O jornalismo de Pernambuco perdeu, na tarde deste sábado (22), uma de suas vozes mais conhecidas. Aos 78 anos, o jornalista, escritor e curador Homero Fonseca faleceu no Recife em decorrência de um câncer de pâncreas, segundo confirmou o filho do profissional, José Henrique Fonseca.
Trajetória profissional e influência
Natural de Bezerros, no Agreste pernambucano, Homero deixou atuação consolidada em várias redações do país. Foi repórter de veículos nacionais como O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Jornal do Commercio. No plano local, destacou-se como editor-chefe do Diario de Pernambuco, onde também liderou o processo de modernização tecnológica do jornal e implantou a função de repórter especial.
Além do Diário, chefiou a redação da Folha de Pernambuco e teve papel editorial na revista Continente Multicultural. Seu compromisso com a formação de profissionais incluiu atuação como professor de Teorias da Comunicação na extinta Escola Superior de Relações Públicas, no Recife.
Reconhecimento e produção literária
Ao longo da carreira, Homero Fonseca acumulou reconhecimento pela apuração e pela postura crítica. Em 1984, recebeu uma menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos, concedida pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, por trabalho que valorizou questões relevantes de interesse público.
Mesmo já em idade avançada, manteve a produção literária ativa: em dezembro do ano passado lançou o romance "Jaraguá: O Herói Inzoneiro". Colegas ressaltam que ele continuava engajado com a escrita e com o olhar atento sobre cultura e sociedade.
Depoimentos de colegas
Profissionais que conviveram com Homero destacam sua exigência e senso de estilo. O jornalista Inácio França, um dos primeiros repórteres especiais do Diário e atualmente editor-chefe da Marco Zero Conteúdo, recorda o perfil do editor que coordenou redações e equipes.
"[Homero] era um editor rigoroso, que não se contentava com meias verdades e apurações incompletas"
Paula Lousada, colunista, lembrou de uma ligação recente em que Homero tratou da própria saída, em tom sereno e quase premonitório, e destacou a energia com que ele seguia trabalhando até pouco tempo antes.
Legado e impacto local
O legado de Homero Fonseca perpassa a modernização de rotinas jornalísticas no Recife — como a transição das máquinas de escrever para os computadores — e a consolidação de práticas de reportagem aprofundada por meio do cargo de repórter especial. Essas mudanças influenciaram gerações de profissionais e ajudaram a tornar as redações locais mais compatíveis com padrões nacionais.
- Idade: 78 anos
- Causa da morte: câncer de pâncreas
- Principais cargos: editor-chefe do Diario de Pernambuco; diretor de redação da Folha de Pernambuco; diretor da revista Continente Multicultural
- Reconhecimento: menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog (1984)
- Produção recente: lançamento do romance "Jaraguá: O Herói Inzoneiro" em dezembro do ano passado
Tabela: principais passagens na imprensa
| Função | Veículo / Instituição |
|---|---|
| Repórter | O Estado de S. Paulo; Jornal do Brasil; Jornal do Commercio |
| Editor-chefe | Diario de Pernambuco |
| Diretor de redação | Folha de Pernambuco |
| Diretor/editor | Revista Continente Multicultural |
| Professor | Escola Superior de Relações Públicas (Recife) |
Em nota, colegas e ex-alunos devem registrar memória e reconhecimento pela contribuição de Homero ao jornalismo e à cultura pernambucana. Seu estilo, descrito por pares como marcado por verve e humor, e sua postura editorial, reconhecida pela exigência na apuração, serão lembrados nas redações onde atuou.
No plano pessoal, a confirmação do falecimento partiu do filho José Henrique Fonseca. Ainda não há divulgação pública sobre velório ou cerimônia fúnebre. A família e os profissionais que com ele trabalharam poderão, nas próximas horas, informar detalhes sobre os atos de despedida.
Homero Fonseca deixa obra jornalística e literária, além de alunas e alunos que foram formados sob seu olhar crítico e de colegas que o consideram um dos nomes que marcaram o jornalismo pernambucano nas últimas décadas.