Os trabalhadores da Caixa em Pernambuco mantêm a paralisação pelo 12º dia consecutivo após assembleia estadual em que a proposta apresentada pela direção do banco foi rejeitada por ampla margem.
Votação e próxima mobilização
Na votação realizada pelo Sindicato dos Bancários de Pernambuco, 75,7% dos presentes optaram pela rejeição do acordo. Outros 23,3% votaram a favor e 1,06% registraram abstenção. Em função do resultado, a entidade afirmou que a greve continuará e convocou empregados para um ato nesta terça-feira (22), às 9h, em frente à Caixa Edifício-Sede, no Recife.
Pontos centrais da discordância
Segundo o sindicato, a proposta traz alterações em relação às versões anteriores discutidas nas mesas de negociação, mas não atende de forma integral às reivindicações da categoria. Entre os itens apresentados pela Caixa constavam:
- retirada da cobrança por faixa etária no plano de saúde, preservando o chamado pacto intergeracional;
- aumento da participação do banco no custeio do plano, com elevação gradual do teto de 6,5% para 9% da folha em 2027;
- manutenção dos valores sem reajuste em 2026.
Apesar das mudanças, os empregados insistem na retomada da proporção histórica de custeio do Saúde Caixa, na qual o banco arcaria com 70% e os usuários com 30%. Outra pauta permanente é a inclusão dos funcionários admitidos após agosto de 2018 no benefício previdenciário vinculado à aposentadoria.
Posição sindical
Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Fabiano Moura, o resultado reflete a avaliação dos trabalhadores que participaram da assembleia.
“A categoria deu o recado. A maioria dos empregados e empregadas que participaram da assembleia decidiu rejeitar a proposta apresentada pela Caixa e pela continuidade da greve. O Sindicato respeita a decisão soberana e encaminhará a luta. Essa é uma construção coletiva e vamos seguir junto com a categoria na defesa dos seus direitos e na busca de uma proposta que atenda às reivindicações dos trabalhadores.”
Moura também ressaltou a adesão ao movimento no estado e que todas as unidades da Caixa teriam permanecido fechadas desde o início da paralisação, com participação de empregados de diferentes cargos, conforme informado pela entidade.
Contexto das negociações e impactos locais
As negociações entre a direção da Caixa e os representantes sindicais prolongam-se por mais de dois meses. A continuidade da greve pode ampliar efeitos locais, afetando atendimento presencial e operações que dependem das agências, sobretudo em municípios do interior onde a Caixa tem papel ativo em programas sociais e crédito rural.
Embora o movimento concentre-se em reivindicações específicas à categoria, a suspensão dos serviços acende alerta sobre prazos de pagamento, liberação de benefícios e operações bancárias cotidianas. O sindicato afirma que a mobilização é mantida até que haja avanço satisfatório nas propostas apresentadas pela instituição.
Próximos passos
Com a decisão da assembleia, a expectativa é por nova rodada de negociações entre a Caixa e a representação dos trabalhadores. O ato convocado no Recife servirá para reforçar a mobilização local e demonstrar a posição da categoria em Pernambuco.
| Item | Percentual |
|---|---|
| Rejeição | 75,7% |
| Aprovação | 23,3% |
| Abstenção | 1,06% |
O desenvolvimento das conversas e eventual nova proposta da Caixa deverão ser acompanhados por dirigentes sindicais e pela base de trabalhadores. Qualquer alteração no movimento, incluindo a suspensão da greve, dependerá de acordo considerado suficiente pelos empregados em assembleia.
Reportagem em acompanhamento continuará cobrindo desdobramentos, especialmente eventuais impactos sobre serviços públicos e populações mais vulneráveis que dependem de operações da Caixa no estado.