Dados consolidados do Instituto Socioambiental (ISA), com base na plataforma Tropical Tidbits, indicam que Roraima deve registrar, no último trimestre de 2026, chuvas abaixo da média histórica do estado. As previsões disponíveis apontam que esse déficit pluviométrico pode se estender até janeiro de 2027, criando cenário propício à ocorrência e à propagação de incêndios florestais.
Previsões e janela crítica
O boletim do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) complementa a análise do ISA ao projetar que os incêndios em Roraima tendem a se intensificar até o fim do primeiro semestre de 2027, em decorrência da influência do fenômeno El Niño. Segundo especialistas do Inpa, os efeitos mais agudos do episódio devem ser observados entre janeiro e março de 2027.
Impactos esperados
O documento do Inpa destaca que a combinação de estiagem e aumento do fogo altera a distribuição habitual das queimadas em Roraima. Em anos climáticos normais, as chamas se concentram no lavrado do nordeste do estado e progridem em direção ao sul ao longo das rodovias BR-432, BR-174 e BR-210. No contexto de El Niño, porém, há concentração maior de incêndios na fronteira leste da Terra Indígena Yanomami, na área entre a Perimetral Norte, Vila Apiaú, Vila Nova e o rio Mucajaí.
Além do impacto ambiental, o Inpa chama atenção para perdas na produção agropecuária e para as consequências na qualidade do ar em comunidades tradicionais. A densa fumaça gerada pelas queimadas pode ser transportada pelos ventos para dentro do território Yanomami, ampliando os efeitos sobre populações que, na prática, têm sofrido os danos desencadeados fora de seus limites territoriais.
“Se o fogo não estiver sob controle nesse período, podemos nos deparar com um cenário de intensa poluição atmosférica causada pela fumaça dos incêndios. Isso pode ser grave tanto para a população mais vulnerável, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades, como para a população geral, dependendo dos níveis de poluição”, afirmou Arthur Citó, pesquisador do Inpa.
Por que a fronteira leste da TI Yanomami fica mais vulnerável
O relatório técnico explica que, em condições de forte estiagem, a umidade da floresta — tradicionalmente um limitador natural das chamas — diminui. Esse enfraquecimento da capacidade de retenção de umidade torna trechos florestais mais suscetíveis ao fogo, o que concentra as queimadas na região leste do território Yanomami durante eventos extremos.
- Perda ambiental: maior risco de queimadas em áreas florestais e de transição;
- Impacto social: deslocamento de fumaça para comunidades tradicionais e aldeias indígenas;
- Saúde pública: aumento de poluição atmosférica com riscos para grupos vulneráveis.
Tabela resumida: período previsto e principais efeitos
| Período | Previsão | Principais impactos |
|---|---|---|
| Último trimestre de 2026 | Chuvas abaixo da média histórica | Seca relativa da vegetação; aumento da suscetibilidade a incêndios |
| Janeiro a março de 2027 | Período de efeitos mais intensos do El Niño | Possível intensificação de queimadas; poluição do ar |
| Até primeiro semestre de 2027 | Maior duração do risco de incêndios | Comprometimento da agricultura, saúde pública e territórios indígenas |
Consequências para saúde e agricultura
O Inpa ressalta que a poluição atmosférica gerada pela fumaça pode afetar tanto a população em geral quanto os grupos mais vulneráveis — crianças, idosos e pessoas com comorbidades — dependendo dos níveis de poluentes atingidos. Do ponto de vista produtivo, a intensificação das queimadas pode resultar em perdas na produção agropecuária, afetando comunidades rurais que dependem da agricultura de subsistência e do lavrado.
O que as comunidades e gestores precisam observar
Diante da projeção de seca e maior probabilidade de incêndios, a recomendação implícita dos boletins técnicos é que medidas de prevenção, vigilância e controle sejam reforçadas. Isso inclui monitoramento remoto, criação de frentes de contenção quando necessário, campanhas de alerta à população sobre riscos à saúde e atenção especial às comunidades indígenas que recebem os impactos da fumaça deslocada de áreas externas aos seus territórios.
As análises do ISA e do Inpa reforçam a necessidade de articulação entre órgãos ambientais, de saúde pública e organizações locais para mitigar os efeitos esperados do fenômeno climático no estado de Roraima.