral, coronel Anderson de Carvalho, indicam que o estado registrou 40 focos em julho — o maior número para o mês na série histórica — e alcançou 46 focos até 13 de agosto.
Contexto e avaliação das autoridades
O comandante classificou o cenário como preocupante e ressaltou que a transição direta do período chuvoso para a estiagem cria uma combinação operacional atípica. Em entrevista a um programa de rádio, ele afirmou:
“É um cenário que eu inicio dizendo que é preocupante. Nós não tivemos transição do inverno para o verão. Estamos praticamente com duas operações simultâneas.”
Entre maio e junho, várias cidades do estado tiveram chuvas acima da média, o que levou à decretação de situação de emergência com reconhecimento federal. A desmobilização das ações de resposta às cheias ainda ocorre ao mesmo tempo em que o gabinete de crise instalado no Corpo de Bombeiros, por determinação do governador Soldado Sampaio, organiza medidas para enfrentar a seca.
Projeções de instituições federais
O El Niño — aquecimento das águas superficiais do Pacífico equatorial — vem sendo monitorado por agências nacionais e internacionais. Segundo o comandante do CBMRR, indicadores climáticos situam a anomalia térmica atualmente entre 1,8 e 2 graus, valor próximo ao limiar que caracteriza um super El Niño. O prognóstico da NOAA e do Inpe aponta para intensificação do fenômeno entre novembro e janeiro, com probabilidade elevada de pico nesse período.
O Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, do Inmet e outras seis instituições federais, indica 100% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até o início de 2027, com potencial para intensidade muito forte. O documento projeta ainda um aumento nos incêndios florestais em Roraima entre dezembro de 2026 e abril de 2027 e prevê que a precipitação em partes do estado pode ficar até 50 milímetros abaixo da média climatológica.
Impactos e riscos esperados
As projeções apontam para um cenário com maior risco de queimadas e incêndios florestais nos próximos meses, especialmente no período mais quente do ano. A combinação de seca antecipada, altos índices de temperatura e menor pluviometria aumenta a vulnerabilidade de áreas de vegetação nativa e de produção rural, além de elevar riscos à saúde pública decorrentes da fumaça e da redução da disponibilidade hídrica.
- Focos detectados: 40 em julho; 46 até 13 de agosto.
- Projeção climática: El Niño ativo com probabilidade de intensidade muito forte entre fim de 2026 e início de 2027.
- Risco de incêndios: aumento previsto entre dezembro de 2026 e abril de 2027.
Operação dos órgãos locais
O CBMRR mantém gabinete de crise e coordena a transição das ações de resposta: enquanto equipes ainda atuam na desmobilização das operações relacionadas às enchentes, preparam-se medidas de prevenção e combate a incêndios e atendimento a eventuais emergências causadas pela estiagem. O comandante sublinhou a complexidade de manter duas frentes de atuação simultâneas.
| Mês | Focos de calor (registro oficial) |
|---|---|
| Julho (2026) | 40 |
| Até 13 de agosto (2026) | 46 |
Autoridades estaduais e federais dispõem de previsões e alertas que devem orientar o planejamento de resposta. Entre as medidas previstas em situações similares estão ações de vigilância por satélite, patrulhas terrestres em áreas de alto risco, restrições a queimadas controladas e campanhas de orientação à população sobre prevenção de incêndios e segurança hídrica.
O que muda para a população
Moradores de áreas rurais e ribeirinhas devem ficar atentos ao aumento do risco de queimadas e à necessidade de medidas de prevenção, como evitar queima de resíduos nos períodos mais secos e comunicar rapidamente qualquer detecção de fumaça às autoridades competentes. A redução de chuvas prevista em partes do estado também demanda atenção à gestão do abastecimento de água e à proteção de animais e lavouras.
As autoridades estaduais mantêm monitoramento e orientação conjunta com órgãos federais. O cenário exigirá coordenação entre defesa civil, Corpo de Bombeiros, órgãos ambientais e prefeituras para mitigar riscos e reduzir impactos socioambientais nas próximas semanas.